Ser diferente

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Alunos das escolas e centros municipais de educação infantil, da rede municipal de educação, portadores do autismo, recebem acompanhamento da Secretaria Municipal de Educação (SME) desde o ano de 2010. A Síndrome caracteriza-se por dificuldade na comunicação e na interação social, além de alterações de comportamento, expressas principalmente na repetição de movimentos, como balançar o corpo e ordenamento de objetos.

“O que se percebe no dia a dia ao conviver com o educando portador do autismo, é sua pouca disposição em comunicar-se, assim como sua tendência ao isolamento”, destaca Marcos Pedro da Silva, diretor do Departamento Pedagógico.
O Departamento conta com a Coordenação de Inclusão, Diversidade e Cidadania, que articula, em conjunto com as Unidades Regionais, atividades facilitadoras com o objetivo de possibilitar o ingresso e a permanência de educandos com esta necessidade especial nas instituições educacionais.
Compõe também esta estrutura, o Núcleo de Ações Inclusivas (NAI), o qual visa acompanhar todo processo inclusivo dentro da rede municipal. “Nosso trabalho tem ofertado apoio às escolas para que se garanta educação de qualidade aos portadores do autismo. A presença do cuidador, para ajudar na locomoção, higiene e alimentação, assim como a experiência dentro da sala de recursos garantem um ambiente propício de crescimento integral a este educando”, ressalta a coordenadora do NAI, Euda Gomes.
A partir destas intervenções, o trabalho nas salas de aula ocorre de forma que o educando tenha condição de participar do processo pedagógico de forma inclusiva. “O foco da SME é abrangente, pois não basta garantir um espaço respeitoso dentro da escola para o autista e os demais educandos, mas também que ocorra o desenvolvimento amplo das pessoas que participam do processo de ensino-aprendizagem”, afirma Silva.
No ano de 2013, 46 educandos portadores do autismo foram incluídos na rede municipal de Educação. Em 2014 o número avançou para 81 e, em 2015, foram atendidos, até fevereiro, 102 educandos.

História de Vida
Uma história que chama atenção é a do educando Apollo Fratel, de seis anos, que manifestou sintomas da Síndrome com um ano e seis meses. A mãe, Ana Maria Ritta, percebeu algumas dificuldades da criança no decorrer da rotina escolar. Não comia na instituição, além de ter pouca interação com os colegas. “Nada do que era oferecido era aceito por ele. Não tinha contato visual com educadores e com as outras crianças, nem conseguia se integrar ao agrupamento”, afirmou  Ritta.
A partir desta constatação, a criança foi encaminhada para a As­so­ciação de Pais e Amigos dos Ex­cep­cionais (Apae). “Ao aprofundar sobre esta realidade, comparando outros históricos de crianças com o mesmo transtorno, acabei fazendo uma pesquisa na internet e descobri o diagnóstico. Foi um momento muito difícil para toda a família. Sofremos muito e levamos tempo para superar”, explica a mãe.
Atualmente, o educando está matriculado na Escola Municipal Moisés Santana e na Associação Pestalozzi Unidade Renascer, onde foi avaliado com comprometimento entre moderado e leve. A mãe pondera que a criança, agora com seis anos de idade, tem boa interação e socialização na escola, mas que ainda não fala.
“Hoje com os progressos do Apollo na alimentação, no convívio com outras crianças e na adaptação à rotina, sinto que vencemos muitas barreiras, e que, com seu jeito diferente de ser, ele está nos ensinando algo muito especial”, afirma Ana Maria.


Parcerias

 

Em decorrência da realidade complexa que as pessoas portadoras do autismo vivem, a SME e as instituições especializadas em atendimento aos educandos com necessidades especiais, desenvolvem parcerias em prol da inclusão. Duas associações participam em conjunto com a SME no intuito de ampliar a inserção destes alunos na sociedade.
A Associação de Serviço a Criança Especial de Goiânia (Ascep) e a Associação Pestalozzi-CAE Renascer, unidades parceiras, têm a função de colaborar, em conjunto com os Cmei e escolas, para a ampliação da formação do educando e, por consequência, sua participação social.
Para a representante da Ascep, as parcerias com o poder público cumprem um papel estratégico. “É fundamental destacar que sem o convênio total com a Secretaria se tornaria inviável o funcionamento da Ascep e, com isso, a inclusão social destas pessoas estaria comprometida”, afirma a diretora da instituição, Clara Luciene Ferreira.
Nesta mesma perspectiva, a diretora da Unidade Renascer, Armelinda Aparecida de Morais, destaca os benefícios ganhos para alunos, a partir do convênio. “Com o trabalho desenvolvido aqui, via parceria com a SME, o público com autismo é estimulado a avançar na interação social, aperfeiçoando sua comunicação com as pessoas do seu convívio, rompendo assim com o isolamento”, afirma.


Comemoração do Dia Azul

 

Desde 2008, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu a data 02 de abril como o Dia Mundial da Conscien­tização do Autismo, também definiu o azul como a cor para representar a causa, com o objetivo de sensibilizar o cidadão comum acerca da Síndrome. Em todo o mundo existem 70 milhões de pessoas diagnosticadas, segundo especialistas. No Brasil, o número chega a 2 milhões. (Luiz Fernando Nunes Hidalgo)

 

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