CPIs e a proliferação do circo parlamentar

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No papel, as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), tanto no Congresso Nacional quanto nas Assembleias Legislativas, servem como um instrumento de investigação do poder legislativo na tentativa de contribuir com os outros poderes na solução dos problemas da sociedade. Pelo menos, deveria ser esse o papel. O que vemos, de um bom tempo para cá, porém, é que essas Comissões se transformaram em palanques políticos, onde o principal interesse de seus participantes é ‘aparecer’ na mídia e ganhar prospecção com performances, muitas vezes, teatrais e atos que de nada contribui para o bom debate.
Na semana passada, durante o depoimento do tesoureiro do PT João Vaccari Neto na CPI da Petrobrás – acusado de receber propina de empresas contratadas pela estatal e de lavagem de dinheiro -, vários episódios ilustraram o ‘circo’ em que as CPIs representam. Logo na entrada do petista no Plenário, um funcionário da Casa soltou cinco ratos – mais tarde identificados como dois esquilos da mongólia, dois ratos cinzas e um hamster -, causando uma grande confusão por alguns minutos. Logo depois, o deputado Jorge Solla (PT-BA) acusou o colega goiano delegado Waldir (PSDB) de ter sido o responsável pelo ato. O tucano negou e repreendeu Solla.
Waldir, porém, é um dos maiores representantes das ações midiáticas na CPI da Petrobrás. Há alguns meses, foi flagrado dando fortes gargalhadas depois de fazer um discurso de séria repreensão. Na semana passada, o deputado chamou Vaccari de “maior corrupto e ladrão da história do país”. A fala revoltou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), que chegou a questioná-lo: “Como o sr. passou no psicotécnico no concurso para delegado?”
Contra a produtividade da sessão, também pesam os Habeas Corpus expedidos pela justiça autorizando os acusados a algum crime a ficar em silêncio ou não ser obrigado a falar a verdade. Vaccari, por exemplo, se beneficiou de decisão favorável do ministro do STF Teori Zavascki. Desta forma, as sessões acabam se transformando muito mais em uma guerra partidária do que algo que possa contribuir para as investigações.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), por exemplo, foi um dos parlamentares mais agressivos no interrogatório a Vaccari. “O sr. tem tudo para ser preso e o PT para ser extinto”, bradou. Em 2012, porém, durante a CPI do Cachoeira, Sampaio era um dos mais fortes dos defensores dos investigados. Muitos deles eram, ou tinham relação, com o seu partido.
As CPIs, hoje em dia, pouco contribuem para o esclarecimento da verdade. O que os parlamentares buscam, realmente, é a melhor utilização da mídia e a exposição espontânea que gera, inevitavelmente, dividendos políticos. Ou seja, o que importa mesmo é a imagem, sempre de olho nas próximas eleições.

Boa leitura, ótima semana!

 

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