Que tal um gelinho?

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O ano era 1850. Naquela época, muita gente chegou a pensar que John Gorrie era louco ou alguém que tinha “poderes” especiais.  Foi assim que muitas pessoas, inclusive os jornais, trataram o médico americano quando ele anunciou que tinha desenvolvido uma máquina capaz de produzir gelo. Mas, apesar das críticas de muitos, a afirmação do inventor era verdadeira e foi o ponto de partida para o surgimento de um acessório que transformou a vida e os hábitos alimentares das pessoas ao redor do mundo.
Afinal de contas, quem consegue viver sem geladeira, já que é indispensável para a conservação dos alimentos, por exemplo? Mas a qualidade dos produtos alimentares não foi inicialmente o que motivou o médico, mas sim a tentativa de amenizar o sofrimento de seus pacientes.
Na metade do século passado, Gorrie era dono de um hospital na cidade de Apalachicola, na Florida. O lugar era extremamente quente e úmido, clima muito prejudicial à recuperação dos pacientes. Diante disso, o médico teve a ideia de pendurar sacos de gelo no interior do hospital para melhorar a qualidade do ar. Na época, o gelo utilizado era extraído dos rios e lagos que tinham suas águas congeladas no inverno. O gelo era conservado em silos envoltos em serragem. Um processo que tornava o gelo muito caro e escasso no verão.Impaciente com a dificuldade em obter o produto, Gorrie resolveu colocar em prática seus conhecimentos em Física e construiu uma máquina a vapor movida por um pistão acoplado em um cilindro.
Na parte externa desse sistema havia um recipiente com água salgada, que congela mais rápido do que a água natural. Ao se movimentar, o pistão comprimia e expandia de maneira alternada o vapor de água que captava calor do meio externo (recipiente de água e sal) que, então, passava do estado líquido para o gasoso. No momento em que a água com sal não possuía mais calor para ceder ao gás, os dois se resfriavam e com isso o médico conseguiu inventar a “máquina de fazer gelo”.

Barreiras
Empolgado com seu invento, o próximo passo do médico americano foi procurar banqueiros para conseguir dinheiro a fim de produzir o equipamento em escala comercial. “Uma tonelada de gelo poderá ser feita em qualquer lugar da Terra por apenas 2 dólares”, dizia ele aos possíveis investidores.Mas apesar do argumento de grande relevância, já que um quilo de gelo dos lagos gelados na época custava 2,75 dólares, Gorrie não conseguiu convencer os investidores. Diante disso, continuou a praticar a Medicina e acabou morrendo em 1885, sem a chance de ver sua invenção ser produzida e escala comercial.


Crise de abastecimento

 

A previsão de Gorrie começou a se concretizar somente no ano de 1879, quando a Inglaterra enfrentou uma grave crise de abastecimento. Naquele momento o método de resfriamento criado por ele foi a saída encontrada para que milhares de toneladas de carne, transportadas por navios, chegassem em bom estado de conservação para servir de alimento aos ingleses. A partir desse momento, o “gelo artificial” passou a ser conhecido em toda a Europa e fez com que o engenheiro alemão Carl Von Linde desse continuidade ao projeto do médico americano.


Nova Tecnologia

 

Depois de interessar-se pelo invento, Von Linde substituiu o vapor de água utilizado no projeto de Gorrie por amônia. Após a adaptação, iniciou o processo de comercialização dos aparelhos e, em 1891 conseguiu vender 12 mil deles. A partir de então, a “máquina de fazer gelo”, cuja patente é atribuída a John Gorrie, começou a se tornar indispensável na maioria dos lares.
 Ao longo do tempo outras adaptações foram feitas em cima do projeto inicial do médico, como a substituição da amônia pelo composto clorofluorcarbono (CFC), que garante o mesmo rendimento e não é tóxico para o ser humano. Além disso, o sistema deixou de ser movido por uma máquina a vapor em detrimento da eletricidade.

 

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