“Respeito o Vanderlan, mas temos bons nomes na base”

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Tribuna do Planalto – Este é o seu primeiro mandato. Como está sendo esta experiência?

Virmondes Cruvinel – Tenho tido uma imensa satisfação com o corpo técnico da Casa, na parte de comunicação, na parte jurídica e na estrutura física do local mesmo. Temos acesso ao Portal da Transparência, a legislação, a tramitação dos projetos, que é informatizada e que são propiciados pela tecnologia da informação. Com isso, a estrutura a nós oferecida se assemelha muito ao do Congresso. Isso nos dá a possibilidade de planejamento. Com isso queremos fortalecer a participação das pessoas no parlamento. Se o projeto vier de regime popular, temos que dar tratamento de regime de urgência.

A tão cobrada transparência hoje na Assembleia já existia na Câmara Municipal. Como o senhor acabou de chegar de lá, dá para fazer um parâmetro entre as duas Casas legislativas?
A gestão do presidente Hélio de Sousa tem focado exatamente na busca pela transparência aqui dentro. E para isso tem se utilizado da tecnologia para a montagem de uma força tarefa na formação de um conselho de ética, do ponto eletrônico e da transparência da participação dos deputados nas comissões, no plenário. Além disso, ainda vejo a necessidade de uma maior discussão em torno da abertura das votações e acabarmos de vez o voto secreto, como ocorre na Câmara Municipal.

Essa eleição trouxe deputados novatos e jovens, sem tanta experiência. De alguma forma isso tem causado algum problema na Casa?
Essa renovação é uma coisa salutar na política. Dá a oportunidade de a pessoa estimular a entrada da juventude na política. Muitos deles já têm certa experiência empresarial, sindical, administrativa, entre outras qualificações. Isso facilita o debate e o acompanhamento da realidade da Casa.

Alguns deputados reclamaram das eleições do ano passado, principalmente do custo, dizendo que foi muito cara. O sr. também sentiu isso?
Existe um grande debate no direito que é essa isonomia na disputa eleitoral, evitando o uso da máquina pública e do abuso eleitoral, mas percebemos que essa realidade ainda continuará existindo até que se aprove por completo a reforma política que organize o financiamento de campanha e que se equilibrem as forças.

O sr. é a favor do financiamento público de campanha?
Sim. Mas com critérios e com mais fiscalização, como em qualquer área pública, como já ocorrem nas licitações, onde há prestação de contas, publicidade dos atos e das contratações, etc. Sem o rigor da fiscalização continuará existindo o Caixa 2.

A disputa pela 2ª vice-presidência entre você e o deputado Lincoln Tejota (PSD) já está superada?
Sim. As disputas são importantes para o fortalecimento e para o amadurecimento do partido. O PSD tem uma bancada expressiva, com cinco deputados, sendo a segunda maior bancada, com perfis regionalizados. O fato está superado. O momento era do Lincoln, por seu tempo de Casa, e eu respeitei isso.

Chegou-se a se falar em dois grupos dentro do PSD: um com o sr. ao lado do Diego Sorgatto e de Lissauer Vieira e outro com Lincoln Tejota e Francisco Júnior. Isso também foi superado?
Está superado de vez. Estamos unidos e essa é a linha que iremos seguir, com cada um ajudando o outro.

Na sua família já teve vereador, deputado estadual e federal, mas não prefeito. O sr. é candidato à prefeitura de Goiânia em 2016?
A vida é feita de desafios. Eu me preparei para ser político e busco sempre manter contato com a sociedade que quer uma gestão mais eficiente. Eu tenho defendido isso no PSD. Não o nome Virmondes, mas que o PSD seja ousado. Ele não pode ser coadjuvante em um novo projeto para Goiânia. Confesso que seria um desafio e vou me preparar para isso. Se tiver a oportunidade não fugirei dessa boa disputa.

Como seria o afunilamento dentro do partido, já que além do sr., os deputados Francisco Júnior e Lincoln Tejota também colocaram seus nomes para a disputa?
Da forma mais democrática possível. Eu defendo que mais partidos busquem ter candidaturas. Não podemos aceitar que um nome que venha de fora seja colocado como candidato de última hora. E é essa a postulação do Vanderlan Cardoso. Eu tenho colocado, em relação a isso, que PSDB, PTB, PSD têm nomes fortes e estão há muito tempo juntos do governo. Respeito o Vanderlan, mas temos bons nomes na base.

Quem entra no grupo, tem que trabalhar pelo grupo para ser candidato. É mais ou menos isso?
Tem que trabalhar pelo grupo antes de ser candidato. É a tese que temos defendido. Pedi ao Henrique Arantes para ver a possibilidade de PSD e PTB caminharem juntos aqui na capital. Vamos amadurecer essa ideia. Até brinquei com ele que dessa vez o PSD pode ser o cabeça da chapa (risos). Mas temos bons parceiros no PSDB também. A base aliada precisa ter duas candidaturas em Goiânia.

O sr. compartilha com a ideia do secretário Vilmar Rocha de que a base aliada, sem Marconi para uni-la, tende a se espalhar nos próximos anos?
O governador Marconi tem sempre estimulado o surgimento de novas lideranças. Ele mesmo, em encontros que temos, vem dizendo que o tempo dele já está passando e enxerga que novos nomes têm que surgir para que não fique apenas em torno do nome dele.

Membros do PSDB, quando falam sobre eleições do ano que vem, dizem que o momento é deles, pois não lançam nomes desde o início do século. Isso atrapalha o diálogo dentro do grupo?
De forma alguma. Esse é o momento de cada partido defender seu nome. Eu defendo isso também. Caso não tenhamos um nome de consenso, que ao menos tenhamos duas candidaturas. O cidadão goianiense quer isso.

O sr. defende que os nomes sejam definidos em qual momento? Antes ou até as convenções?
Legalmente a data limite é das convenções.

Mas não pode ser um tanto quanto demorado caso a definição ocorra apenas nas convenções?
Política é igual nuvem. Muda a cada momento. Acredito que consolidando o trabalho de base, com um candidato que venha das bases e não da cúpula. Creio que o momento é de discussão e de apresentação de um plano de governo até as convenções.

Qual o maior problema da gestão do prefeito Paulo Garcia para o sr.?
São dois: distanciamento do diálogo com a base e a sociedade e gestão. O fim dos mutirões, que aproximavam o governo da população, é um dos exemplos dessa distância. O prefeito apresentou um plano de gestão baseada na premissa de um governo descentralizado, mas não pensou nisso diretamente, com a implantação de subprefeituras, por exemplo. Isso distanciou ainda mais a prefeitura da população. A questão da gestão é da falta de capacidade em dar respostas às demandas e aos problemas. Ele só faz a reforma administrativa agora, sendo que poderia ter feito antes. O PT decepcionou até aliados antigos como o PMDB.

O nome de Iris Rezende é um nome que assusta os pré-candidatos como o sr.?
É um nome que tem um peso histórico em Goiás, mas que como adversário, conhecemos os defeitos. Para mim, o projeto tem que ser de novidade e não ficar com a repetição. E nisso o PMDB erra ao não abrir possibilidades para que novos nomes apareçam.

Essa crítica feita a Iris não pode ser feita ao governador Marconi Perillo, que está em seu quarto mandato?
Mas nesse contexto que vivemos, ele tem incentivado novas candidaturas, inclusive de partidos aliados. Essa é a diferença. Um dos defeitos de Iris é de não abrir para que novos nomes entrem na disputa. O PMDB tem o Daniel Vilela, o Agenor Mariano, o Bruno Peixoto, que faz um trabalho muito interessante em Goiânia, mas que não encontram espaço.

Goiânia tem muitas obras do governo estadual que não terminaram, como o Hugo 2, o VLT que sequer começou, entre outras. Como o parlamento acompanha isso?
Essa ação de fiscalização é uma responsabilidade da Assembleia. E eu, por ter sido o segundo deputado mais bem votado da base aliada em Goiânia, tenho a responsabilidade de acompanhamento das obras. E o tenho feito. Temos visitado o presidente da Agetop ao lado de lideranças comunitárias, querendo saber dos prazos, etc. Há uma grande quantidade de obras sendo feitas e a questão dos prazos realmente pode atrasar. Mas por outro lado ficamos felizes, pois demonstra que o governo vem trabalhando com obras na capital. Com relação ao VLT, eu sou um defensor do projeto. Defendo o VLT, mas ouvindo as pessoas e com estudo de impacto de vizinhança.

Nessa questão o governo se afobou um pouquinho em relação a essas obras?
Nós sabemos que essa é uma questão burocrática. Elas são naturais, não são de um dia para o outro. Agora, desde que seja feita com total legalidade, eu não me preocupo.

Como o sr. acompanhou a questão da inconstitucionalidade do Simve votada pelo STF?
Na verdade esse debate sobre segurança é um tema que preocupa a população e talvez foi essa a alternativa que o governo. Infelizmente teve essa decisão do STF. Agora é se adequar. Em breve uma solução será trazida.

A questão da presidência metropolitana do PSD. Como ficou?
Abril é o prazo final de definições de diretórios no âmbito estadual. Hoje está com comissões provisórias. Para mim, é uma tarefa muito importante ser presidente do diretório de uma cidade, pois é do cargo a responsabilidade de montagem de uma chapa forte de vereador. Não da para brincar com isso uma vez que podemos não ter coligações.

Tinha um acordo de que o deputado mais votado indicaria o presidente na capital. Isso continua?
É. A tese que tem sido levantada no partido é que os deputados mais bem votados possa ter essa definição. Aqui em Goiânia eu fui o mais bem votado. Mas, de forma bem democrática, eu estou procurando agora ouvir todos os deputados para definir qual será o caminho do diretório.

O presidente Vilmar Rocha (PSD) é o principal nome do partido para futuros vôos estaduais?
Com certeza. Eu também o cito como podendo ser uma opção para Goiânia. Não podemos descartar isso. Mas ele acredita num projeto mais no âmbito estadual e nós vamos trabalhar qualquer que seja a sua bandeira.

Seu pai é conselheiro do TCM e deve se aposentar nos próximos meses e, para sua vaga, o deputado Cláudio Meirelles (PR) defende que quem deve ocupar é um deputado estadual com mandato. O sr. concorda com isso?
A legislação fala que a vaga deve ser definida pela Assembleia. Esse nome tem que ser de uma pessoa capacitada, que tenha essa experiência, que cumpra os requisitos que inclusive a constituição estabeleça, mas que tenha essa indicação pela Assembleia. Agora se é deputado com mandato ou não aí que vai definir são os 41 deputados.

 

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