Parto na rede privada ou pública?

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Na hora de escolher o atendimento ideal, vale a pena pesar o tipo de serviço a que a parturiente deseja ter acesso. Os dados do Ministério da Saúde revelam que a possibilidade de um desfecho satisfatório para as gestantes que optam pela via de nascimento normal é bem maior pelo SUS. De acordo com Jony Rodrigues Barbosa, o problema na rede privada é que os hospitais não tem estrutura para fazer o acompanhamento do trabalho de parto.

“A paciente faz um pré-natal com um médico, e ele fica obrigado a fazer o parto, porque ele não tem para onde enviar. A opção é fazer a cesárea em 40 minutos, por conveniência própria”, afirma Barbosa. Na opinião do médico, ao longo dos anos as mulheres assimilaram a cultura do mais rápido e mais prático. “Não que isso seja melhor para a mulher. Inclusive compromete uma futura gravidez”, diz.

Nem todas mamães optam pelo serviço público, como é o caso de Sara Reblin. Apesar de optar pelo parto normal, a servidora pública encontrou o amparo que buscava na rede privada. “O meu atendimento foi no serviço privado, pelo plano de saúde. Foi a minha opção, mesmo sabendo que hoje nós temos duas maternidades do SUS de referência em Goiânia, eu optei por estar na rede privada”, conta.

Lorrainny Kardech foi mais radical. A opção pelo atendimento privado era uma prerrogativa para ela que, desde o início e até o último momento, preferiu o procedimento cesáreo. “Como eu tinha plano de saúde optei pelo atendimento da rede privada. Mas, mesmo que não tivesse o convênio médico, eu optaria por pagar meu parto. Isso porque eu queria a todo custo que fosse uma cesárea”, argumenta a estudante.

Para Lariza Zanini, no entanto, a opção pelo serviço privado não foi a primeira. “No início eu pensei em utilizar o atendimento do setor público. Porque tinha ouvido falar muito bem da maternidade Dona Iris, que é um centro de referência para parto normal”. Na opinião da professora universitária, a diferenciação começa na equipe. “As enfermeiras, doulas e médicos que trabalham lá são pessoas que tem outro tipo de propósito, que não ganhar dinheiro”, fala.

A ideia era fazer o pré-natal todo pelo convênio médico e deixar somente o parto para o SUS. “Meu marido achou um absurdo, porque a gente tem convênio médico e ir para o SUS? Então, acabou que desisti dessa ideia, porque ele não queria de jeito nenhum. E como que eu ia sem o apoio do meu marido?”. Hoje, no entanto, Lariza conta que o parceiro já pensa diferente. “Agora, ele já pensa como eu. O próximo não terei no setor privado, com certeza”, assegura.

Referência

Em Goiânia, a Maternidade Nascer Cidadão e o Hospital e Maternidade Dona Iris (HDMI) foram criadas com objetivo de oferecer atendimento humanizado e de referência. Dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que o número de partos normais nas entidades é alto e crescente. Jony Rodrigues Barbosa conta que 60% dos partos realizados na maternidade são por via normal. “Aqui é uma maternidade pública, então o atendimento é aberto a todos. Quando a gestante está sentindo mal, ela vem e consulta e é atendida por um médico que faz a avaliação. Ela é internada e vai ser acompanhada até o bebê nascer”, explica.

De acordo com Barbosa, não há uma orientação para que sejam realizados parto normais. Somente em casos necessários há a realização da cesária. “Se ao longo do trabalho de parto for constatada a necessidade de uma intervenção cirúrgica para salvar a vida da mãe e do bebê, então partimos para a cesárea”, elucida.

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