“Vice de Iris é mais complicada, mas nada é indigno”

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Tribuna do Planalto – A senhora realizou uma audiência pública na Assembleia sobre segurança pública, que contou com a presença do secretário Joaquim Mesquita. O que achou da audiência?

Adriana Accorsi – Foi uma audiência excelente e que teve participações importantes. As autoridades têm que estar presentes para ouvir a população e isso ocorreu. E justamente por isso foi muito bom. Nós tivemos a presença do secretário Joaquim Mesquita, com a qual eu já contava, pois ele havia se comprometido comigo, bem como também várias autoridades de todos os órgãos de segurança e também populares que se fizeram presentes e que puderam colocar suas opiniões. A meu ver a audiência se referia também de forma especial à questão do policiamento preventivo considerando a decisão do STF acerca da inconstitucionalidade do Simve. Foi uma discussão excelente, da qual tiraremos muitas decisões.

Falando no Simve, o serviço foi considerado inconstitucional pelo STF, como a sra. bem disse. Qual será a melhor forma para substituir os soldados que saíram das ruas?

Bom, sem desmerecer os trabalhadores do Simve, os quais considero colegas e pais de família, sempre entendemos que essa saída teria problemas. O servidor, em especial aquele que tem poder de polícia, tem que ser concursado. É uma responsabilidade grande, que trata da vida das pessoas. Deve ser um cargo conseguido via concurso. Mas sem tirar a importância que estes trabalhadores tiveram, quando conseguiram servir o governo de Goiás e sustentar suas famílias que aqui também vivem. Mas uma vez decretada sua inconstitucionalidade, eu acho que cabe a nós autoridades, em especial o governo de Goiás, que respeitemos e cumpramos a decisão e que agora passemos a alternativas. Temos um déficit de policiais militares e civis que faz diferença no dia a dia e no cumprimento de seus deveres.

De quanto é esse déficit hoje?

Para você ter uma ideia, deveríamos ter em torno de dez mil policiais civis e temos apenas três mil. Uma de nossas propostas é o planejamento em longo prazo de concursos concatenados para que cheguemos um dia a essa quantidade que traria mais dignidade para o trabalhador da segurança. Então, temos a opção dos concursos públicos e também requisitamos o concurso para todas as polícias e os Bombeiros. Além disso, temos aprovados no último concurso público da Polícia Militar e que podem ser chamados, pois a justiça de Goiás os considera aptos para isso.

Faltou planejamento nestes últimos vinte anos acerca da segurança pública por parte do governo?

Acredito que de uma forma geral – e eu tenho colocado isso como trabalhadora da área – que em todo o País a questão da segurança pública sempre foi relegada não a um segundo plano, mas a décimo plano e não é diferente em Goiás. E, além de não ser assunto prioritário entre os gestores, também não tem recebido os recursos que necessita. Com isso vemos resultados dessa conduta. A segurança tem que ser planejada a curto, médio e longo prazo, pois é uma questão de vida ou morte das pessoas. Não podemos pensar em soluções paliativas, mas com resultados. E não resultados de um mandato, mas sim de continuidade, para que deem resultado.

O policial civil hoje está motivado para trabalhar?

De forma alguma. Temos vários elementos que contribuem para que o policial civil, esse servidor da polícia judiciária, esteja frustrado e desmotivado para o trabalho. O salário do policial civil hoje não é o digno, principalmente para o agente e para o escrivão e temos condições de trabalho indignas, não somente para o trabalho dos policiais, mas também para receber aquele cidadão que chega, muitas vezes, no pior momento de sua vida para registrar uma ocorrência e merece ser atendido com dignidade. Há também a questão do tratamento diferenciado na produtividade entre delegado e escrivão, por exemplo, que eu não concordei. O tratamento deve ser igualitário.

A sra. teve a maior votação de uma deputada ou de um deputado na história do PT, com mais de 40 mil votos. Como vê isso?

Foi uma alegria muito grande. Não esperava isso. Acredito que foi uma junção de vários elementos, como o reconhecimento do trabalho como policial civil nesses 15 anos e também ao trabalho de meu pai, o ex-prefeito Darci Accorsi, que foi um político que perdemos recentemente, mas que atuou com muito amor por Goiás, onde foi muito feliz com sua família ao vir do Rio Grande do Sul. Vejo que também houve a questão da segurança, que preocupa as pessoas. Minha votação tem um pouco desse pedido de socorro da população. É uma grande missão que recebi de Goiás.

Muitos deputados reclamaram do alto custo das últimas eleições. Esta foi a sua primeira eleição. A sra. notou esse encarecimento?

Como você disse, foi minha primeira campanha. Não tenho como comparar, pois foi extremante simples. Dentre os eleitos, a minha campanha foi a mais barata e a mais humilde, certamente. Gastei quase somente com material gráfico. A grande maioria das pessoas que trabalharam comigo foram voluntários. Por isso não posso afirmar que a campanha foi muito cara, pois eu gastei muito pouco. Mas eu sou a favor de que nas próximas eleições diminua-se o gasto com campanhas, para que mais pessoas tenham a possibilidade de se candidatarem e que as campanhas sejam mais humildes. Talvez com a reforma política consigamos isso.

Nesse ponto a sra. apoiariam o financiamento público de campanha?

Sim. Eu sou a favor da reforma política. Acredito que nós temos que mudar o processo político, tanto para mudar o acesso dos mais humildes e das mulheres, mas também para trazer mais honestidade e transparência ao processo.

 

Essa entrada da sra. na política é uma entrada sem volta? Já pensa em novos passos como, por exemplo, uma candidatura à prefeitura de Goiânia, que já é comentada dentro do PT?

Olha, para mim é uma honra muito grande ser candidata do PT, já que meu pai foi prefeito de Goiânia. Mas hoje estou focada em realizar um bom mandato, participativo, que realmente faça alguma diferença para as pessoas. Não estou pensando nisso.

 

Mas se a senhora for chamada pelo partido a senhora aceitaria?

Eu acho que nós temos que discutir melhor. Eu acho que o meu partido tem outros nomes bons também, assim como acho que o meu também seria um bom nome. Mas eu realmente acredito que nós devamos discutir isso no ano que vem. Se meu partido precisar de mim eu estarei contribuindo.

 

O presidente do PT, Ceser Donisete, disse recentemente que há um desejo do PT nacional de que as candidaturas do partido fossem definidas neste ano. Já o PMDB disse que poderia definir seu candidato em março do ano que vem. O PT pode esperara vai definir antes?

Seria excelente se nós conseguíssemos resolver antes, mas nem sempre isso é possível. As políticas de alianças também devem ser buscadas. Como não depende somente de nós, fica difícil colocar.

 

A sra. aceitaria ser vice de Iris Rezende, caso ele venha a ser candidato do PMDB?

Eu acredito que eu tenho que discutir isso internamente com o partido, ouvir também àqueles que me apoiaram. Vejo a vice de Iris um pouco mais complicada, mas entendo que nada é indigno em se tratando de uma discussão democrática. Não é demérito algum, porém vai depender da discussão do meu partido.

 

O caminho PT com PMDB é um caminho natural deputada, essa aliança continuar para 2016?

Olha, cada eleição é uma história diferente. O país muda, a cidade, o Estado modifica, mas creio que nós temos que buscar a mesma aliança que nos levou a vitória na última eleição municipal não só com o PMDB, mas também com vários outros partidos. E se for possível ampliar ainda mais.

 

Mas uma candidatura própria hoje seria prioridade do partido?

Eu vejo que a prioridade neste momento é buscar a política de alianças, mas eu vejo que nós temos bons nomes e buscar condições de lançar candidatura própria também.

 

O prefeito Paulo Garcia conseguirá retomar a agenda positiva em seu mandato?

Acredito que sim. O prefeito e os secretários têm se empenhado nesse sentido. A crise financeira é comum aos três patamares do poder e é natural que nós tenhamos dificuldades. Acho que o esforço está sendo feito e como deputada farei o esforço para que a nossa cidade tenha uma melhor administração, não visando eleições, mas o bem estar do povo de Goiânia.

 

Por que as dificuldades ocorreram na gestão do prefeito Paulo Garcia?

Foi todo um contexto de problemas que foram ocorrendo, talvez de outros mandatos, mas a maior dificuldade foi, principalmente, a questão financeira da cidade.

 

Esta é uma legislatura com vários deputados novatos. Esse número de novatos pode causar algum problema na condução dos trabalhos da casa?

Não. De forma alguma. Acho que a população desejava uma renovação até em razão de problemas que aconteceram nos últimos anos relacionados a falta de credibilidade dos políticos. A renovação é interessante.

 

A sra. tem um trabalho reconhecido com relação aos menores de idade. Como observa essa discussão sobre a redução da maioridade penal?

A minha maior missão até hoje foi presidir os trabalhos da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. Hoje o Estado tem uma dívida muito grande com as crianças, principalmente crianças e jovens humildes. Estamos vivendo um caso muito grave de extermínio da juventude humilde e negra. Nós precisamos encontrar formas de prevenir o envolvimento da juventude com a criminalidade. Não vamos pensar em encarcerar, mas sim em incluir.

 

No geral, como avalia o governo até o momento?

O governador Marconi conseguiu uma recuperação política muito grande. Há muita coisa sendo feita, mas acredito que tem que fazer muito mais. O investimento nas áreas prioritárias deve ser mais planejado e mais aprofundado, não só em épocas de eleições como aconteceu no mandato passado. Acho que deve priorizar investimentos em áreas que são questão de vida ou morte da população e talvez menos algumas áreas como a publicidade, nada contra. Acho que o governo tem que mostrar o que ele está fazendo, mas que não seja uma prioridade.

 

Em relação aos protestos que ocorreram em 15 de março e 12 de abril, a sra. os vê como vontade da maioria da população ou só de um segmento?

Setores insatisfeitos com a reeleição da presidente Dilma capitalizaram o sentimento de insatisfação com a corrupção em geral. Devemos respeitar a democracia e deixar que a presidente governar. Por outro, todas as autoridades devem ouvir o povo. Nós temos que combater com muito rigor a corrupção. A corrupção tem que ser banida da nossa política e de todos os setores públicos.

 

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