O risco de Vanderlan na base aliada

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Ao que tudo indica, a base do governador Marconi Perillo (PSDB) será mesmo o destino do empresário Vanderlan Cardoso (PSB). O socialista está a procura de um grupo forte que lhe dê sustentação a uma candidatura à prefeitura de Goiânia e vê na força do grupo marconista a sua única saída, uma vez que o ex-governador Iris Rezende (PMDB) é forte pré-candidato pela oposição estadual. Tal movimentação de Vanderlan, porém, é perigosa, principalmente em relação ao perfil de seu eleitorado na capital e no Estado.

O empresário Vanderlan Cardoso iniciou sua trajetória na política em 2003 quando se filiou ao PL (que mais tarde virou o atual PR) e se lançou como candidato à prefeitura de Senador Canedo, cidade onde está instalada a matriz de suas empresas. Na oportunidade, Vanderlan foi estimulado, principalmente, pelo ex-deputado federal Sandro Mabel (hoje no PMDB), que havia saído há pouco tempo do DEM para assumir o PL em Goiás.

Em uma chapa de quatro partidos (PL-PPS-PDT-PHS), Vanderlan conseguiu se apresentar como o novo naquela eleição. Superou os candidatos Alsueres Mariano – então no PSDB e representando, à época, o grupo do ex-prefeito Divino Lemes – e José Nelto (PMDB), atual deputado estadual. Venceu e entrou de vez na política partidária.

À época, o PL de Mabel e Cardoso fazia parte da base do governador Marconi Perillo e apoiava fortemente o governo estadual. O partido só começaria a se afastar de Perillo no segundo semestre de 2005, após a acusação da então deputada federal Raquel Teixeira (então no PSDB) a Sandro Mabel. Teixeira disse que Mabel havia lhe oferecido R$ 1 milhão para trocar o PSDB pelo PL. O liberal, por sua vez, negou. O caso foi pro Conselho de Ética da Casa e a cassação de Sandro Mabel chegou a ser votada em Plenário. Sandro foi absolvido pelo placar de 340 votos a 108.

Apesar de fazer parte da base marconista, Vanderlan não foi um implacável defensor do tucano enquanto foi prefeito de Senador Canedo (de 2005 a 2008 e, após ser reeleito, de 2009 a 2010). Por algumas vezes, chegou até mesmo fazer críticas sobre a relação do Estado com os municípios. Era visto como alguém mais técnico do que político. A administração muito bem avaliada, porém, lhe deu visibilidade além do município e o destacou nas articulações partidárias.

O PL se aproximou novamente ao Palácio das Esmeraldas após a reeleição de Alcides Rodrigues (então no PP) em 2006. Com a saída de Marconi do governo, Mabel voltou a dialogar com os governistas e, até mesmo, costurou uma boa posição para seu partido na chapa majoritária da base aliada – o PL indicou o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Ademir Menezes para a vice de Alcides.

Com o distanciamento de Alcides e Marconi no decorrer do governo pepista, Mabel e o PR (novo nome do PL após as eleições de 2006) seguiram o primeiro em detrimento do segundo. Em 2010, o nome de Vanderlan apareceu como uma alternativa ao grupo de Alcides Rodrigues para o governo do Estado. O objetivo era ter um projeto próprio e alternativo a Marconi Perillo, que tentaria o governo pela terceira vez. Cardoso topou o projeto em abril daquele ano, renunciando à prefeitura de Senador Canedo. Assumiu o discurso da chamada ‘Terceira Via’, em oposição ao PSDB de Marconi e ao PMDB de Iris Rezende.

As brigas acumuladas no governo entre alcidistas e marconista e o fato de o tucano ter despontado nas pesquisas fez, porém, com que Vanderlan apontasse a sua artilharia majoritariamente para Marconi. Em um debate promovido pelo jornal O Popular, Vanderlan criticou tanto o então senador que conseguiu tirá-lo do sério. Marconi invadiu a fala do republicano repetindo a frase “Isso é mentira!”, após estocadas do então republicano.

A posição de Vanderlan no segundo turno das eleições apenas confirmou o maior acirramento em relação a Marconi Perillo. Depois de conquistar mais de 500 mil votos em todo Estado, Vanderlan Cardoso anunciou apoio a Iris Rezende e esteve do lado do peemedebista durante as três semanas da segunda etapa das eleições. O republicano ajudou Iris a diminuir a diferença em relação ao tucano, mas o apoio dele e do então governador Alcides Rodrigues não foi o bastante para derrotar Perillo.

A aliança com o PMDB, contudo, prosperou. Em meados de 2011, o empresário se filiou ao partido com o apoio irrestrito de Iris Rezende. Valorizado após a campanha estadual, Vanderlan chegou ao PMDB como o pré-candidato ao governo, três anos antes das próximas eleições. Cardoso foi para o interior, reaglutinou diretórios, realizou encontros, mas… Em junho de 2012, o empresário pegou todos de surpresa ao anunciar a sua saída do partido. Pesou, dentre outras coisas, o compromisso de Vanderlan a alguns candidatos no interior que se chocavam com outras candidaturas peemedebistas. Nos bastidores, comentou-se que o empresário esperava também assumir o comando do diretório regional, o que não ocorreu.

Sem sigla, Vanderlan esperou quase um ano para conseguir espaço em outra agremiação. Com a saída do empresário Júnior do Friboi do PSB para o PMDB, Cardoso articulou o comando do partido socialista em Goiás, onde se filiou em maio de 2013. Novamente representando uma ‘Terceira Via’ – mas agora sem o apoio do governador -, Vanderlan se lançou a outra candidatura ao governo. Desta vez o projeto foi mais enxuto, compondo uma coligação com apenas três partidos (além do PSB, o PSC e o PRP).

Na eleição de 2014, Vanderlan Cardoso se posicionou, novamente, na oposição a Marconi Perillo. Liderou as críticas contra o governo tucano juntamente com os candidatos Iris Rezende (PMDB) e Antônio Gomide (PT). Ou seja, se a partir de 2010 o empresário não se firmou em um único partido, a sua posição contrária a Marconi foi constante. Apesar de passar por PR, PMDB e PSB, nunca deixou de criticar a gestão de Perillo e se manteve na oposição estadual.

Tanto que, em pesquisa realizada pelo Instituto Grupom no início de 2014, os números mostraram que 55% das pessoas que disseram que votariam em Vanderlan tinham como segunda opção um candidato de oposição ao governo Marconi Perillo. Por outro lado, apenas cerca de 11% do eleitorado do empresário escolheria um nome governista como alternativa.

A história de Cardoso e os números mostram um aspecto que deve ser levado em consideração por Vanderlan no processo de migração para a base aliada de Marconi Perillo. A movimentação do empresário pode desagradar o seu eleitor, que em sua maioria tem perfil oposicionista. Ademais, o eleitorado de Goiânia tem resistência em votar no candidato do governo estadual. Maior prova disso é que Marconi Perillo nunca elegeu o prefeito da capital, assim como o PMDB também colecionou derrotas nos anos 90, na época que ocupava o Palácio das Esmeraldas. Ou seja, se com a ida para base Vanderlan busca maior densidade em seu projeto eleitoral, pode acabar perdendo aquilo que construiu até agora. Eis o risco.

 

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