Sem vida fácil na base

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O ex-prefeito de Se­nador Canedo Van­derlan Cardoso (PSB), que está com um pé e meio dentro da base aliada do governo estadual, não encontrará facilidades para se lançar candidato à prefeitura de Goiânia no ano que vem. A constatação foi feita pela reportagem da Tribuna que ouviu boa parte dos possíveis pré-candidatos e lideranças de partidos que compõem a base governista em Goiás.

De fato, há uma forte aproximação do empresário com a cúpula governista. Vanderlan almoçou duas vezes com o vice-governador José Eliton (PP) na semana retrasada. Os encontros com o pepista abriram caminho para que ele chegasse ao governador. Assim, o empresário também jantou com o governador Marconi Perillo (PSDB) na última segunda-feira, 13, em uma casa de um amigo de ambos.

Segundo fontes governistas, outro jantar também ocorreu na última quarta-feira, 15, desta feita no Palácio das Esmeraldas. Este segundo jantar, inclusive, não teve testemunhas, ou seja, governador e empresário conversaram de forma privada.
A forte aproximação entre o empresário, o governador e o vice-governador, preocupou e incomodou os possíveis pré-candidatos da base à prefeitura da capital, já que Vanderlan admitiu disputar a prefeitura de Goiânia em 2016. Entre eles há a noção de que ele é um forte reforço para a aliança governista, mas também há a constatação de que o empresário, mes­mo com essa movimentação, não tem sua candidatura à prefeitura de Goiânia garantida.
Os mais prováveis concorrentes de Vanderlan Cardoso estão dentro do PSDB e PSD. No PSD, comandado por Vilmar Rocha, aliado de primeira hora de Perillo, são três os nomes que tentam se viabilizar desde agora: os deputados estaduais Francisco Junior, Lincoln Tejota e Virmondes Cruvinel.
No PSDB, legenda que não está disposta a abrir mão de lançar candidatura pelo partido, três nomes se apresentaram. A sigla capitaneada pelo governador do Estado tem até aqui o presidente da Agetop, Jayme Rincón, o deputado federal Fábio Sousa e o deputado federal Waldir Soares impulsionado pela bandeira da segurança e com sua votação história na última eleição.

Janelas ocupadas
Um dos potenciais candidatos dentro do próprio PSDB é Fábio Sousa. O ex-líder do governo na Assembleia e hoje um dos principais deputados federais da bancada goiana em Brasília tem dito que seu nome está à disposição do partido. Fábio diz que a base está de portas abertas para Vanderlan, mas afirmou que a lideranças deve vir para somar ao quadro já existente.
Sobre as composições e conversas para a sucessão municipal de 2016, Fábio Sousa foi claro em seu posicionamento. “Vanderlan entrou no ônibus agora e ele já está andando há muito tempo. É bem vindo, mas as janelas estão ocupadas”, disse. Entretanto, fez questão de ressaltar que é admirador do trabalho de Vanderlan e que não tem nada contra o empresário.
Outro que disse que Vanderlan não chegaria com a garantia de candidatura pela base foi o secretário-geral do PSDB em Goiás e secretário de Estado de Articulação Política, Sérgio Cardoso. Para ele o PSDB tem bons nomes para a disputa. “Não chega com candidatura garantida. Tem que trabalhar pela base antes. Além disso, temos bons nomes, co­mo Jayme Rincón, Fábio Sousa e Delegado Waldir”, avalia.
O presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus, corroborou com a opinião de seus colegas tucanos. “Vanderlan não vem para ser candidato. Ninguém vem com lugar pré-determinado. Ele mostrou que tem potencial eleitoral, mas tem que ter ideias”, ressalta o presidente que diz: “não existe só ele de candidato”.
Mais incisivo em seu discurso, o deputado Fábio Sousa deixa exposta sua visão sobre uma imaginada candidatura de Vanderlan para prefeitura no ano que vem. Segundo ele, há muito tempo existem diversos nomes dentro da base e que a escolha de Vanderlan seria um desprezo a estes aliados. “Um candidatura de Vanderlan ano que vem seria impossível. Pode até ter uma decisão, mas eu não apoio”, revela.
Fábio Sousa acentua que reconhece o trabalho do empresário, do político e o respeita assim com respeita a todos, mas acredita que isso não vai acontecer. Sendo Iris Rezende (PMDB) o candidato da atual situação mais certo até aqui, Paulo de Jesus acredita que a base conta com nomes fortes. “A base inteira tem vários nomes, PSDB tem vários. Iris não é imbatível”, pontua.
Procurado pela reportagem, o presidente da Agetop, Jayme Rincón, respondeu, via assessoria, que não comentaria mais sobre sua possível candidatura pelo PSDB em 2016. Mas fontes ligadas a ele, disseram que a chegada de Vanderlan tem incomodado muito o tucano, pois representaria uma real ameaça a sua postulação.

PSD
Agremiação com forte representação dentro da Assembleia, a ala do Partido Social Democrático conta com cinco deputados. Dentro da Casa, ficam atrás apenas do PSDB. Desses cinco deputados, três com domicilio eleitoral na região metropolitana já disseram estar dispostos a serem candidatos a prefeito da capital no ano que vem.
Um desses nomes é o do deputado estadual Lincoln Tejota (PSD). O jovem parlamentar tem se manifestado a favor do desejo de dirigir Goiânia e tem tentado se viabilizar para a disputa. Lincoln vê com bons olhos a aliança, mas é precavido quanto a Cardoso. “O momento é de fortalecimento, de novas alianças, mas o nome de Vanderlan nunca foi testado em Goiânia”, alerta.
Outro postulante a prefeitura de Goiânia no ano que vem, o deputado estadual Francisco Júnior, entretanto, alerta que este não é o momento de querer ser candidato, mas sim o mo­mento de se viabilizar. “To­dos os partidos tem bons no­mes. A dificuldade vai ser para todos se viabilizarem. Inclusive o próprio Vanderlan”, diz.
Francisco faz questão de ressaltar que as conversas que ocorreram entre Vanderlan, Lúcia Vânia e Marconi não tiveram imposição de que Vanderlan já vinha para ser o nome da base. “Acho que não teve negociação no sentido de ele vir para a base para ser candidato”, disse Francisco Junior.
Ao contrário de Francisco Júnior, companheiro de agremiação, Lincoln observa que há, sim, uma costura dentro das conversas entre Vanderlan e a aproximação com a base que o colocariam como possível candidato em 2016. “Eu vejo que existe uma costura que gira em torno desse objetivo. Eu enxergo assim,” afirmou o parlamentar.
Outro declarado concorrente que Vanderlan enfrentaria dentro dos quadros atuais da base aliada é o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PSD). O parlamentar deixou claro em entrevista à Tribuna na última edição que a base já tem nomes importantes. “Não podemos aceitar que um nome que venha de fora seja colocado como candidato de última hora”, disse ele.
Virmondes Cruvinel acompanhou as opinião de Fábio Sousa ao dizer que a base já conta com nomes que estão ha muito tempo aliados ao governo. “Eu tenho colocado, em relação a isso, que PSDB, PTB, PSD têm nomes fortes e estão há muito tempo juntos do governo. Respeito o Vanderlan, mas temos bons nomes na base”, declarou na ocasião.
Reforço
Se por um lado os representantes de PSDB e PSD tendam a vetar a chegada de Vanderlan como candidato da base na disputa pela prefeitura de Goiânia, por outro lado há o sentimento unânime entre todos de que a chegada do empresário, por sua experiência e importância, fortalecerá a base aliada.
O deputado estadual Fran­cis­co Junior (PSD) que foi candidato a vice-prefeito de Jovair Arantes na última eleição municipal, não vê problema na nova conjuntura. “Se o PSB compreender que ele vem para somar não vejo problema”.
Ele valorizou a experiência do novo possível companheiro. “É um bom nome. Dirigiu uma cidade importante. Ele vem so­mar”, comenta. Para ele, começa a ganhar corpo uma situação ensaiada no cenário de se­gundo turno das eleições do a­no passado, quando o PSC, um dos dois aliados do PSB, a­companhou a base do governo.
Para Tejota, a chegada do PSB será importante para a base aliada. “É uma partido a mais. Um partido forte. Vai contribuir”, relatou. Indagado sobre qual nome poderia fazer frente a Iris Rezende Tejota foi claro: “Nós não temos nomes para bater frente a frente com Iris Rezende, nem mesmo Vanderlan”, frisa.
Paulo de Jesus salienta que o partido de Cardoso converge com o PSDB e que por isso há diversos pontos que favorecem a possível união. “O PSB é um partido que está no campo do PSDB. Em termos de ideia estamos juntos a nível nacional e por isso é importante”, diz Paulo de Jesus. Agrada Paulinho o fato de a base ficar mais forte com a nova legenda. “Vejo como importante, agrega mais força”, complementa.
Fábio Sousa também é otimista quando questionado sobre o quanto o PSB pode contribuir com a base governista em caso de alinhamento neste sentido. Para ele, o PSB pode oferecer sugestões e contribuir com projetos. “O partido tem bons quadros. Pode colaboras com ideias e propostas”, reforça. Fábio vê um outro lado positivo na hipotética vinda de Vanderlam. “É sinal que ele vê que o governo está dando cer­to. Está sendo positivo”, avalia.


O que aliados pensam da chegada de Vanderlan Cardoso à base?

“Vanderlan no ônibus agora. É bem vindo, mas as janelas estão ocupadas”
Fábio Sousa (PSDB)


“A dificuldade vai ser para todos os partidos se viabi­lizarem. Inclusive o próprio Vanderlan”
Francisco Júnior (PSD)


“O nome de Vanderlan nunca foi testado em Goiânia”

Lincoln Tejota (PSD)


“Vanderlan não vem para ser candidato. Ninguém vem com lugar pré-determinado”
Paulo de Jesus (PSDB)


“Não chega com candidatura garantida. Tem que trabalhar pela base antes”
Sérgio Cardoso (PSDB)


“Não podemos aceitar que um nome que venha de fora seja colocado como candidato”
Virmondes Cruvinel (PSD)


Na contramão, Elias Vaz defende independência

A chegada de Lúcia Vânia, que contribuiu para a aproximação entre Vanderlan Cardoso e a base aliada, é motivo de conflito de opiniões entre os dois únicos vereadores do PSB em Goiânia: Elias Vaz e Pedro Azulão Júnior. Como até aqui, a senadora não disse que irá sair da base governista, é elementar que o PSB entrará na base aliada com sua presença.
E é exatamente isso que vem incomodado o vereador Elias Vaz, que fez questão de ressaltar que o partido continuará sua postura independente. Segundo ele, o fato de o PSB não ter representantes na Assembleia e na Câmara dos deputados fortalecem o argumento. “Não existe o discurso de base. O PSB é um partido independente”, observa.
Elias ressaltou que apesar do nome de destaque no cenário político nacional, Vânia não vem para comandar o partido. “A Lúcia não tem o perfil de comandar o partido”, afirma. Já Pedro Azulinho acredita que a senadora possa ocupar o papel, entretanto, a questão é ajudar o partido. “É uma senadora com currículo limpo. Tem que ajudar o partido no crescimento”, disse.
Pedro Azulinho acredita que a vinda de Lúcia Vânia fortalece a legenda e que o fato da senadora vir para o PSB aumenta a empolgação do partido no sentido de conquistar êxito em 2016. “O PSB vai ter candidato em 2016 e o principal é o Vanderlan. O PSB vai garantir que Lúcia consiga se consolidar para o Senado em 2018”, empolga Azulinho.
Com uma extensa vida na política e ocupando agora uma vaga no Senado, Lúcia Vânia deve anunciar em breve que está de casa nova. De berço político, se consumado, esse será o terceiro partido da senadora que já pertenceu o Partido Progressista pelo qual disputou o governo em 1994.


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