Aprendizagem no dia a dia

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Ampliar e diversificar os conhecimentos das crianças são desafios da função do professor. Na educação infantil, em especial, esse processo exige planejamento, organização de espaços e momentos, além da seleção de atividades e materiais. Seja individualmente, em pequenos grupos ou com a participação de todas as crianças da instituição, a promoção de atividades culturalmente significativas mobilizam as crianças e favorecem a aprendizagem.
Os projetos de trabalho são estratégias utilizadas pelos professores da rede municipal, conforme prevê a proposta político-pedagógica da Educação Infantil. “O objetivo é que na condução da atividade haja uma pergunta e uma pesquisa a ser feita sobre um tema, de forma que seja desenvolvida uma postura investigativa junto aos envolvidos”, explica a chefe da Divisão de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (SME), Itatiana Moreira.
Mapeamento de ações, coleta de dados, registro e documentação são etapas do projeto de trabalho que requer a participação de todos. “A criança participa da construção do projeto e do seu planejamento. Aprende a comparar, avaliar e desenvolve também habilidade de trabalhar em grupo”, afirma Moreira.
Um exemplo de atividade nesta linha é o projeto “Arborização no Cmei”, desenvolvido no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Domiciano de Faria, localizado no Residencial Eli Forte. O projeto tem a participação das crianças no cultivo de árvores frutíferas e ornamentais e nasceu da percepção dos profissionais do Cmei, que notaram que os educandos gostam sempre de estar próximo ao pé de jambo, única na instituição até o início do projeto.
“Com o passar do tempo, foi chamando nossa atenção, a postura das crianças tentarem pegar algum fruto, além de gostarem de brincar a sombra da árvore. Depois do diálogo entre equipe, não tivemos dúvidas ao projeto a ser desenvolvido”, lembra a diretora Leda Márcia de Jesus.
De acordo com a professora Priscila Bezerra da Silva, os educandos que participam do projeto são estimulados cotidianamente, por meio de jogos e brincadeiras, a refletirem sobre a importância do meio ambiente.

Integração com o meio ambiente
O contato com a natureza também é fator básico na proposta, pois as crianças manipulam as plantas, terra e água, com o objetivo de ampliar o processo de ensino-aprendizagem. “Todo este processo desenvolvido tem possibilitado às crianças conhecerem novos saberes, e isto com participação efetiva no cuidado com a natureza. Outro ponto importante é que elas percebem mais e mais que a cooperação é algo a ser valorizado”, ressalta Silva.
Todas as turmas participam da atividade. No local, que possui amplo espaço, foram plantadas cerca de 20 mudas para proporcionar sombreamento, ornamentação e composição de pomar. Entre as espécies cultivadas estão mangueiras, goiabeiras, laranjeiras, cajueiros e acácias. As mudas utilizadas são provenientes de doações e aquisição.


Texturas e sabores

A variedade de alimentos e produtos chamativos produzidos pela indústria alimentícia são fatores que dificultam a manutenção de uma alimentação saudável. Com esse mote, no Centro Municipal de Educação Infantil Goiânia Viva, professoras, instigadas pela curiosidade dos educandos, realizam projeto sobre plantas de haste rasteira e proporcionam diferentes sabores e ampliação do cardápio da instituição.
O objetivo é promover a qualidade nutricional com a aceitação de novos alimentos. “O projeto surgiu do interesse dos educandos a respeito de uma batata-doce, daí, observando nossa horta e cientes da necessidade de incentivar a alimentação saudável, partimos para a produção do conhecimento científico: o estudo dos frutos das plantas rasteiras”, explica a professora do agrupamento, Rosângela Cruvinel.
A escolhida para dar início ao trabalho foi a abóbora kabutiá. Segundo a coordenadora, Kênia Cecília Carneiro Vieira, foram planejadas atividades de plantio de sementes, rodas de conversa, ilustração referente ao assunto, apreciação do fruto e degustação. “Diversos questionamentos surgiram e, consequentemente, diversas aprendizagens. Foi trabalhado o jogo da memória e a construção de um texto coletivo. Aqui no Cmei, os conhecimentos científicos são construídos no cotidiano e o resultado é a excelente aceitação do alimento nas preparações das refeições”, avalia.
As educadoras afirmam ainda que o projeto de educação alimentar continuará: “A próxima será a melancia”. A proposta é trabalhada com cerca de 20 alunos com faixa etária de três anos a três anos e 11 meses e avaliada mensalmente por meio de registros diários feitos pelos professores e auxiliares.


Pedagogia da Infância

A opção por trabalhar com os projetos de trabalho busca garantir o pressuposto político-pedagógico que orienta as ações de educação infantil na SME. “Trata-se de um campo de estudos que compreende a criança em sua totalidade, preocupando-se com seus processos de aprendizagem, desenvolvimento e formação humana”, explica Itatiana Moreira, do Departamento Pedagógico da SME.
Segundo a chefe de divisão, o currículo é obtido no dia a dia das instituições. “É construído a partir das relações constituídas entre as crianças, os profissionais, as famílias e a comunidade, respeitando e reafirmando a singularidade, a diversidade e a autonomia desses sujeitos”, afirma.
De modo geral, o trabalho na Educação Infantil da SME se fundamenta na proposta político-pedagógica “Infâncias e Crianças em Cena: por uma política de Educação Infantil para a Rede Municipal de Goiânia”. No entanto, cada instituição elabora anualmente sua proposta com base no documento geral e conforme sua realidade. (Roseneide Ramalho)

 

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