“Espero que Joaquim de Castro seja isento no TCM”

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Tribuna do Planalto – Como o senhor, que é um veterano aqui na Casa, avalia a nova legislatura da Assembleia?

Cláudio Meirelles – Quando você diz veterano, espero que não esteja dizendo que sou velho (risos). É importante para a Casa a renovação. Entrou uma geração nova, de primeiro mandato. É a juventude representada e isso é bom para a Assembleia. A oposição perdeu em quantidade, mas ganhou em qualidade, com a chegada de José Nelto, Adib Elias e Ernesto Roller, do PMDB, e da Delegada Adriana Accorsi, do PT, que defendem a bandeira da segurança. Essa bandeira é muito importante. Veja que o Delegado Waldir foi eleito com recorde de votos para a Câmara Federal. Isso porque Goiânia e Goiás vivem um momento muito preocupante em razão da insegurança.

O PR hoje conta com dois deputados estaduais, mas já chegou a ter quatro em legislaturas passadas. Qual o motivo desta diminuição?

O PR teve um problema de nível nacional, de rivalidade entre o ex-deputado Sandro Mabel e a direção nacional do partido. E houve intervenção em Goiás e ele saiu do PR com sua base, indo para o PMDB. Com isso, entraram pessoas que não tinham mandato no PR e que tinham problemas com a justiça, como o Juquinha das Neves, que teve problemas quando presidiu a Valec. Com isso o partido caiu muito. Ficamos somente o Álvaro e eu.

Como está a relação com a deputada federal Magda Moffato e com o presidente Flávio Canedo, já que o sr. e o deputado Álvaro Guimarães têm mais tempo de partido do que eles?

A deputada Magda foi uma soma muito grande para o partido. Ela conseguiu se reeleger como deputada e foi eleita com mandato. Ela e o Flávio vêm buscando reerguer o partido em Goiás. Tem tudo para fazer crescer o partido, que hoje é médio, para chegar ao tamanho de partidos como PSDB e PMDB em Goiás. Perdemos cadeiras na Assembleia, mas por outro lado voltamos a ter uma cadeira na Câmara Federal. O PR precisa agora se estruturar para as eleições municipais.

Como seria esse processo de estruturação?

Filiar, lançar candidatos a vereador e a prefeito. Não tem segredo. O partido tem que ter representatividade. Dessa forma que os partidos políticos crescem. Hoje temos um novo PR, que defende a questão da segurança pública e do fim da política de desarmamento, que tanto defende a deputada Magda.

A questão da segurança chegou ao seio da Assembleia com o atentado sofrido pelo deputado Paulo Cézar Martins. Como a insegurança chegou a esse nível?

Para você ter uma ideia do atrevimento da bandidagem, o deputado Paulo Cézar fez uma audiência pública, esteve no TJ e na SSP discutindo a alta criminalidade em sua cidade, Quirinópolis. E discutiu também com segmentos locais. Com isso, os bandidos responderam desta forma, com ameaças que foram concretizadas. Quase tiraram a vida do deputado. Ele tem família e fica muito preocupado. O Estado tem que dar uma resposta imediata, não por tentarem tirar a vida de um deputado, mas de qualquer pessoa. Não podemos admitir isso.

O governo tem falhado em relação à segurança?

Não é só um problema de Estado, mas de nível nacional. Esse País tem muita lei. Os processos são muito longos. Precisamos de agilidade nas decisões jurídicas, como ocorre nas pequenas causas. Não adianta falar em cadeia e em prisões. O debate é mais amplo. E faço a pergunta ao leitor da Tribuna: até onde o Estado tem a responsabilidade de garantir a vida de um criminoso? Até onde o Estado tem a responsabilidade de sustentar um criminoso nas cadeias? Nos EUA as coisas se resolvem com a pena de morte e aqui ficamos na hipocrisia de sustentar o criminoso na cadeia. Todos temos medo de morrer. No dia que houver pena de morte, o bandido vai pensar duas vezes. Bandido tem que ir ou para a cadeia ou para o caixão. Não deve ter nenhum direito além desse.

O sr. é advogado e estudioso do Direito. Como observou a inconstitucionalidade do Simve, decidida pelo STF?

Acho que foi um prejuízo grande para o Estado. Fazer concurso público é demorado e custa muito direito. Por um lado temos que obedecer a lei e fazer o concurso público, mas perdemos 2500 policiais das ruas. Hoje o cidadão presta concurso público, passa e relaxa, pois acha que ninguém irá demiti-lo. Tem que mudar isso. Tem que ter concurso sim, mas o cidadão que trabalha pouco, ou mal, tem que ser mandado embora. Temos que acabar com a estabilidade. Ela que faz com que o cidadão não trabalhe, pois acha que é intocável. O fim do Simve foi ruim para a comunidade e para o Estado.

O fim do concurso público, de certa forma, não traria uma desqualificação no serviço prestado pelo poder público?

Não. A maioria dos profissionais que passam em concurso é qualificada. Mas no caso da polícia, ele tem toda uma formação lá dentro. Não defendo acabar com o serviço público. defendo o fim da estabilidade. Defendo que o cidadão que não esteja trabalhando direito seja demitido. Tal qual em uma empresa. O Estado tem que deixar de ser paternalista.

PR tem condições de ter candidato próprio aqui em Goiânia?

O PR ainda não discutiu essa situação, mas tem condições sim de lançar candidatura própria.

Quais seriam os nomes?

Destaco o vereador Felisberto Tavares, que está bem representado em Goiânia. É um vereador de credibilidade. O mês de setembro é a data limite para as novas filiações e o PR tem que buscar. O PR não tem que ir a reboque de qualquer outro partido não. Da mesma forma que o PSDB se sente no direito de lançar candidato, o PR também tem.

O candidato não deve ser obrigatoriamente do PSDB?

Eu acho que não. Eu acho que uma coisa chama-se apoiar o governador Marconi Perillo. Outra coisa é eleição municipal. Evidente que a eleição municipal de Goiânia representa muito. Importante seria que os partidos estivessem unidos, mas não existe aquela obrigação.

Onde o PR tem mais chances de eleger candidatos? Onde está mais bem representado?

Eu acredito que em Caldas Novas a deputada Magda tem uma representatividade muito grande. Eu acredito que Goiânia com essa nova aquisição do vereador Felisberto Tavares o PR tende a crescer muito. Acredito que o PR vai ter bons candidatos em várias cidades do Estado.

Na semana passada o sr. tentou se viabilizar para uma vaga de conselheiro do TCM acabou sendo escolhido pelos deputado o Joaquim de Castro. Ficou alguma mágoa no processo?

Magoa não. Decepção sim. Eu acho que a vaga é da Assembleia e a Assembleia acompanha o governo do Estado. O governado, por força proporcional, já indica quatro nomes e a Assembleia três, mas na prática não é isso que acontece. O deputado Humberto Aidar (PT) mesmo disse: desde a época de Pedro Ludovico Teixeira o governador não só indica os deles como os dos outros. Águas passadas. Vamos para frente.

Jussara é uma das bases eleitorais do sr. também. Houve uma disputa eleitoral lá entre o sr. e o Joaquim?

O ex-deputado Joaquim de Castro é um homem muito guerreiro. Ele ficou com muito rancor quando seu candidato foi derrotado. Nós tivemos uma vitória na cidade que ele foi prefeito e de lá para cá ele, como secretário de Governo, vem perseguindo muito a administração atual e também a mim. Eu já falei isso na Tribuna. Ele me atacou de graça. Ele foi a uma rádio local da cidade fez grandes ofensas a minha pessoa e eu não o perdoei por conta disso. Espero que Joaquim de Castro seja isento no TCM e não prejudique as pessoas. Que Deus toque no coração dele. Ele precisa de muita oração.

O sr. sempre pregou a independência do poder legislativo em Goiás, mas como fazer isso?

Quando eu fui presidente da Câmara eu me tornei um pouco mais independente. Acho que os poderes tem que ser harmônicos.

Mas e aqui dentro como fazer para modificar nas próximas legislaturas?

Eu acho que Assembleia tem que aprender muito ainda. Não se trata de questões pessoais minhas. A gente tem que respeitar as adversidades e as opiniões de todo mundo. A Assembleia tem que ser um pouco mais independente. O legislativo deve ajudar o governo, mas não se agachando tanto.

No geral, a Câmara de Goiânia é mais independente do que a Assembleia?

É. Não é pouco, não. É bem mais. Na Câmara de Goiânia o vereador se manifesta mais no que pensa. Aqui não. Muitos deputados vêm do interior e são muitos presos ainda ao governo.

Como o sr. observa a relação do prefeito Paulo Garcia com a Câmara comandada pelo PSDB?

O maior problema do Paulo não é político. É falta de dinheiro mesmo. O vereador Anselmo Pereira (PSDB) é um político de diálogo. Acho que o Paulo Garcia não terá dificuldade com a presidência da Câmara.

Essa questão do dinheiro também é uma coisa que preocupa o governo estadual?

Eu acredito que a partir de julho tanto o governo do Estado quanto os municípios vão ficar numa situação muito difícil. A secretária da Fazenda vem falando que não tem dinheiro nem sequer para pagar a folha. As dificuldades são inúmeras. Eu reconheço que o governador é um homem muito trabalhador e evidente que ele vai tentar achar alternativas.

No início do ano o sr. alertou sobre os cortes de professores temporários, o que se configurou em um problema para o Estado. Há algum outro alerta acerca da reforma administrativa do Estado?

O grande problema da folha é que a folha é dita como vegetativa, ou seja, é uma folha que toda vez ela cresce. Mesmo você cortando gasto demitindo pessoas ela ainda cresce por conta de quinquênios, benefícios e vantagem que a lei impera. A continuar do jeito que está o governo vai ter que achar uma solução rápida.

A saída seria o aumento de tributos, por exemplo?

Aumentar tributos é muito complicado. A saída do governo do Estado é conversar com a presidente Dilma e rezar para que o governo dela reaja. Caso contrário, se o governo da Dilma fracassar vai ser em cadeia. Vai ser uma catástrofe. Os Estados e os municípios vão juntos. Se continuar do jeito que vai não tenha dúvida que a partir de agora as folhas de pagamento dos servidores públicos vão receber atrasados todos os meses. Não por culpa do governo, mas sim por culpa de uma conjuntura. Não tem dinheiro, não esta arrecadando e aí os problemas vão acontecendo.

 

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