Vale o mais bem avaliado

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As constantes afirmações de que desta vez o PSDB não vai abrir mão de lançar candidatura à disputa pela prefeitura de Goiânia no próximo ano e de que o partido quer contar com o apoio dos outros partidos da base aliada, pois o mesmo já apoiou candidaturas alheias nas últimas eleições, poderá criar um imbróglio daqui até meados do ano que vem na aliança governista.

É que, além do PSD, outros partidos da base aliada como o PTB, o PP, o PR, o PPS, e, porquê não, o PSB – que apesar de muito próximo, ainda não faz parte da base – aparecem com o mesmo objetivo: todos dizem ter nomes qualificados para a disputa em Goiânia.

A pergunta que surge é a seguinte: desta vez os partidos irão abrir mão de suas candidatura em prol do PSDB? Lideranças que compõem a base governista em especial aqueles que tem a pretensão de lançar candidatura acreditam que é preciso que haja mais diálogo em torno da discussão e que não exista imposição por parte de nenhum partido.

Para algumas peças importantes dos partidos que compõem a base, o correto será aguardar para ver qual nome estará melhor avaliado nas pesquisas, independente de qual partido este nome fizer parte, o que desmonta parcialmente a justificativa tucana, de que o PSDB apoiou nomes de outros partidos nas últimas eleições.

Um dos primeiros a questionar a ‘imposição’ tucana foi o deputado federal Marcos Abrão (PPS). Em entrevista na última segunda, 20, a Rádio 730, o parlamentar disse que o PPS poderá, sim, lançar um nome para a disputa em Goiânia. “Porque só o PSDB pode querer ter candidato? Nós também podemos lançar”, disse.

O presidente estadual do PSD em Goiás e secretário de Vilmar Rocha (PSD) acredita que a discussão deve ser prolongada. Para ele, a avaliação do nome tem que estar bem avaliado perante a opinião pública e isso independe de partido. “Tem que ver o nome que está melhor posicionado no momento”, defende.

Segundo Rocha, não há preferência por nomes dentro da base e que esse favoritismo deve ser dado pela população. No momento em que a viabilização de nomes é posta em evidência Vilmar diz que tem estimulado seus companheiros. “Eu tenho incentivado o Francisco Jr, Virmondes e o Lincoln. Nenhuma legenda dentro da base tem preferência. Não há uma escolha automática”, avalia.

A deputada federal Magda Mofatto (PR) se junta a Vilmar no campo da opinião. Magda alerta que é preciso averiguar a legislação eleitoral que pode ser alterada ainda este ano. Com isso, o formato de composições partidárias pode ser alterado. Fora deste contexto, a deputada defende maior diálogo entre a base.

Segundo a deputada, o fato de o PSDB ter se manifestado de uma forma que não abriria mão da candidatura não atrapalha o diálogo com os demais partidos. “De forma alguma. Acho que esse é o momento. Os partidos têm o direito. O momento é oportuno”, diz. Entretanto, ela observa: “Não pode ter imposição. Tem que discutir e ver o que as pesquisas dizem”, declara.

Por outro lado, Vilmar se posiciona contrário ao fato de lideranças tucanas falarem que o partido terá candidato próprio. Segundo Vilmar, as conversas são prejudicadas e todos deveriam sentar à mesa desprovidos. “Nunca é bom você fechar as portas. Acho que isso atrapalha um pouco”, avalia.

O deputado estadual Henrique Arantes (PTB) foi mais contido ao avaliar o posicionamento do PSDB. Ao ser indagado sobre as declarações de que o partido terá candidato em Goiânia nas eleições do ano que vem, a liderança do PTB disse que não poderia avaliar. “Não posso avaliar a estratégia deles, somente a nossa,” afirma.

Henrique destacou que o seu partido tem três nomes para a disputa das eleições do ano que vem e que desde agora já se manifestaram. Para ele, o deputado federal Jovair Arantes (PTB), do companheiro de Assembleia e de partido Talles Barreto e até mesmo o seu são potenciais. “Pra concorrer à prefeitura de Goiânia temos o deputado federal Jovair Arantes, o deputado estadual Talles Barreto e até mesmo eu penso nessa possibilidade”, pontua Henrique.

Já o deputado Talles Barreto (PTB) avalia que o fato de o PSDB defender candidatura em Goiânia não pode ser questionado. Para ele, o presidente do partido deve se posicionar em prol de sua legenda. “Todo presidente de partido tem que defender o partido. Se quer um objetivo ele tem que defender isso”, declara Barreto.

O PP ainda não tem discutido internamente a possibilidade de lançar um candidato, mas o deputado federal Sandes Júnior deixa claro que seu nome está à disposição do partido. “Posso concorrer sim. Estou à disposição do PP”, lembra o deputado, que já concorreu duas vezes à prefeitura de Goiânia.

União x Desunião

Com a perspectiva de que ainda deve haver muitos diálogos em torno da questão, as lideranças aparentam sinais de que o trabalho por uma base unida deve ser prioritário. Vilmar Rocha observa que essa sempre foi uma marca da base do governador. “Veja que nós estamos vencendo as eleições. Abrir mão de projetos pessoais em prol da base sempre foi o nosso caminho”, disse o secretário.

O discurso de união é entoado dentro dos demais partido da base aliada. Contrário a imposição, o deputado estadual Talles Barreto avalia que a base deve ter consciência de que somente a unidade favorece. “Temos que esta unidos independente do partido. Se estivemos unidos temos chances de ganhar”, aponta o líder do PTB na Assembleia.

Apesar disso, Vilmar observa que o cenário que se desenha é de desunião da base no momento das eleições. Tendo como parâmetro as eleições anteriores, ele observa que agora as coisas são mais dificultadas em função dos inúmeros projetos. “A união da base em 2016 é muito difícil em relação aos anos anteriores”, disse.

O deputado estadual Cláudio Meirelles (PR) observa de forma distinta. Ele acredita que mesmo que a base na vá unida para 2016, em 2018 o cenário pode ser muito diferente. “Eleição estadual é uma coisa. Eleição municipal é outra coisa”, avalia Cláudio Meireles que acredita que todos os partidos tem o mesmo direito em relação a pretensão de lançar nomes para comandar a capital.

A fato gera preocupação na principal liderança do PSD que tem como objetivo a disputa das eleições majoritárias em 2018. Para ele, a união da base em 2016 reflete diretamente nas conjunções futuras. “A união da base para o ano que vem tem relação direta com a eleição em 2018”, disse Vilmar que declarou ainda pretender disputar o governo ou Senado. “Ser prefeito de Goiânia não está no projeto, disputar pelo Senado ou governo está”, revelou.

Marconi

Com fama de articulador, Marconi Perillo (PSDB) deve ter um dos principais papéis para evitar um possível racha na base. Na eleição passada, ele conseguiu reunir em seu staff de apoio 16 partidos que fizeram frente a uma oposição fragmentada mais combatente. Sua consistente foi considerada fator fundamental para a quarta conquista do Palácio das Esmeraldas.

Agora, com o PSDB tentando viabilizar candidaturas e com posicionamento firme em relação a nomes do partido, terá outro papel: acalmar os ânimos de setores da base que também tem o mesmo desejo.

Para o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PSD), Marconi terá o papel de articular e de encontrar o nome consistente para a disputa municipal. “Marconi tem a possibilidade real de buscar o nome ideal dentro da base aliada”, avalia Virmondes. Até aqui, ele não se manifestou acerca do assunto, mas o deputado Talles Barreto crê que ele possa ser um intermediador. “O governador deve intermediar tudo isso”, acredita Barreto.

Na mesma linha dos demais, Cláudio Meirelles, acredita que Marconi possa ser importante nesse processo, mas ressalta que a palavra final na escolha não deve ser dele, mas sim dos partidos. “Ele tem o papel de escolher um bom candidato, entretanto ele não deve dar a palavra final. Essa posição deve ser de todos os partidos da base”, afirma.

A deputada Magda Mofatto acredita que Marconi Perillo deve ter papel fundamental no processo que envolve base. Para ele, além das discussões que envolve a capital, deve estar em pauta os demais municípios. “Marconi tem uma visão incrível. Ele vai tentar articular. Vai tentar fazer com que os partidos da base se fortaleçam cada vez mais”, acredita Magda.


Dificuldades da prefeitura estimulam pluri candidaturas

 

As dificuldades administrativas atravessadas pela prefeitura de Goiânia no último ano foi um dos fatores que impulsionaram o surgimento de diversos nomes na base do governo, de acordo com membros da base aliada. O objetivo é tomar as rédeas de controle da capital o que será facilitado pelo mal momento vivenciado pela administração petista, embora esteja tentando se recuperar.

Entretanto, Cláudio Meirelles observa que é preciso cuidado no trato com o fato. Para ele, a relação da prefeitura com setores não vai bem, mas o cenário pode mudar. “O PT não é um partido morto. Ainda pode fazer muito. É preciso esperar. Não pode subestimar e é preciso respeitar para não cometer erros”, pondera Meirelles.

A preocupação de Meirelles ganhar sustentação em um fato que ocorreu num passado não muito distante. Nas eleições de 2014, a oposição estadual não entrou em consenso em torno da união. Dois anos antes Marconi Perillo havia sofrido fortes desgastes devido a Operação Monte Carlo da Política Federal. O fato fez a oposição crer que ganharia com facilidade, entretanto, Marconi se recuperou e venceu sua quarta eleição.

Até aqui, o nome mais ventilado tem sido o de Iris Rezende, com isso Magda Mofatto observa que apesar da gestão de Paulo Garcia ter relação com a gestão de Iris Rezende em anos anteriores a população não vê. “As más condições de Goiânia ainda têm relação com Iris, mas ele é muito querido em Goiânia. Neste momento nós não podemos considerar que Iris é carta fora do baralho”, observa.

Vilmar Rocha secretário do Meio Ambiente, Infraestrutura e Cidades tem relação constante com a administração da prefeitura e tem visto que a má gestão de Paulo Garcia favorece a oposição. “Sim, nos favorece, embora o governo esteja fazendo um diálogo muito bom com a prefeitura o momento é bom para a base”, disse Vilmar


Os partidos da base devem seguir o candidato do PSDB em Goiânia?

Magda Mofatto (PR), deputada federal

“Tem que haver discussão. Tem que ver a chance de cada um. Não pode ter imposição. Tem que ver as pesquisas”

Sandes Junior (PP), deputado federal

“Tenho colocado meu nome a disposição do partido, mas até o momento não aprofundamos no assunto”

Vilmar Rocha (PSD), presidente regional do PSD

“Imposição nunca é bom. Não é bom fechar as portas. Nenhum partido dentro da base tem preferência”

Cláudio Meirelles (PR), deputado estadual

“Qualquer partido que tenha bom candidato tem preferência. Todos tem que estar unidos em torno daquele que tem melhores condições”

Talles Barreto (PTB), deputado estadual

“Qualquer candidato tem que ter o respaldo da base. Temos que estar unidos independente do partido”

Virmodes Cruvinel (PSD), deputado estadual

“Devendo que todos os partidos tem que estar unidos em prol de um projeto para a base do Governo”

 

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