União ou desunião

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Todo período pré-eleitoral é a mesma história. Partidos políticos discutem a unidade de seus grupos e, logo, aparecem duas teses – o que é melhor para um agrupamento, uma candidatura com o apoio de todos os partidos ou vários candidatos, com a chance maior de levar o jogo para o segundo turno? Normalmente, lideranças se dividem entre estas duas teses, dependendo do interesse pessoal de cada um. As conversas entre as agremiações são decisivas para que esta definição seja feita de forma mais adequada possível.

Na verdade, a “escolha” por várias candidaturas dentro de um grupo – oposição ou situação – nunca é fruto de uma decisão estratégica. Em toda eleição, partidos tentam a união do máximo número de aliados possíveis em uma chapa só. Essa somatória de forças, quase sempre, é complicada, pois partidos e lideranças têm interesses diversos e reuni-los todos ‘embaixo de um só teto’ nem sempre é possível. Assim, quando um grupo resolve caminhar com várias candidaturas é porque este não conseguiu a união e não porque foi uma estratégia definida.

A união é sempre o melhor caminho para a vitória. A conquista histórica do governador Marconi Perillo (PSDB) e aliados sobre o PMDB em 1998 tem em sua gênesis a união de uma forte base oposicionista. Acumulando derrotas nas décadas de 1980 e 1990, a oposição ao PMDB se uniu em 1996 e o resultado foi a eleição do ex-prefeito Nion Albernaz (PSDB) à prefeitura de Goiânia. Dois anos depois, a mesma base da vitória de Nion (PSDB-PPB-PFL-PTB-PSDC) foi usada para dar força a uma candidatura oposicionista ao governo do Estado. Eis, então, a eleição de Perillo.

A partir de 1998, até hoje, uma configuração foi constante na política goiana. Enquanto a base aliada de Marconi Perillo sempre conseguiu se unir nas eleições estaduais, em Goiânia o grupo se dividiu em todos os processos eleitorais a partir de 2000. O resultado foi vitórias estaduais e derrotas municipais. Em 2012, até houve a união de grande parte da base em torno da candidatura do deputado Jovair Arantes à prefeitura de Goiânia. O grupo, porém, enfraquecido por ter sido alvo da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, ficou bem longe do êxito.

Em 2016, a base aliada de Marconi Perillo terá mais uma oportunidade de se unir em torno de um nome para tentar conquistar o Paço Municipal da capital. Hoje, contudo, este agrupamento é muito improvável. A matéria do repórter Marcione Barreira (leia na página 3) mostra bem o clima de desunião da base aliada. Muitas lideranças falam que o melhor nome – independente de partido – deve ser o candidato. Hoje, porém, ninguém desponta como favorito, deixando a união cada vez mais em um plano imaginário.

Boa leitura, ótima semana!

Eduardo Sartorato

Editor-chefe

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