De volta à luta

0
631

P 3 - O ex-deputado federal Euler de Morais é um dos que estarão de volta à política em 2016Em anos vésperas de anos de eleições políticas, é comum ver um fenômeno político no mínimo curioso, principalmente para o eleitorado mais experiente, que é o do ressurgimento de figuras políticas que há algum tempo não disputavam eleições municipais.

Goiás não foge a essa regra e algumas cidades já se preparam para rever alguns políticos que, por não terem conseguido se elegerem em eleições anteriores, acabaram saindo da cena política, o que os obrigam a reconstruir suas carreiras, em um recomeço que muitas vezes não é muito fácil.

E alguns desses nomes já estão certos em seu retorno às campanhas políticas e outros, muito bem cotados para a disputa, nos quatro costados do Estado. Na cidade de Luziânia, por exemplo, o ex-deputado federal Marcelo Melo (PMDB) deve concorrer à prefeitura. Em Aparecida de Goiânia o nome mais forte é do também ex-deputado federal Euler Morais.

Outro ex-deputado federal, o pepista Pedro Canedo, deverá voltar ao cenário político em Anápolis. Há ainda voltas dos que saíram recentemente, como Adib Elias (PMDB), que perdeu a última eleição para a prefeitura de Catalão, mas será novamente candidato no ano que vem, além do ex-deputado federal Leandro Vilela (PMDB), que deixou a Câmara Federal no ano passado e passará o ano longe da política, mas que é nome certo para a disputa em Jataí em 2016.

Ainda há outros nomes que não se decidiram pela disputa. Em Inhumas, Abelardo Vaz (PP), apesar de ser cotado diariamente como nome certo na disputa do ano que vem, afirma que não será candidato. Em Formosa, o conselheiro do TCE Tião Caroço (PSDB) não nega – e nem confirma – a possibilidade de disputar a prefeitura, sendo um nome forte pelo lado dos tucanos.

Luziânia

O peemedebista Marcelo Melo teve uma ascenção meteórica na política goiana. Ele foi deputado estadual entre 1999 e 2007 e deputado federal entre 2007 e 2011. Desde então não participou de eleições, mas afirma que é pré-candidato a prefeitura de Luziânia e que, apesar de estar no PMDB, ainda não definiu por qual sigla disputará o pleito.

Quando questionado sobre como está se preparando para voltar à cena política, Melo diz que na verdade nunca deixou de trabalhar politicamente de forma indireta – desde 2011 ele é diretor de Abastecimento da Conab. Ele se mostra muito otimista com os resultados das pesquisas em sua cidade. “Estou me sentindo recompensado com os números, isso significa que meu trabalho está sendo reconhecido”, afirma.

O otimismo de Melo se dá pelo fato de acreditar que a imagem do prefeito atual de Luziânia está desgastada. “Ele está com 75% de rejeição e só tem a vantagem de estar com a máquina na mão. Ainda não vi prefeito com tamanho desgaste. Apesar de ter obtido na campanha eleitoral uma votação maciça, ele deixou a cidade desgovernada. Isso fez com que as pessoas buscassem outros nomes, uma nova postura”, indica.

Segundo o ainda peemedebista a decisão em voltar ao cenário político se deu pela saudade e que o afastamento foi pelo fato de não concordar com a escolha do partido por Iris Rezende como candidato ao governo de Goiás no ano passado. Ele apoiava o nome do empresário Júnior Friboi. “Para não ser incoerente comigo mesmo preferi ficar de fora”, lembra.

Atualmente Marcelo Melo está com cargo no governo federal. “Esse trabalho tem tomado bastante meu tempo, apesar de não estar trabalhando diretamente na política, continuo com bons relacionamentos no meio. Política é assim, depois que participamos uma vez, deixamos de ser dono de nossas decisões, por isso ano passado continuei no cenário político, mas trabalhando para outros candidatos”.

Canedo

Pertencente ao Partido Progressista (PP) e assumindo a intenção em se candidatar a prefeito de Anápolis, Pedro Canedo foi deputado estadual entre 1983 e 1987 e deputado federal por três mandatos: 1987 a 1991, 1995 a 1999 e 1999 a 2002. É um dos nomes que admitiram se pré-candidatar à prefeitura de Anápolis no próximo ano.

Ele destacou que “está trabalhando na reorganizando do partido, buscando as filiações, relacionando com o trabalhador em seus diversos setores, visitando os militantes para que se candidatem. Todo esse trabalho será realizado nesse primeiro semestre visando o maior número de filiados e de candidatos”.

Em meio à crise que nosso País está passando, a dificuldade que Pedro Canedo espera encontrar é em relação ao desgaste do eleitor com a classe política em geral, em função dos últimos acontecimentos como a fraude moral e o descrédito que surgiu após a Operação Lava Jato. “A maior dificuldade é convencer uma pessoa boa para que se filie ou candidate, convencer que há espaço para que essas pessoas mudem essa situação”, pensa.

Apesar de algum tempo fora do cenário político, Pedro Canedo ressaltou que com o número de votos que recebeu na última eleição, sabe que seu nome não foi esquecido. Ele foi recebeu 13.745 votos ao disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa na última eleição em 2014.

“Nós íamos disputar com chapa pura. Se o PP não fosse “obrigado” a participar do chapão dos partidos da base do governador Marconi Perillo na disputa pela Assembleia, eu seria eleito, pois tive mais de 10.000 votos”, lamenta o ex-deputado federal.

Canedo se refere ao fato de o PP ter que ceder e participar do chapão para manter José Eliton na vaga de vice-governador na chapa encabeçada por Marconi Perillo, já que o PR e o PTB ameaçavam lançar o nome da deputada federal Magda Moffato como vice no lugar de Eliton. “Isso foi feito em função de uma causa maior, caso contrário, Magda corria o risco de ficar no poder ao invés do vice-governador José Eliton”, relembra.

Durante esse hiato político, período fora do cenário político, Pedro se dedicou a sua profissão como médico. “Hoje trabalho em minha clínica, mas minha profissão foi o que me levou a chegar ao poder e a alcançar o que pretendia”. Canedo destacou que seu afastamento também se deu ao desgaste com a política. “Todo homem que se torna público tem esse desgaste, mas agora quero mostrar o que fiz, as minhas pretensões, tenho meu nome limpo, o que é uma obrigação, mas que hoje em dia passou a ser uma qualidade”, frisou.

Prefeito de Aparecida?

Diferente de Pedro Canedo quanto à situação partidária, Euler Morais (sem partido) foi deputado federal entre 1999 e 2003, pelo PMDB e, desde então, não se elegeu a nenhum outro cargo. Hoje é secretário de Governo do prefeito Maguito Vilela (PMDB) em Aparecida de Goiânia e deve ser o candidato do PMDB, do qual ele voltará a se filiar, na disputa pela prefeitura da cidade no ano que vem.

Euler destaca que vem sendo lembrado como uma alternativa, mas que há projetos para serem concluídos ainda no mandato do atual prefeito de Aparecida. “Maguito vai ser um peso importante, a população tem expectativa de boas obras para o ano que vem. Para isso, é preciso que haja essa continuidade”, afirma.

Ele também destaca que esse é o momento de buscar nomes. “Não tenho dúvidas de que Maguito irá me apoiar, mas que haverá prejuízos se houver ações de pré-campanha”, enfatiza.

Morais destaca que fica lisonjeado em ter seu nome lembrado, mas que por enquanto irá se ater ao seu cargo atual e deixar os projetos de pré-candidatura para o próximo ano. “Uma pré-campanha agora vai desviar o foco do mandato. Quero deixar claro que é uma honra substituir o prefeito Maguito e que será muita responsabilidade, não é bônus, mas desafio”, alerta.

Segundo Euler Morais, ele está sem partido para uma melhor interlocução com a população e por causa de sua trajetória no PMDB. Ele ressalta que assumiu a presidência do PSC a pedido de Maguito e de Iris. “Eles pediram para que eu presidisse o PSC, mas já recebi convite para me filiar de volta ao PMDB”, frisa.

Euler afirma que durante os anos que ficou sem mandato atendeu o convite de Maguito para trabalhar em sua campanha eleitoral. “Vim voluntariamente, pude coordenar a campanha dele”, conta. Morais aponta ainda que, além desse trabalho, também esteve na Frente Nacional dos Prefeitos, trabalhando por três dias da semana para desenvolver outras atividades como de consultoria, e que não estava pensando em voltar, mas que Aparecida de Goiânia o deixou motivado.

Nesse hiato político, Euler Morais também foi membro do Comitê Nacional dos Prefeitos. “Quando terminei meu mandato em 2002, eu decidi trabalhar na reeleição de Maguito. Segundo Euler, abriu mão de sua reeleição porque havia boas expectativas. “Perdemos, mas houve amadurecimento. Sempre procurei fazer meu trabalho com isenção e sempre fui muito estimulado”.

Outro que também deve voltar às disputas municipais no próximo ano é o deputado estadual Abib Elias (PMDB). Adib foi deputado estadual entre 1995 e 2001 e deixou a Assembleia para assumir o mandato de prefeito de Catalão entre 2001 e 2008, tendo sido reeleito em 2004.

Em 2012 ele disputou a prefeitura de Catalão mais uma vez e acabou sendo derrotado pelo adversário político Jardel Sebba (PSDB). Passou dois anos sem mandato até que no ano passado se elegeu mais uma vez deputado estadual.

Adib deverá ser candidato a prefeito de Catalão no ano que vem, mas afirma que não tem nada definido. “Minha pretensão é ficar como deputado estadual nesses quatro anos. A partir de novembro que teremos os nomes de candidatos a serem definidos pelo partido”, diz.


 

Leia mais:

Leandro Vilela e Abelardo Vaz não confirmam candidaturas

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here