“Candidato em Goiânia será decisão de Marconi”

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Tribuna do Planalto – O senhor foi recordista de votos na eleição passada e tem feito um trabalho que chama a atenção principalmente por conta da CPI da Petrobrás. O que a CPI dará, de fato, de resultados?

Delegado Waldir – Fico feliz que nesses três meses de trabalho já tenhamos conquistado um destaque nacional. Há duas semanas estive em Curitiba, onde falamos com o Dr. Sérgio Mouro e ouvimos 17 presos. Damos publicidade ao trabalho da Polícia Federal e ao Judiciário. Queremos que a sociedade saiba que hoje o partido que está no poder cometeu o maior roubo da história deste país. Um tesoureiro apenas tirou mais de R$ 900 milhões dos cofres públicos. É muito dinheiro. Hoje temos os deputados e empreiteiros, mas não temos os chefes ainda. Já conseguimos saber do dinheiro usado na campanha de 2010 da Dilma. Queremos saber se chegou a 2014.

O problema com a Petrobrás não se iniciou em 1997, no governo FHC?

Na verdade isso é insistência dos deputados do PT, mas todos os delatores disseram que a corrupção não foi inventada pelo PT, mas se tornou sistemática em 2003. Pedro Barusco disse que desde 1997 metia a mão, apenas ele.

Mas na divisão dos financiamentos privados de campanha o PMDB recebeu, assim como o PSDB e o PT. Isso demonstra que a discussão sobre o financiamento público se torna necessário nas próximas eleições?

Augusto Mendonça, o empresário que ouvimos nas últimas semanas, nos disse que doou para várias campanhas, mas que o dinheiro que era de propina, era para o PT. Na verdade eu ainda não decidi meu voto nesta questão. Há 15 dias foi aprovado o aumento do Fundo Partidário de R$ 300 milhões para quase R$ 1 bilhão. Não temos dinheiro para educação, segurança, saúde, para nada, mas tem para os partidos.

O PSDB disse que iria entrar com um pedido de impedimento da presidente Dilma. O sr. é a favor?

Há somente uma discussão. Se tivermos provas concretas de dinheiro ilícito na campanha de 2014, aí sim. Assim ocorreu com Fernando Collor. As ruas já se manifestaram contra ela. Mas nós não podemos ouvir só as ruas. Hoje temos alguns indícios já…

Mas não há uma prova cabal para pedir o impedimento até o momento…

Eu acredito que daqui a alguns dias vocês terão novas surpresas. Estamos em uma investigação que tem que ter sigilo sobre alguns assuntos. Mas não existe nenhuma organização criminosa sem um líder.

O sr. citou o aumento do Fundo Partidário. Como combater esse aumento se ele interessa diretamente aos deputados e seus partidos?

Maior que o interesse dos deputados é o interesse do povo. Por isso vem a reforma política. A aprovação do voto distrital para vereadores no Senado é o primeiro passo. E teremos mais discussões para diminuir o custo de campanhas. O cidadão tem que participar da política. As eleições não são mais de coronéis. Temos as redes sociais. O cidadão tem acesso à informação. Eu tento fazer diferente. Tive a maior votação com menor custo de campanha. Não tenho rabo preso com deputados estaduais e prefeitos.

Em toda eleição aparecem candidatos independentes como o sr., mas no fim das contas vencem aqueles que se aliam com deputados estaduais, ou que investem mais. Porque isso ocorre?

Eu acho que a tendência é que isso mude. Eu não fiz acordos. Alguns fazem para diminuir custos. Como eu não tive custos, não precisei. Volto hoje aos locais que visitei para agradecer. Teremos um novo modelo de política. Se não se ‘antenar’ com as novidades, pode esquecer. O eleitor se preocupa com seus problemas pessoais. A segurança é o maior deles. Inclusive aqui em Goiás. Eu entrei em polêmicas que o cidadão espera que eu entre. Nós representamos o cidadão.

Há muitos projetos que estavam parados na Câmara e que foram resgatados pelo presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas ao mesmo tempo parece surgir um movimento contrário no Senado. Como vocês deputados observam isso?

Temos esse mesmo movimento na Câmara. São deputados de esquerda, atrasados, que em treze anos não evoluíram o país. Não há funcionamento do ECA. O nosso adolescente rouba, mata, transa, vota, constitui empresa, mas não pode ser punido. Não pode ser preso. Não responde pela conduta. Teóricos dizem que isso não acabará com a violência. Mas nós não queremos apenas isso. Queremos que eles sejam punidos.

Mas se não diminui a violência, qual é a importância?

Acabar com a impunidade. Quem é contra concentra seus ataques apenas na redução da violência. Dizem que apenas 10% dos crimes são praticados por adolescentes. Mas estes 10% é o número de adolescente em relação a população total do Brasil. Outro item diz que 85% dos crimes não são solucionados. Como posso garantir que esse 85% não é cometido por adolescentes? Queremos igualar a punição. E iria mais longe. Defenderia o modelo americano e inglês, onde o adolescente seria punido a partir do momento em que entende o que faz. Seria punido em uma carceragem exclusiva.

Quem faria essa diferenciação?

Juízes, psicólogos. O juiz existe para isso.

Os Estados Unidos, como o sr. citou, é mais punitivo, mas eles têm a maior população carcerária do mundo sem ser a maior população do mundo.

Eles são uma das maiores populações do mundo. Eles estão entre as cinco maiores. Lá a lei se aplica. Aqui nós temos 700 mil criminosos no sistema prisional, mas temos 300 mil mandados de prisão. São 85% dos crimes insolúveis.

Eu citei os Estados Unidos porque parece que lá é falido também, por conta das punições. Não coíbe a violência. Você pega e joga na prisão, aumenta a população carcerária, a população paga também.

Nós temos que pagar, mas você consegue andar tranquilamente pelas ruas americanas? Em 95% das cidades sim. Lá você tem uma sensação de segurança. Lá você tem o porte de arma para qualquer cidadão e estão na posição 94 no ranking de mortes no mundo.

Mas na Europa existem países nos quais também há a sensação de tranquilidade mesmo com uma população carcerária muito baixa…

Sim, mas pega a população desses países. Pega a Dinamarca, por exemplo. A população é muito menor que a de Goiânia [N.E.: A Dinamarca conta com 5,6 milhões de habitantes. Goiânia, de acordo com o censo 2010 conta com 1,2 milhão de habitantes]. Aí é muito fácil você administrar. Então é incomparável. Nós temos que comparar com os grandes países que deram certo. Pega Rússia, Índia, China.

Deputado, o sr. será candidato à prefeitura de Goiânia no ano que vem?

Eu sou candidato de Trindade, de Senador Canedo, de Aparecida de Goiânia, de Goiânia… De todas as cidades onde fui mais votado. Vejo que as urnas deram essa possibilidade do delegado Waldir ser candidato em qualquer um desses municípios. Mas eu gostaria de lembrar que eu não vou ser objeto de articulação política, partidária ou de qualquer pessoa. Eu sou candidato em qualquer uma das cidades, mas eu não gostaria de mudar meu titulo de eleitor. Eu voto aqui em Goiânia.

O sr. apoiaria o nome do Coronel Sílvio Benedito em Aparecida de Goiânia?

Acho que é um bom nome. Mas nós temos diversos outros nomes como o deputado federal João Campos (PSDB), Fábio Sousa (PSDB), Jayme Rincón (PSDB).

Mas em Aparecida de Goiânia?

Todos eles poderiam ser candidatos em Aparecida de Goiânia. Por que não?

O sr. apoiaria eles?

Com certeza. Apoiaria qualquer um desses candidatos. Eu tenho que ver qual é a proposta desses candidatos para Aparecida de Goiânia.

Em relação a Goiânia. O sr. poderia talvez trocar de partido para ser candidato?

Acho que é muito cedo. Vamos esperar. Até porque o meu nome tem sido ventilado em razão das pesquisas eleitorais, em razão da vontade popular.

O sr fala: “Se for necessário vou ser candidato.” Mas dentro do PSDB, que é um partido grande, há todo um rito de escolha de candidato. O sr. estaria disposto a passar por esse processo?

Na há rito na escolha de candidato no PSDB. A decisão é de Marconi Perillo. Pode preparar diretório municipal, estadual. Toda decisão cabe a uma pessoa só. Eu acredito que já esteja até escolhido.

Quem estaria escolhido?

O candidato a prefeito de Goiânia.

Na cabeça dele?

Sim. Com certeza. Só se o pretenso candidato dele estiver com índices baixíssimos. Porque aí ele não vai cometer um suicídio eleitoral. Ele não pode esquecer que nós temos eleições agora em 2018 e o nosso governador não é candidato em 2018. Mas ele não pode esquecer que ele carrega 20 anos de poder e que isso traz um desgaste e se ele perder a região metropolitana em 2016 ele vai ter extremas dificuldades até para uma candidatura ao Senado em 2018.

O sr. estaria preparado para o sim ou não do governador?

Sim. Com certeza. Eu estou preparado para qualquer coisa.

Quando o sr. acha que o PSDB define?

O governador já tem esse nome definido porque ele é um planejador. Ele é uma raposa na política. Já tem tudo planejado. Quem são os candidatos a prefeito daqui, de Aparecida. Ele já tem tudo articulado. Só que acontecem as zebras…

Em relação ao estilo do sr., há críticas na Câmara dos Deputados. O sr. se sente perseguido lá dentro?

Na verdade o ser autêntico do Delegado Waldir incomoda. O que é melhor? Você ser um ser comum ou você fingir? Eu não sei fingir. Pergunta para aqueles que me criticam se eles abriram mão do auxilio moradia que é de R$ 4.200… Pergunta para aqueles que me criticaram por conta da gargalhada se eles abriram mão da ajuda de custo… Quanto que eles gastaram de ajuda de custo nos últimos três meses. Em relação à Maria do Rosário e a bancada do PT eu fico feliz que eles estão preocupados. Eu sou duro. Minha posição, em relação à maioridade penal, em relação a reforma do código penal e em relação aos presídios, não é de agora. Eu venho da periferia. Minha mãe era zeladora, eu vim de escola pública, eu fui servente de pedreiro, eu vim da classe mais humilde. Eu trago essa bagagem da periferia. Eu sei o que o cidadão quer. É por isso que o as pessoas se incomodam.

 

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