“O nosso candidato será o mais viável da base em Goiânia”

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Tribuna do Planalto – Em relação ao PPS, há um processo de fusão com o PSB em aberto, mas também há o processo de filiações para a eleição do ano que vem. Como estão os dois processos?

Marcos Abrão – O PPS está presente em quase 190 municípios goianos. Na eleição do ano passado, com a eleição de um deputado federal, o ânimo dos diretórios municipais aumentou, pois mostrou que o partido tem capacidade de fazer representantes. Com a fusão, existe agora mais uma injeção de ânimo. As possibilidades dessa nova sigla, que ainda não sabemos como se chamará, serão enormes.

E em relação às filiações no interior?

Estamos retardando, pois estamos querendo entrar no processo das eleições como novo partido. Mas a procura está muito grande.

E quando a fusão será finalizada?

Esperamos que até dia 15 de julho estaremos acertados. Temos dois congressos para homologar a fusão.

Mas não existe um pré-trabalho de filiações, já que o prazo final para filiações é em outubro desse ano?

Sim, mas como já sabem que os dois partidos estão conversando e presentes nos municípios, eles já estão buscando as filiações. É que nós não começamos o processo ainda, mas temos as ferramentas para as filiações e conhecimento de todo o Estado de sobra.

Como estão as conversas com o presidente do PSB, Vanderlan Cardoso? Já se sabe quem será o presidente deste novo partido?

Temos conversado frequentemente, mas ainda não sabemos quem será o novo presidente do novo partido.

O senhor poderia abrir mão da presidência?

Claro que sim. Tranquilamente. Tanto para ele quanto para a senadora Lúcia Vânia. O que queremos é um partido sem dono.

O nome natural seria o da senadora Lúcia Vânia?

Não temos esse nome natural. Ninguém manifestou a vontade de comandar o partido.

Após a fusão, vocês poderão receber filiações de políticos com mandato?

Ainda não está decidido que essa fusão criará um novo partido. Isso será apreciado pelo Congresso Nacional nos próximos dias. Precisaremos derrubar o veto da presidente Dilma ao artigo que torna a fusão em um novo partido. Se existir essa possibilidade, poderemos receber políticos com mandato.

Mas já existe a procura de gente com mandato para se filiar ao partido?

Temos tido muita procura. Há muitos pedidos de deputados estaduais que querem estar nesse novo projeto.

Como vocês estão apresentando esse novo partido aos interessados, inclusive em torno do posicionamento político?

No âmbito federal, o PSB já vinha tendo uma posição independente do governo federal. E nós do PPS sempre fomos oposição ao PT. Em relação ao governo estadual, não estamos tratando ainda. Agora, eu, deputado Marcos Abrão, sou base aqui em Goiás. Fiz parte da gestão e tenho um respeito mútuo com o governador. Mas essa é a minha vontade e não a do partido.

O partido terá candidato próprio em Goiânia?

Sim. Vamos ter candidato em Goiânia. Isso já é definitivo. Sempre deixei claro em minhas entrevistas que teríamos candidato na capital. Não entraremos na eleição sendo satélite de partido nenhum.

O candidato seria o Vanderlan?

Ele está bem aberto quanto a isso. Tanto o nome dele, quanto o meu, quanto o da senadora, como o de Elias Vaz e de Pedro Azulinho são bons nomes para a disputa. Mas isso será uma decisão coletiva.

Pelo que o sr. sente, se o partido tomar uma decisão pelo nome de Vanderlan, ele encararia a disputa?

Olha, eu sinto que ele tem vontade. Vanderlan é um gestor experimentado, que fez um grande trabalho em Senador Canedo. Vejo a vontade de fazer isso em Goiânia. E ele vem dizendo que não quer mais disputar eleição sozinho e é isso que estamos fazendo, ao trazer novas propostas para a cidade. Que somos uma alternativa.

Como fazer para se inserir no imaginário popular ao se colocar como alternativa a PMDB e PSDB sem cair na representação da terceira-via, que Vanderlan tanto quer se livrar?

Primeiro temos que colocar a questão política em segundo plano, e pensar no melhor projeto para a cidade. Temos que fazer política para atender a população e não só pela perspectiva de poder. O foco seria este. A população de Goiânia está satisfeita com o projeto de PMDB e PT de poder? Tem que ser feita essa análise. E apresentaremos uma alternativa. Quem quiser vir, que venha.

Como ficará o papel da base aliada em Goiânia, com candidaturas de PSDB, PSD e vocês, que já disseram ter candidatos?

Nós, na verdade, não dissemos. Estamos trabalhando para ter um candidato. Estamos estudando como ficará a cidade de Goiânia. Na Câmara Federal sou membro-titular da Comissão de Desenvolvimento Urbano e tive a oportunidade de ter experiência de conviver com gestores aprovados. E faremos em Goiânia um projeto que buscará cases que deram certo em todo o mundo. Buscaremos exemplos como o de Seul, na Coreia do Sul, que acabou com uma malha viária inteira para recuperar um rio. São esses exemplos que buscaremos para nosso projeto.

Mas essa pluralidade de candidatos não enfraquece a base aliada?

Não acredito, pois em Goiânia já temos uma base completamente fragmentada. Mas você pode ter certeza que a partir da colocação das candidaturas, haverá aglutinação da base. A base irá aglutinar na candidatura mais viável. E o nosso candidato será o mais viável da base em Goiânia.

Isso já no primeiro turno?

Sim.

A meta é conseguir a candidatura mais forte e atrair os outros partidos?

Sim. Atrair ou coligar. Nós somos parceiros a nível estadual. Por que não em Goiânia? O PPS e o PSB vão conversar com todo mundo. Estamos focados não só em Goiânia, mas em outras cidades também.

Qual a avaliação da gestão de Paulo Garcia hoje?

Tenho uma relação muito boa e cordial com prefeito Paulo Garcia e não me cabe ficar fazendo críticas a sua gestão, mas a população mostra não estar gostando. Mas este não é o momento de colocar quais são os problemas.

Mas hoje é uma administração abaixo da média?

Em minha opinião, sim. Mas não estou aqui para julgar o gestor, pois não sei qual a realidade política dele na prefeitura e não sei o que ele herdou da administração do PMDB. Sei que ele é bem intencionado, mas passa por problemas, principalmente na prestação de serviços.

Rever contrato seria o primeiro ato do prefeito?

Quando eu falo de serviço, me refiro ao serviço público para o cidadão. Precisa melhorar a coleta de lixo, o atendimento na saúde, a iluminação pública, o trânsito de Goiânia… Precisamos, então, de um perfil de gestor não apenas tocador de obras. Porque com dinheiro você toca obra. Agora, prestar serviço de qualidade é diferente. Daí você precisa ter gestão. É dia-a-dia, é gostar de administrar.

Como o sr. avalia o quarto governo Marconi Perillo?

Estamos passando por ajustes nacionais. À medida que a arrecadação federal cai, a arrecadação nos estados cai. Uma das coisas que a gente critica no Congresso Nacional é pedir para a sociedade fazer ajustes e o governo não fazer sua parte. O governo precisa dar exemplo. Eu tenho visto aqui em Goiás a tentativa de diminuir a máquina para voltar a ter investimento.

Estes ajustes geram desgastes. Eles podem chegar na base aliada nas eleições do ano que vem?

Essa é uma questão estadual.

Mas há reflexo dentro das prefeituras também.

Tem reflexo à medida que as prefeituras têm as dificuldades dela. Agora, a eleição estadual será em 2018. Ele tem tempo de consertar os ajustes que eles precisam fazer para que ele possa ter candidato competitivo em 2018. Agora, nós sabemos dos desgastes que isso pode gerar.

O deputado federal Alexandre Baldy tem feito críticas aos ajustes fiscais implantados pela secretária Ana Carla Abrão. O sr. as considera justas?

Eu não quero criticar aqui um colega de parlamento, mas defendo que devemos ser parceiros em todos os momentos. Governo nenhum quer tomar estes tipos de medidas, mas é uma nova realidade econômica do país.

Ele poderia ter sido mais compreensivo e ponderado?

Creio que ele poderia ter levado a preocupação, mas levado também as propostas. As medidas foram discutidas com o setor produtivo e ele teve a oportunidade de participar das discussões. Tinha que ter tido dito algo lá atrás. Eu disse isso a ele.

Como está a ambientação no Congresso Federal?

Tenho a oportunidade de trabalhar as leis que podem melhorar a minha área de atuação, como a da habitação. Nossa missão é melhorar a vida da população e lá é o local para fazer isso. Conseguimos, por exemplo, mudar a lei do Minha Casa Minha Vida, na qual obrigamos que sejam prioridade no programa famílias que tenham enfrentando desastres naturais, além de vários outros temas que temos trabalhando lá.

Com a crise federal, houve uma queda no montante do financiamento da Caixa. Como o sr. recebeu essa notícia?

Nós estamos vendo esse ajuste e temos cobrado para que o governo também diminua o número de ministérios para que invista no social. Cortes na construção civil afetam muito a economia.

No ano passado a presidente lançou o Minha Casa Minha Vida 3. Os deputados já estão a par do projeto?

Ainda não houve detalhamento, mas ele não pode ser como o 2, que praticamente deixou de fora cidades com menos de 50 mil habitantes. Estamos cobrando para saber disso antes do anúncio.

Fala-se, em relação a senadora Lúcia Vânia, que ela pode se aposentar em 2018, mas também que possa concorrer a mais um mandato. O sr. acredita em qual possibilidade?

Não sei se ela irá se aposentar ou buscar mais um mandato. Mas posso afirmar que ela é um dos maiores nomes da política nacional e tem disponibilidade, inclusive física, de buscar mais um mandato.

A troca de partido fortifica a postulação?

Para onde ela for, fortifica-se o partido e a postulação. É o segundo maior nome político de Goiás, em minha opinião, atrás do governador Marconi Perillo.

O sr. vem de uma família ligada a política, mas que ainda não exerceu um mandato de chefia do poder executivo por meio do voto direto. O sr. tem essa pretensão? Caso sim, para quando pensa nisso?

É preciso ter maturidade. Levei 15 anos para me tornar deputado federal. Tenho 44 anos de idade e meu foco é na Câmara Federal. Se tiver oportunidade de buscar a prefeitura de Goiânia ou o governo de Goiás, eu irei disputar.

José Eliton é o sucessor natural de Marconi Perillo?

A sucessão natural vem quando você viabiliza uma candidatura. Ele é o vice-governador. Se aglutinar a base, será o candidato. Hoje não vejo nenhum candidato natural da base para 2018.

 

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