Há remédio contra ela

0
591

Este início de ano vem sendo duro para a administração estadual. São várias as medidas que visão a diminuição de gastos em tempos de crise. O cenário econômico nacional e estadual tem forçado a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, a adotar ações duras cumprindo aquilo que o governador Marconi Perillo (PSDB) firmou ao assumir o mandato: um governo de austeridade.

Algumas delas como cortes de investimentos, demissões e adiantamento e aumento de tributos, tomadas em meio a crises políticas, muitas vezes são impopulares e costumam deixar para gestores e apoiadores de governos uma dívida que vem em forma de desgaste político em eleições futuras, além de criar uma insatisfação interna em grupos aliados.

E dentro da base aliada do governo estadual há, sim, a preocupação de que reflexo que essas ações podem causar no futuro pode refletir nas eleições municipais do ano que vem, mas ao mesmo tempo acreditam que Goiás sairá da crise e que a situação política se recuperará.

O mesmo, no entanto, não é visto em relação ao desgaste criado com o setor produtivo, por meio da antecipação da cobrança do ICMS por parte do governo estadual, do sia 10 para o dia 5. Deputados da base alertam que, caso o governo não reveja a situação, ela poderá se tornar insustentável.

Recuo

Para o deputado federal Alexandre Baldy (PSDB) que conhece bem o setor por ter sido secretário da Indústria e Comércio do governo Marconi Perillo até o ano passado, o problema maior foi que não houve um alerta antes da medida ser tomada. “O setor produtivo é bastante afetado, principalmente por não ter havido um aviso prévio”, afirma.

O deputado acredita ainda que o problema possa ser sanado. Segundo ele, tão logo a economia se recupere cobrança poderá ser realizada no 10º dia. Para Baldy o desgaste com o setor produtivo não é irreversível e pode ser amenizado, desde que haja um recuo do governo. “Para que isso possa ser superado somente voltando atrás”, disse Baldy.

O deputado federal Roberto Balestra (PP), assim como Baldy, observa que esse é um problema maior a ser solucionado. Para ele, se houve um acordo ele deve ser respeitado, caso não houve preciso rever. “Se não ocorreu um acordo é bom que o governo reavalie. O pior é quando há um acordo e ele não seja cumprido. Seja de qual for a parte”, diz Balestra.

Líder de governo na Assembleia Legistaliva, José Vitti (PSDB), acredita, porém, que assim que houver um resultado o governo, a cobrança deverá retornar ao dia 10. “Essa é uma medida que já foi adotada, a partir do momento que ele der resultado, acredito que pode até voltar ao que era antes”, acredita Vitti.

O mesmo parâmetro tem o presidente regional do PSDB em Goiás, Paulo de Jesus, que defende a ação e acredita que ela seja momentânea. “Acho que é reversível [o desgaste com empresários]. Todos têm que fazer um sacrifício. Eles têm que dar um jeito de se adequar. O Estado deve sair antes da crise e voltar a normalidade”, acredita Jesus.

Político

Já o desgaste político ainda está sendo avaliado e, até o momento, vem sendo contornado pelo governo, apesar de que alguns parlamentares da base darem mostras de que não têm tido tanto interesse em defender o governo diante das críticas da oposição há algumas semanas.

Sempre acostumada com bons momentos e benesses, a base governista foi pega pelo braço da crise quando tiveram suas verbas para cargos rebaixada de R$ 50 mil para R$ 30 mil, além de cortes de 5000 cargos comissionados do governo, realizados no início deste ano, o que afetou em cheio diversos aliados do governo.

Mas, embora haja algum desgaste momentâneo, a base acredita que o governo dará a volta por cima. Segundo o deputado estadual José Vitti, todos enxergam a necessidade dos cortes. Além disso, o deputado não tem notado nenhuma espécie de corpo mole no que tange às necessidades do governo. “Nós não temos notado nenhum tipo de tensão dentro da base. Todos entendem a necessidade”, afirma Vitti.

José Vitti não negou que haja descontentamento. “Toda medida que causa contratempo ao servidor público causa desgaste”, diz. Para o parlamentar, o governo foi forçado a tomar essas ações devido a economia desgastada atualmente. “Nós não gostaríamos de ter implantado essas medidas, mas foi devido ao momento financeiro”, defende.

O deputado estadual Francisco Junior (PSD) segue a mesma linha de José Vitti ao dizer que “cortar na carne” é sempre ruim. No entanto, diz compreender a realidade do Estado e que o executivo não tem outra coisa a fazer. “São medidas que não são fáceis de serem tomadas, mas entendo a necessidade”, relata Francisco.

Para o parlamentar do PSD, o momento será passageiro e no futuro tudo deve ser resolvido. Com um déficit de cerca de R$ 680 milhões em 2014, o governo está sem capacidade de investimento neste ano. Entretanto Junior faz uma análise positiva. “Acho que com as ações do governo a perspectiva é de melhora”, avalia.

 

O deputado federal Roberto Balestra disse que concorda com a ação do governo, embora entenda que a medida desagrada. “Ninguém gosta de perder o emprego, mas o governo avisou com antecedência”, lembra o pepista.

Pelas contas dos governistas a crise será amenizada ainda neste ano. Segundo Vilmar Rocha (PSD) que ocupa a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura, Cidades e Região Metropolitana, o Estado deve viver situação melhor ainda no segundo semestre. Entretanto, afirma que apenas ano que vem isso será mais notório.

2016

Se a situação política junto aos deputados pode ser contornada, o mesmo não deve ocorrer em relação aos prefeitos e também em relação às eleições de 2016. Segundo o deputado estadual Talles Barreto (PTB), muitos prefeitos contavam com o apoio do executivo estadual, inclusive para se reelegerem ou elegerem sucessores. “Acho que afeta ano que vem. Principalmente porque muitos prefeitos esperavam obras e auxílio do governo”, diz.

Para o petebista a recessão que atingiu o país afetou a todos e isso forçou o governo a tomar medidas austeras. Entretanto, Barreto acredita que ano vem tudo pode voltar ao normal. “Temos esperança que 2016 possa ser melhor. Esperamos que esse ano passe bem rápido”, torce.

Barreto comentou sobre as medidas de ajuste financeiro e declarou que o governo está fazendo de tudo para manter as contas e mesmo assim ainda encontra dificuldades. “Independente do desgaste isso é necessário. O Estado está fazendo de tudo para manter as contas”, acredita.

Por outro lado, o deputado federal Roberto Balestra não acredita que a crise possa causar reflexo no ano que vem. “Acho que não afeta de forma alguma o processo eleitoral do ano que vem. O momento é difícil, mas creio que até lá tudo estará sanada apesar de o momento preocupar”, observa o parlamentar.

Para o presidente regional do PSDB Paulo de Jesus, no ponto de vista político não há a perdas significativas. Observa ainda que apesar dos desgastes, a base continuará unida e que as dificuldades financeiras devem afetar também as oposições deixando a disputa em pé de igualdade.

Plano nacional não será afetado

Acreditando ser apenas um momento ruim e passageiro os aliados governistas não acham que o momento atual possa causar tanto desgaste a ponto de interferir num possível projeto nacional do governador Marconi Perillo (PSDB). Como não não é candidato a reeleição em Goiás, Perillo poderia alçar voos mais altos, como candidatura a vice-presidência ou até a presidência da República.

Tendo ciência das dificuldades para se viabilizar dentro do seu partido mesmo com bons ventos soprando a seu favor, uma crise poderia dificultar ainda mais seu possível desejo de se candidatar a cadeira máximo de um executivo na política brasileira, o posto de presidente.

Fora da situação hipotética a crise é real, mas aliados políticos do tucano acreditam que ela não vai interferir num possível projeto do peessedebista. Para o deputado federal Célio Silveira (PSDB), esse é apenas um momento e a distância para 2018 fortalece o argumento de que muita coisa acontecerá. “Tem muita água para correr sob a ponte. Não acredito que a crise dure muito tempo”, diz o deputado.

Paulinho de Jesus credenciou a Marconi o papel de habilidoso político. Para ele, as ações do governo têm um caráter de precaução e isso o coloca em destaque. “Marconi tem habilidade política, ele está sempre saindo de situações desfavoráveis. Tem uma visão muito apurada. Goiás dando certo é bom pra ele”, disse.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here