O lixo sobre nós

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Toda criança, e até mesmo alguns adultos, já fizeram ao menos um pedido para aquela estrela cadente que aparece  no meio da noite. Mas e se esse suposto astro celeste, que realiza tantos desejos e sonhos, não for exatamente uma estrela? Acredite, a chance disso acontecer é bem maior do que você possa imaginar, pois, segundo uma estimativa da agência espacial americana (NASA), existem mais de 23 mil fragmentos de lixo espacial com mais de 10 centímetros, e que caem constantemente na superfície terrestre.

O lixo espacial que rodeia a órbita da Terra é composto por uma infinidade de objetos, como detritos de naves, tanques de combustíveis, lascas de tinta, satélites desativados, restos de mantas térmicas e foguetes, e até mesmo ferramentas perdidas por astronautas durante suas explorações espaciais. Todos esses detritos criam uma nuvem de objetos de diversos pesos e tamanhos, desde gramas até toneladas, como é o caso dos satélites.
Todo esse grande número de destroços flutuantes começou a ser formado em 1957, com o lançamento do Sputnik, o primeiro satélite artificial enviado ao espaço. Atualmente existem mais de 2800 satélites rondando nossas cabeças, segundo estimativas da Força Aérea americana, executando as mais variadas funções. E esse número tende a aumentar cada vez mais, e o grande problema nisso é que todo satélite tem um “prazo de validade”. Quando param de funcionar, a maioria é abandonada no espaço e se transforma em lixo espacial.

Perigos
O lixo espacial representa um grande perigo, mas não para quem está aqui embaixo, e sim para satélites ainda ativos e naves espaciais tripuladas no espaço. Os detritos podem produzir desde pequenos arranhões em espaçonaves, até tirar satélites da sua órbita normal ou ainda criar danos sérios à naves tripuladas, fazendo com que astronautas corram risco de morte, como retratado muito bem no filme Gravidade, em que uma astronauta luta pela sobrevivência depois que sua nave é atinginda por diversos pedaços de lixo espacial.
Para quem está firme e forte aqui na Terra o perigo também existe, mas em um grau bem menor. Desde o início da corrida espacial, foram registrados inúmeras quedas de detritos em diversas localidades, como Estados Unidos, Austrália, África, e até mesmo no Brasil. Mas na grande maioria das vezes, esses destroços são totalmente destruídos na reentrada da atmosfera terrestre. Além disso, as chances do lixo espacial cair no mar são muito grandes, pois os oceanos ocupam mais de 70% da Terra.
Mas o grande problema da super lotação de lixo no espaço, segundo pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é que esses detritos podem atrapalhar os diversos satélites na transmissão de dados, sinais de televisão, rádio e telefone, além dos equipamentos que fornecem informações sobre o clima e o meio ambiente. Caso esse cenário continue assim, podemos presenciar em alguns anos, na pior das hipóteses, um apagão informacional em nosso planeta.

Faxina espacial
A humanidade ainda não foi capaz de produzir um equipamento capaz de recolher todo o lixo espacial. A única solução viável até o momento é direcionar os satélites para as chamadas “órbitas-cemitério”, o que seria basicamente programar os satélites para seguir uma rota orbital distante da Terra assim que seu tempo útil se esgotasse.
Mas apesar disso, existem diversas ideias, algumas no mínimo utópicas, para realizar essa limpeza. Confira algumas delas:
Redes: Sistema de redes gigantes que formaria um cesto capaz de capturar os detritos e jogá-los em direção à atmosfera, para que sejam desintegrados.
Lasers: Instalar canhões de laser em alguns pontos estratégicos e disparar contra o lixo, para desviar sua órbita para mais perto do planeta. Com isso, o lixo queimaria até desaparecer.
Fios: Cabos condutores de cobre poderiam ser acoplados a satélites desativados para que eles pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.
Espuma: Um painel de espuma seria colocado na rota dos detritos. Assim que os objetos passassem por ele, teriam sua velocidade reduzida, caindo de volta no planeta.
Braço: Uma espécie de nave não tripulada, guiada por radares e câmeras, seria equipada com braços robóticos para coletar os detritos.

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