Juntos contra a violência sexual

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Em 1973, em Vitória, no Espírito Santo, um crime chocou todo o país. A vítima foi Araceli, uma menina de 8 anos que foi violentada, morta e teve seu corpo descartado pelos agressores. Em homenagem a Araceli, o dia 18 de maio, dia de sua morte, é definido como Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Para mobilizar a sociedade no enfrentamento a qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes, a Rede de Atenção à Crian­ças, Adolescentes e Mulheres em Situação de Violência da Secretaria Municipal de Educação (SME), promoveu na última semana um cronograma de ações. A programação in­cluiu palestras, seminários, mesa redonda e atividades de conscientização em escolas e terminal de ônibus.
Dentro da programação, a Escola Municipal Grande Retiro, recebeu no dia 18 de maio, data escolhida para conscientização, uma equipe do Programa Anjos da Guarda, da Guarda Civil Metropolitana de Goiâ­nia (GCM). Mais de 500 alunos assistiram a palestra e apresentação teatral “Prevenção à violência e ao abuso sexual de crianças e adolescentes”.
De acordo com a diretora da escola, Nildilene Bárbara Marques, os professores encararam como um desafio trabalhar a temática em sala de aula. “É um assunto polêmico, mas temos a obrigação de olhar por nossas crianças e adolescentes. A atividade além de trazer a temática para dentro da sala de aula ajuda a esclarecer algumas dúvidas dos alunos, ou seja, é a escola agindo como função educadora e social”, ressalta.
Ainda segundo Nildilene, o tema enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes integra as ações de combate às violências propostas pela Política Arti­culada de Educação da Paz (Epaz). “A data do 18 de maio representa a culminância de um projeto maior que trabalhamos dentro da escola, durante todo ano”, acrescenta.
Para Karolyne Tereza Souza Santos, 13 anos, aluna do oitavo ano, o assunto é importante e os adultos não falam muito a respeito. “Quando eu era criança, meu pai sempre falava para eu não conversar com estranhos e não aceitar pirulitos doces e presentes de quem não conhecia. Mas, no geral, meus pais não falavam o porquê eu não devia aceitar”, fala a aluna.
Samuel Figueiredo de Lima, 12 a­nos, aluno do sétimo ano da rede municipal, acredita que  o tema violência sexual deve ser mais falado, tanto em casa, como na escola. “Co­mo tem consequências na vida de quem é prejudicado, principalmente nas emoções, as pessoas podem explicar mais o assunto”, destaca.

Integração
As atividades foram realizadas em parceria com as secretarias municipais de Assistência Social (Semas) e Saúde (SMS), Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (GCM), Ministério Público de Goiás e Escola de Formação de Professores e Hu­ma­nidades da Pontifícia Univer­sidade Católica de Goiás (PUC/GO).
Também integraram as ações entidades como Fórum Goiano de Enfrentamento da Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Estado de Goiás (CEDCA/GO) e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA).
De acordo com Nilda Trindade, apoio pedagógico da Rede de Atenção da SME, o trabalho preventivo deve ser intensificado. “Apro­veitamos o dia 18 de maio, para panfletar e orientar no Terminal da Praça da Bíblia, local de grande circulação de pessoas. As abordagens e o trabalho nas escolas e Cmei são significativos e orientam as famílias sobre a temática”, destaca.
Para o guarda-civil metropolitano, Robson Caldeira, quando se fala em abuso sexual contra crianças e adolescentes, o assunto é delicado. “Deve ocorrer a parceria entre Educação, Saúde e Guarda, para que o trabalho contemple de forma significativa o tema”, destaca.
A pedagoga e integrante do Programa Anjos da Guarda, Deisy Ribeiro Nunes Campos, tenta passar, por meio do teatro e atividades lúdicas, informações relevantes aos educandos, não só sobre o abuso sexual, como também drogas e violência. “É gratificante o trabalho, pois enriquece a vida das crianças e a nossa. Há crianças que contam sua realidade, choram e se emocionam durante e após as apresentações”, afirma.


Redução da idade penal

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Um dos debates envolvidos na programação de Enfren­tamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes é a redução da maioridade penal, de 18 para 16 anos. Vigília na Praça Universitária e palestras levantaram o assunto, que é polêmico entre a população brasileira.
De acordo com João Puci­nelli, da Frente Goiás contra a Redução da Maioridade Penal, desde a aprovação da PEC 171, no último dia 31 de março, na Comissão de Constituição e Justiça, da Câmara Federal, as instituições, coletivos e entidades que atuam na defesa dos Direitos Humanos têm se organizado.
“Queremos mobilizar a sociedade goianiense para o debate da redução da maioridade penal, mostrando que esse caminho apresentado para reduzir os índices de violência deixarão os jovens ainda mais expostos aos fatores de violência. O movimento do 18 de maio, de Enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, tem entrado e juntado forças ao debate também, já que interfere diretamente na vida dos adolescentes”, ressalta. (Daniela Rezende)


Denúncias

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O Disque 100 é o Disque Direitos Humanos que recebe denúncias de todos os tipos de violência. Além dele, as denúncias podem ser feitas nos Centros de Referência Especializada de Assistência Social (Creas), Conselhos Tutelares ou pelo site http://www.disque100.gov.br/.

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