Velha Guarda vence queda-de-braço

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A direção regional do PSDB deve empossar no próximo dia 14 de junho o ex-deputado estadual por dois mandatos e atual diretor de Expansão da Saneago, Afreni Gonçalves, como novo presidente do partido em Goiás. Seu principal concorrente para ocupar o cargo era o deputado federal Alexandre Baldy.
Afreni pertence à linha conservadora tucana e tem vertentes do antigo líder peessedebista Henrique Santillo e sua vitória significa o triunfo da velha guarda tucana em Goiás frente a um movimento mais jovem, enca­beçado por deputados federais, como Fábio Sousa, Delegado Waldir e Alexandre Baldy, além de alguns deputados estaduais.
Segundo o atual presidente do partido, Paulo de Jesus, o governador Marconi Perillo deve reunir seus aliados e montar a executiva do partido no próximo dia 5 de junho. Nove dias depois deve ocorrer a nomeação de Afreni como titular que co­man­dará a sigla pelos próximos anos.
Embora negue publicamente que ele já tivesse sido escolhido, Afreni Gonçalves agrada a maior parte dos prefeitos e depu­tados, ao passo que Alexandre Baldy conta com o apoio da maioria da bancada federal do PSDB, além de alguns deputados estaduais. O deputado federal Fábio Sousa disse, inclusive, que Baldy teria unanimidade da bancada, o que depois foi negado pelo deputado federal Giu­sep­pe Vecci, um dos principais ar­ticuladores da vitória de Afreni.
Por tradição, o PSDB elege para liderar o partido alguém que não tem cargos. A alegação da agremiação é que, assim, o comandante teria mais disposição e tempo para encarar as demandas do partido pelo interior. Embora nem sempre isso tenha acontecido, haja visto o caso de Antônio Fa­leiros, que comandou o partido por cinco mandatos.
A disputa entre Baldy e Afreni gerou divergências porque uma ala dentro do partido defendia que quem fosse o comandante não poderia ter mandato. Atual presidente da legenda, Paulo de Jesus disse que o partido poderia ser me­lhor conduzido por alguém que consiga se dedicar o tempo todo. “Quando tem mandato é mais difícil. Há necessidade de liderança permanente”, defende.

Desgastes
Nós últimos dias Alexandre Baldy criticou algumas medidas da secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão. Lideranças do partido negam que este tenha sido um motivo para que ele  fosse preterido por Afreni, entretanto, segundo informações de bastidores, foi, sim, este o motivo que levou Mar­coni a escolher Afreni.
As medidas de contensão de gastos afetaram diretamente o setor do qual Alexandre Baldy é bastante familiar. Na semana passada, a Tribuna trouxe uma reportagem onde o deputado federal reclamou da forma como foi alterada a data de recolhimento do ICMS da empresas enquadradas no novo modelo. Na ocasião, Alexandre Baldy disse que a secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, adotou medidas sem consultar o setor antecipadamente.

Desafios
À frente do partido Afreni Gonçalves terá alguns desafios. Um dos principais é manter a base unida. Com eleições municipais em 2016 e reforma política para ser votada, deve acontecer algumas mudanças nas quais o comandante do partido terá que se adaptar com as novas demandas, já a partir do ano que vem.
Segundo Afreni, um dos grandes desafios é buscar convergir e aumentar a rede de sustentação da base governista. “Nós vamos procurar convergir. Vamos agregar em prol do projeto do governador”, assegura o conservador tucano.
Em suas declarações, Afreni Gonçalves sempre deixa claro que o principal líder do partido é o governador Marconi Perillo. “Nós vamos buscar as forças e sempre seguir o projeto da nossa maior liderança, que é o governador Marconi”, afirma.

Sem restrições
Um dos contados para assumir a cadeira de presidente regional do PSDB até o mês passado, o ex-senador Cyro Miranda fazia parte dos que não enxergava empecilho em passar o comando para alguém que tivesse cargo ou não. “Eu particularmente não tenho restrição a isso”, garantiu.
Cyro Miranda destacou que o comandante do partido de a­gora para frente, no caso Afre­ni, deve ter a consciência de que os tem­pos são outros. A necessidade de aproximar os políticos das camadas sociais está cada vez mais evidente, à medida que a população se torna  ca­da dia mais distante da política.
Hoje à frente da Goi­ás Parcerias, o ex-senador recusou convite de comandar a si­gla no final de 2014. Além disso, segundo ele, Marconi o convidou para assumir algumas se­cretarias, mas preferiu a Goiás Parcerias. “Acho que é mais a minha cara. Tem mais a ver com meu ramo de atuação”, argumentou.

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