“A base do governo é forjada em conveniências políticas”

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O senhor está de volta à Assembleia. Qual o paralelo que faz quando foi deputado pela primeira vez, ainda pelo PP, e hoje? Há muita diferença?

Não. Há diferença de pessoas. A Assembleia vem tentando se modernizar, se transparecer. Aprovamos recentemente a criação da Comissão de Ética. Vejo institucionalmente uma melhora.

Em relação às pessoas, hoje está mais fácil fazer oposição do que naquela época?

Não digo em função dos deputados, mas é fácil fazer oposição hoje porque o governo é pródigo na produção de notícias ruins. É pródigo em falhas.

Digo isso porque na situação há vários deputados jovens, que carecem de mais experiência…

Claro que a experiência e o conhecimento são fatores positivos em qualquer atividade, mas temos que reconhecer que há jovens que têm um preparo diferenciado para o exercício da atividade parlamentar.

O trabalho da oposição vem sendo atrapalhado pela falta do Grande Expediente, o qual o sr. vem cobrando em todas as sessões? Há um interesse político na não realização dele?

Inegavelmente. Isso é uma estratégia da base do governo. Para a base não interessa o debate. Temos visto, inclusive, cobranças em torno de uma maior defesa da base ao governo. Isso é dito pela própria imprensa. Então, se houver o debate, eles terão de defender o indefensável. O governo, por meio de sua base, tenta ceifar o Grande Expediente exatamente por isso. Por isso estamos usando a tática de discutir todas as matérias, mesmo que o tema não seja da matéria em discussão.

A base também tem ficado esvaziada nas últimas sessões. Como a oposição tem visto isso?

A oposição vê com normalidade. A base do governo é ampla e ele não valoriza o deputado. Como a base é muito grande, ela muitas vezes não é respeitada sequer por secretários do governo. Já houve deputado da base que subiu na tribuna para esculhambar secretário. Isso tem desmotivado a base. A base não é forjada no amor ao projeto, mas em conveniências políticas. Se não houver articulação forte do governo, não haverá ânimo em defender esse governo.

Hoje vemos problemas no governo e o discurso é que são consequências de uma crise nacional. O sr. concorda com isso ou acredita que o governo pode fazer algo a mais para o servidor público, por exemplo?

Eu vejo como o único responsável por isso o próprio governo. E não tem nem um antecessor a quem culpar. E, por isso, usa a desculpa da crise nacional. A situação quase falimentar é consequência dos atos descabidos do governo passado. Torraram quase R$ 6 bilhões em acordo com Celg e outras coisas e não prepararam e modernizaram o Estado para o futuro. Agora não têm dinheiro.

Isso ocorre também com o governo federal?

Certamente. Venderam uma ideia que não era a realidade, tanto em âmbito federal quanto em estadual.

Hoje o PMDB está muito dividido. Como unificá-lo e fazer com que ande unificado nas próximas eleições?

Eu entendo que o PMDB só pode ter um discurso: o da oposição. Ele foi colocado pelo eleitor nessa posição, de oposição. Não pode ter outro discurso. Quem estiver fora disso, tem que pedir para sair.

Quais são os problemas que atrapalham essa união?

O PMDB vem avançando muito, mesmo com esses problemas. Na Assembleia há a união. Temos uma bancada que realiza seu papel com o compromisso com o partido e com o eleitor goiano.

Mas essa união e vista na Assembleia, mas no interior há muitos prefeitos e lideranças que não estão tão conectados com o partido…

Isso tem que ser construído com diálogo e postura firme, com uma renovação dentro do próprio partido. Não podemos permitir que um diretório de alguma cidade do interior seja um feudo. Isso está acabando e passa por 2016.

A expulsão de Júnior do Friboi também passa por isso?

Olha, nessa questão do Friboi quem mais tem que dar explicações é o Júnior. Se ele apoiou o Marconi na última eleição, como pode estar tranquilo dentro do partido, se nós fazemos um trabalho sério de oposição? Há uma situação incômoda para todos que precisa ser resolvida.

Ele deveria sair por vontade própria do partido?

Ele que teria que dizer isso. Se ele quiser se manter no partido e o partido assim o quiser, ele tem que ter uma postura e um discurso de oposição.

Hoje, se ele assumisse o discurso de oposição, teria abertura no PMDB?

Todos que quiserem e tiverem a disposição de realizarem um trabalho oposicionista dentro do programa do PMDB, têm espaço no partido. Mas agora fica difícil, pois já há um processo de expulsão.

Há uma ala do partido que defende que o próximo presidente do partido seja Sandro Mabel, enquanto outra, menor, defende Daniel Vilela. O sr.. acha que Mabel está pronto para ser o presidente do PMDB?

Todos os nomes que você citou têm condições. Mas o relevante é avaliar quem agregará mais, quem construirá a unidade… Não adianta ter um presidente que segregará. Temos que buscar um nome que una.

O sr. citou que o processo de união passa por 2016. Como resolver questões como a de Marcelo Melo, que deverá concorrer em Luziânia, mas que não sabe se pelo PMDB ou se por outro partido?

Essa é uma situação pontual que você coloca. Nós não podemos obrigar ninguém a ser candidato do PMDB. Mas sendo do PMDB nós podemos obrigar a todos que adotem a mesma postura.

 

Hoje o deputado Paulo Cezar Martins é um ponto fora da curva?

Não. O deputado Paulo Cezar Martins pouco se manifesta e eu não sei nem qual é a curva dele.

O sr. acredita que quem não tiver uma postura 100% oposicionista deveria sair do PMDB?

Quem não tiver uma postura de oposição que peça para sair do partido. Aí é um julgamento pessoal de cada um. Nós temos que acabar com isso de bater no altar e fazer acordo na sacristia. Eu não estou dizendo que este é o caso do deputado Paulo Cezar, mas não basta você ser oposição, você tem que fazer oposição.

 

O sr. é candidato à prefeitura de Formosa no ano que vem?

Eu posso dizer que o PMDB de Formosa terá candidato a prefeito. Agora, qual será o candidato, se serei eu ou não, essa é uma coisa para ser avaliada lá na frente. O que eu posso dizer que nós estamos nos preparando para o processo eleitoral de 2016.

 

O prefeito Itamar Barreto (PSD) tem encontrado dificuldades na administração. O sr. acredita que seja reflexo da crise ou algo mais?

Nós estamos assistindo que a crise ela vem acontecendo há pouco tempo. A dificuldade de gestão vem desde o começo. Acho que uma dificuldade de gestão pública. Administrar com muito dinheiro qualquer incompetente administra. A eficiência na administração pública é você otimizar nos poucos recursos para fazer deles grandes resultados.

 

Muitos problemas já são de conhecimento geral, mas quais são os principais problemas que as cidades do Entorno continuam enfrentado?

Saúde é o primeiro, Segurança Pública também é um problema. Nós temos também lá problemas com pavimentação asfáltica, nós temos problemas na área da Educação.

 

Para o sr., qual seria a gestão ideal, deveria haver um fundo, deveria haver mais participação da União dos Estados?

Eu quando fui secretário de Segurança Pública eu sugeri ao deputado federal João Campos (PSDB) para propor uma Emenda Constitucional para que parte dos recursos do fundo constitucional fossem destinados ao município e ao estado de Goiás. Então há sim uma dificuldade de natureza financeira na região. Mas não é diferente dos outros municípios.

 

Falta representatividade no Entorno, por exemplo, nos parlamentos?

Temos do Entorno apenas um deputado federal que é o Célio Silveira de Luziânia.

 

O índice de renovação de prefeitos do Entorno vai ser grande?

Se não 100%, algo bem próximo disso. Todos com muitos desgastes políticos em decorrência das deficiências administrativas.

 

O sr. sente que isso possa se espalhar também para o restante do Estado?

Aí eu teria que ter uma avaliação mais direta de conhecimento local e agora não a tenho.

 

Iris Rezende é um nome natural aqui em Goiânia?

Sem dúvida, sem dúvida, sem dúvida. O ex-prefeito Iris Rezende, caso manifeste o desejo de ser candidato, será o candidato.

 

Para vencer em 2018, o PMDB, primeiro, tem que vencer em Goiânia?

Sem dúvida. Não só por Goiânia, mas pelo maior número de prefeituras.

 

O PMDB foi derrotado nas últimas cinco eleições aqui em Goiás. O sr. participou apenas da última. Nas outras o sr. estava na base. Com essa experiência, imagina por que o PMDB tem colecionado tantas derrotas assim?

Não é só o PMDB, é a oposição. Exatamente por conta da falta de união. Essa é uma receita que não muda. Desunido os oposicionistas não vencem.

 

O sr. que já foi aliado de Vanderlan em 2010. Como o sr. vê essa aproximação dele com a base. É um erro?

Eu, particularmente, acho que isso deve ser especulação da imprensa. Eu não acredito. Pelo que caminhei junto com o Vanderlan em 2010, não acredito, eu quero ver para crer.

 

Mas o sr. não acredita que ele já vinha dando pistas que ele estava querendo seguir por este caminho? A neutralidade no 2º turno do ano passado não demonstrou isso?

Eu acho que isso tem muita especulação. Posso dizer para você que eu não acredito que Vanderlan vá para a base do governo porque seria a sua descaracterização. Ele não vai abraçar um modelo que era contra.

 

Ter hoje o apoio do PT aqui em Goiânia é ter desgaste?

Olha, o prefeito Paulo Garcia (PT) me parece que está em recuperação. O PT é um partido grande. Eu acho que se permanecer essa recuperação de imagem o PT é um importante aliado aqui em Goiânia.

 

Na semana passada nós tivemos uma informação de bastidores que o ex-governador Alcides Rodrigues poderia se lançar a candidato de Santa Helena no ano que vem. O sr. tem alguma informação?

Não tenho. Não falei com ele sobre isso. A próxima vez que me encontrar com ele, vou perguntar.

 

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