“É o mercado quem situa o preço do hortifrúti”

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Como está a Ceasa, hoje? Quais as principais que a casa tem enfrentado e de que forma a entidade contorna essas questões? Há algum apoio?

A Ceasa é uma estrutura de 40 anos. Do ponto de vista econômico financeiro possui compromissos apenas de curto prazo. Foram equacionados e pagos todos os passivos trabalhistas e tributários. Os desafios que a administração enfrenta são: equacionar seu quadro, que é bastante reduzido, e atender aos usuários que aqui frequentam, sejam compradores ou vendedores, de forma adequada e eficiente; reduzir o déficit de infraestrutura (pátios de estacionamento, vias de circulação, energia elétrica, esgoto, esgotamento pluvial e outros) sob a forma de reforma da existente ou ampliação. Estudos e projetos estão em curso para concepção de soluções que compatibilizem as demandas com a limitação de nossos recursos. Os recursos deverão ser próprios, mas contatos estão sendo feitos com instituições bancárias.

A Ceasa realizou o I Encontro de Produção Segura de Hortifrúti este ano. Qual foi o objetivo?

O Encontro de Produção Seguro de Hortifrúti com um evento em que convergiram várias entidades: Ministério Público Estadual, Ministério da Agricultura, Lanagro, Agrodefesa, Emater, Vigilância Sanitária Estadual e Municipal, Agos, etc. Seu objetivo foi de levar à cadeia de hortifrúti (comerciantes, produtores e trabalhadores) informações acerca dos riscos de saúde a si mesmos, bem como a toda população consumidora.

A Ceasa está investindo nessa questão de fazer um hortifrúti com menos agrotóxicos?

Este grupo que participou deste encontro reúne-se regularmente para discutir e implementar ações no sentido de melhorar os controles e a sanidade do hortifrúti. A Ceasa participa do grupo e, semanalmente, acompanha as Vigilâncias Sanitárias e Agrodefesa, na coleta de amostras de produtos, dentro desta central, e remete-as para análise laboratorial de resíduos de agrotóxicos. Os resultados são levados às reuniões para avaliação e acompanhamento. No caso de ocorrências de dosagens, proibições ou volumes acima do permitido, os órgãos de fiscalização são acionados para verificação junto aos responsáveis.

Qual o problema dos resíduos nos produtos de hortifrúti?

Os resíduos, dependendo da cultura, da quantidade e dos prazos de colheita, podem ser danosos à saúde humana. Temos, além disso, as pequenas culturas que não tem defensivos registrados pelas indústrias e, às vezes, são utilizados. Quando há riscos à saúde é motivo de avaliação pelos órgãos de fiscalização.

A Ceasa também está pensando em alguma ação relacionado ao mercado de produtos orgânicos? A construção do novo galpão está relacionada a isso?

É uma questão sempre lembrada. Todavia, ainda não temos espaço para destinarmos ao produtor destes hortifrútis. A construção de um novo galpão possibilitaria atendimento ao produtor rural, em especial, o familiar e acreditamos que poderemos acolher o produtor de orgânico.

Quais outras ações a Ceasa está planejando?

Planejamos, no âmbito das atividades econômicas, a ocupação de áreas com baixo nível de utilização, ampliando a oferta de áreas comerciais, trazendo produtos que não constam no mix de produtos oferecidos pelos comerciantes e pelos produtores que aqui frequentam, complementando e aumentando a oferta a compradores que aqui frequentam, ou seja, região metropolitana, interior de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Pará, Maranhão.

Poderia falar um pouco sobre a construção da estação de tratamento de esgoto?

Em curso, temos a construção de uma nova Estação de Tratamento de Esgotos. Esperamos dar nossa contribuição para a área ambiental, entregando ao invés de esgoto cru, de água em condições de lançamento em qualquer curso de água, contribuindo para a oferta de água em condições de utilização.

Como foi a participação da Ceasa na Exposição Agropecuária 2015?

Ela participou, junto à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e suas Superintendências, Emater e Agrodefesa, mostrando um pouco de seus produtos, de sua história e disponibilizando aos visitantes informações acerca dos produtos hortifrutigranjeiros que lá são comercializados. Estatísticas com volumes anuais, participação dos municípios, comportamento anual de preços, participação de produtos de outras regiões do brasil, cotações diárias de preços e várias outras informações, estas que estão disponibilizadas no site.

O presidente da SGPA, Hugo Goldfeld, assegura que sua gestão está comprometida em resgatar a participação do agricultor na entidade. Isso já está ocorrendo? Qual a expectativa?

O presidente Hugo Goldfeld, da SGPA, como nós aqui na Ceasa, está imbuído de resgatar o compromisso com o produtor rural. As dificuldades deste segmento são muito grandes. Todavia, seria prematuro afirmar, neste momento, que é de construção e planejamento de ações, sobre resultados. Eles certamente virão, porém, a partir de um futuro próximo. Mas, as reivindicações já começam a terem resultados. O anúncio do governador Marconi criando o batalhão que cuidará do setor rural é algo que traz alento ao setor que tem dificuldades em enfrentar o aumento da insegurança no campo.

Em 2014, em relação à 2013, foi registrada uma diminuição dos preços comercializados na Ceasa, a despeito do aumento do volume de vendas. Por que isso aconteceu?

Temos dificuldades climáticas, alterações que interferem profundamente no setor de produção. A maioria absoluta dos produtos hortifrútis dependem de irrigação, de solos férteis e equilibrados, de insumos e, em especial, de mão de obra, elemento que a cada dia se torna mais escassa na área rural. Estes fatores estão se tornando problemas que a cada dia se tornam mais difíceis de serem equacionados. Para fazer frente a estes problemas os agricultores tem que receber ou obter informações que resultem em maior economia e aumento de produtividade e, ao final, do processo, a oferta há de ser equilibrada, caso contrário, com todas as variáveis anteriores favoráveis, não conseguirá obter resultado algum.

A nova pesquisa do Dieese, mostrou que, no mês de abril, a cesta básica em Goiânia apresentou uma alta de 11,74%. Um dos principais responsáveis é o tomate. Por que isso está acontecendo?

Tivemos o registro de preços de, aproximadamente, em torno de R$ 100 a caixa, nos últimos dias. A origem da maior parte ofertada na central é São Paulo e Minas Gerais. Com o prolongamento do período chuvoso em Goiás, as lavouras de nossa região ainda não estão em plena produção. Alguma que já está em processo de colheita tem conseguido baixos níveis de produtividade. Este desequilíbrio entre a oferta e procura fez com que os preços se mantivessem altos. Mas, é possível que tenhamos maior oferta dentro do próximo mês. Quanto ao preço, somente o mercado poderá dizer onde irá se situar.

Poderia falar sobre o Banco de Alimentos da Ceasa?

O Banco de Alimentos é uma iniciativa de cunho social, onde comerciantes e produtores, quando tem um excedente que não consegue comercializar e atinge um ponto em que o produto não está apto ao comércio, mas serve para consumo, faz sua doação e esta é encaminhada para entidades que fazem trabalhos sociais e famílias carentes. Pela Ceasa, passam, mensalmente 80 mil toneladas de produtos. Com a escassez atual, as sobras comerciais são em volume pequeno, mas em condições normais de oferta, tínhamos um aproveitamento em torno de 50 toneladas mensais. O Ministério de Desenvolvimento Social e o Estado de Goiás estão investindo na construção e estruturação de um novo banco na Ceasa que acreditamos possibilitar receber o triplo das doações e, por consequência, o atendimento de milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar.

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