Pecuária termina com saldo positivo

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A 70ª Exposição Agropecuária de Goiânia termina neste domingo, 24, com o show da dupla sertaneja Israel e Rodolffo, fechando com chave de ouro duas semanas de sucesso. Essa é a avaliação de Hugo Cunha Goldfeld, presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), entidade realizadora do evento. Em 2015, a feira já apresentou novas características, parte das promessas eleitoreiras da nova gestão liderada pelo empresário, que assumiu a casa em novembro de 2014.

A primeira distinção foi a separação entre a exposição dos animais e a festa, propriamente dita, o que na opinião do expositor Manoel Garrote Filho, fez toda a diferença. “Foi acima do que estávamos esperando. Tivemos um crescimento de 40% em nosso leilão este ano”, afirma o pecuarista que trabalha tanto com bovinos da raça Nelore, quanto com equinos da raça Quarto de Milha. “Eu participo ativamente da feira, tanto da parte de exposição, quanto das demais atrações, como rodeios e shows”, explica.

A separação da exposição e da festa foi um dos pontos mais defendidos pela nova direção da SGPA, uma vez que a música alta e a grande concentração de pessoas à noite, acabava estressando os animais que ficavam expostos durante o dia. “É incompatível o ruído e o comportamento da festa com os animais. Eles ficam estressados, não pode fazer isso com eles”, observa o Hugo Goldfeld. De acordo com ele, esse foi um dos pontos que garantiu o sucesso da festa em 2015.

Outro fator que colaborou bastante, na opinião de Goldfeld, foi a grande participação do público, em geral, mas principalmente das famílias. “Desde o início, nossa intenção era resgatar o ambiente familiar na Pecuária. E, este ano, conseguimos isso”, comenta. De acordo com o presidente da SGPA, muitas famílias compareceram à feira este ano devido à estrutura oferecida pela casa, com uma cartela de restaurantes variados, além de atrações como o Museu do Produtor, que foi reativado este ano.

A agricultura, no entanto, ainda não obteve o espaço prometido na exposição. Eleitos como um dos públicos-alvo dessa gestão, os agricultores ficaram ainda de fora da feira, o que era de se esperar, de acordo com Hugo Goldfeld, devido à proximidade de datas entre a Exposição Agropecuária de Goiânia e o Tecnoshow Comigo, realizado em Rio Verde entre os dias 13 e 17 de abril. “Esse ano ficou muito difícil de trazer o pessoal da agricultura, como havíamos planejado. Mas, no ano que vem, com certeza, eles ocuparão lugar de destaque”, assegura.

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Conheça o Museu do Produtor

O Museu da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), instalado no Parque Agropecuário da Vila Nova, é o retrato de um passado não muito distante de criadores e agricultores no Cerrado Goiano. Ele retrata a vida destas pessoas marcada por muita labuta e a simplicidade no viver. A hierarquia no convívio social também é percebida nas relações entre “coronéis” e peões. O visitante tem acesso a um cenário bucólico com arquitetura dos anos 20 a 40. O Museu da SGPA foi inaugurado em 15 de maio de 2006. Ele é constituído da magia dos antepassados e simboliza cada espaço da “roça”, desde a fazenda até a pracinha interiorana.

Leilões

Os pecuaristas que expuseram seus animais para leilão na 70ª Exposição Agropecuária de Goiânia, saíram de lá bem satisfeitos com o resultado. Apesar da atual situação econômica que afeta diversos setores produtivos em todo o país, a arroba do boi gordo foi às alturas, resultando em bons negócios durante a feira. Os 74 lotes de equinos e muares das raças pampa e pega foram todos comercializados. No segmento de bovinos, os leilões não ficaram atrás, superando as expectativas dos expositores.

De acordo com Romildo Antônio da Costa, presidente da Associação Goiana de Nelore, os bovinos da raça cresceram 25% em número, e alcançaram valores de R$ 2 milhões. Além disso, os animais da raça tabapuã alcançaram uma média de R$ 500 mil por cabeça. Para Romildo da Costa, esta é uma prova de como a separação entre exposição e festa foi positiva. “Foi fundamental para que tudo desse certo. O número de animais aumentou e a procura também cresceu, proporcionando esse crescimento nos negócios”, alega.

Na opinião do pecuarista que também atua como expositor na feira, os próximos anos prometem ser ainda melhores. “Eu acredito que, devido a essa separação, o número de leilões tende a aumentar ainda mais, pois a distinção trouxe maior organização para os negociadores”, comenta Costa. “E, claro que os negócios foram bem, pois o setor vive um momento muito positivo, apesar da crise financeira do país. O preço da arroba está elevado, o que contribui bastante para nós”, observa.

Famílias

Na opinião de Hugo Cunha Goldfeld, presidente da SGPA, uma das maiores conquistas foi o retorno das famílias ao parque, que compareceram tanto nas exposições e leilões da primeira semana, quanto nas atrações musicais da segunda. “Conseguimos resgatar o ambiente familiar, com atrações para a família durante o dia”, afirma. Na opinião dele, um dos fatores que contribuiu para o comparecimento de pais e filhos foi o aumento da segurança. “Este ano, não tivemos imprevistos com ninguém durante as duas semanas de evento diurno”, assegura.

Uma das estratégias adotadas para atrair esse público de volta ao parque, foi a realização de um show infantil no dia 17 de maio, o musical infantil Kids Country Show com Wood e Seus Amigos. “Nunca vi tanta criança no parque, cerca de vinte mil. Foi um momento realmente único e que marca o retorno do ambiente familiar ao parque”, comemora Goldfeld. O musical, com duração de 80 minutos, aproximadamente, reúne as principais músicas infantis e sertanejas do momento, e tem a participação do personagem Wood, dos clássicos Toy Story.

O planejamento da nova gestão da SGPA apresenta os primeiros louros nesse sentido. “Todo o nosso plano era baseado em trazer o goiano de volta ao parque. Muitas pessoas haviam deixado de participar da feira, incluindo expositores, devido ao caráter festivo que a exposição adquiriu ao longo dos anos”, explica Goldfeld. Em 2015, no entanto, a queda nos preços dos ingressos e do estacionamento, estimulou a sociedade a voltar a frequentar o parque, garantindo a eficiência da estratégia adotada pela entidade.

Finanças abaladas

Nos últimos anos, a SGPA assistiu à instalação de uma crise financeira na entidade. Com a evasão de expositores na feira, que era a principal mantenedora da organização durante o ano, a nova gestão que assumiu a sociedade em novembro do ano passado viu-se numa sinuca de bico para tentar resolver as dificuldades da mesma. “Eu fiz uma pesquisa vasta antes de me candidatar ao cargo de presidente da SGPA, e constatei que a primeira medida para vencer esses problemas seria a separação entre a festa e a exposição”, afirma Hugo Cunha Goldfeld.

Mas, além dessa modificação que, na opinião do público e dos expositores tornou-se primordial para o bom funcionamento do evento anual, a gestão liderada por Goldfeld pretende realizar uma série de modificações para tornar o parque financeiramente viável o ano inteiro. “A ideia é fazer com o Parque Agropecuário funcione o ano inteiro e não somente alguns dias por ano, com a realização de um grande evento”, observa. Goldfeld esclarece que, ao longo de sua gestão, a sociedade ainda assistirá a muitas modificações na SGPA.

“Essas modificações no evento foram de suma importância para atrair o púbico, que nos retribuiu de forma equivalente comparecendo e participando ativamente de todas as atrações”, ressalta. Esta retribuição a que se refere o presidente da SPGA é a financeira, que deve ajudar a instituição a tomar novo fôlego para começar a caminhada para fora da crise. “Como vivemos apenas de doações e da arrecadação dos eventos que promovemos, nosso plano é promover mais eventos fortalecer a entidade”, comenta.

Rally da Pecuária

Outra iniciativa importante relacionada à Exposição Agropecuária de Goiânia é o Rally da Pecuária 2015 que, apesar do nome, não tem nada a ver com as tradicionais competições de veículos automotores por prêmios e títulos. Na verdade, consiste em uma viagem de 35 dias pelas principais regiões de bovinocultura do país. Em Goiás, a 4ª etapa do evento nacional teve início na última quarta-feira, 20, com a realização de uma palestra na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

O Rally da Pecuária é formado por seis equipes, somando 15 técnicos, que visitam as fazendas de gado nos estados brasileiros para coletar dados. As informações coletadas são utilizadas para fornecer um panorama da situação do setor no país. No estado, a etapa começou em Nova Crixás e terminou em São Miguel do Araguaia. O evento é o principal levantamento técnico privado sobre as condições da bovinocultura do Brasil e tem o objetivo de realizar uma avaliação completa in loco das áreas de cria, recria, engorda e confinamento de gado.

Trânsito

Uma das maiores reivindicações de quem mora próximo ao Parque Agropecuário, são as modificações que, geralmente, são realizadas no trânsito para atender o público da exposição. Além disso, há também o volume de carros que aumenta exponencialmente durante os dias da feira e o barulho, que acaba incomodando a vizinhança. “Muitos sugerem que o parque seja mudado de lugar, como forma de solucionar essas questões. Mas, eu não acredito que essa seja a resposta”, observa Hugo Goldfeld, presidente da SGPA.

De acordo com o empresário, deverão haver mudanças nas proximidades da região. “Nós já estamos conversando com a Prefeitura de Goiânia para realizar algumas modificações aqui na região”, comenta. Uma das propostas da SGPA é a duplicação das vias de acesso ao parque, o que garantiria maior fluidez ao trânsito no local, incomodando menos os moradores da região. “Já apresentamos essa proposta ao prefeito Paulo Garcia, e está nas mãos dele. Acreditamos que isso vai resolver o problema do tráfego na área nos dias de festa”, garante.

Mormo é motivo de reunião durante a Pecuária 2015

Goiás manteve o patamar de zona livre do mormo, doença que acomete animais equídeos, por quase 50 anos. Mas, a identificação de quatro casos da doença nos últimos sete meses, tiraram o status do Estado e intensificaram o debate sobre o combate ao mal, que não tem cura e é transmissível. Na manhã da última quinta-feira, 21, foi realizado um encontro do qual participaram representantes da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), SGPA, Faeg, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Goiás (Senar Goiás), entre outros.

Dentre os temas debatidos estavam a importância do cadastro dos produtores, com o intuito de mensurar o alcance da doença e determinar quais as próximas decisões a serem tomadas. O sistema já existe, mas ainda está em andamento na Agrodefesa. O primeiro caso foi registrado em outubro de 2014. O animal estava no Parque de Exposições Agropecuárias, ocasionando na interdição do mesmo por mais de 30 dias. Os outros três casos foram confirmados em Hidrolândia, Abadia de Goiás e Goiânia, desta vez no Hipódromo da Lagoinha.

O mormo é causado pela bactéria Burkholderia mallei, e não tem cura. A transmissão pode ocorrer por alimentos, água e secreções, tais como catarro, urina e fezes. Uma das grandes preocupações é que o mal pode ser transmitido entre espécies, ou seja os humanos podem adquirir a enfermidade, com sintomas semelhantes. Quando é confirmado um caso da doença, todos os animais da propriedade devem passar por exames e o local pode ser interditado. Sem cura, os animais devem ser sacrificados, queimados e enterrados.

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