Nova era na relação Paço x Câmara

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Paulo Garcia

Com a primeira votação da Reforma Administrativa aprovada pela Câmara Municipal de Goiânia, bons ventos podem soprar na relação Executivo x Legislativo. A próxima votação do projeto deve ocorrer na próxima terça-feira, 2, e não deve ter dificuldade para ser aprovado pela maioria da Casa.

Tanto prefeitura de Goiânia, quanto base e oposição não tem dúvida do sucesso na apreciação positiva da matéria. Nota-se uma mudança de postura dos parlamentares municipais no que tange as ações do executivo. Desde 2013, Paulo vinha tendo dificuldades em emplacar projetos dentro do parlamento goianiense.

Agora, no entanto, a história mudou. Por incrível que possa parecer, a derrota da base aliada dentro da Câmara Municipal, antes presidida por Clécio Alves (PMDB), deu retorno positivo. Para lideranças, o comando da Casa nas mãos da oposição forçou o Paço aproximar e tentar articulações antes ignoradas.

Um dos degraus para esta aproximação ocorreu com o Bloco Moderado dentro da Câmara. O grupo foi crucial, por exemplo, nas derrotas na votação que alterava as alíquotas do IPTU no final do ano passado. Desta vez, Paulo tenta ganhar os integrantes do bloco.

Postura

Um dos nomes do Bloco é o vereador Paulo da Farmácia (Pros) que disse à Tribuna que o Paulo Garcia os chamou para conversar acerca do tema. “O bloco é importante dentro da Câmara, visto as derrotas do IPTU. O prefeito nos chamou para discutir o projeto. Ele tem se mostrado bastante aberto”, afirmou o parlamentar.

Paulo da Farmácia citou ainda outros dois nomes importantes dentro do executivo e que estão sendo responsáveis também pelo estabelecimento destes diálogos. “Nós tivemos um discurso amplo com o Jeovalter, com o Osmar. O Bloco mudou porque houve mais diálogo”, apontou.

Posição corroborada pelo secretário de governo Osmar Magalhães. Segundo Magalhães, os diálogos estão realmente acontecendo com maior frequência e credenciam os bons ventos de agora ao fato de essa aproximação estar acontecendo. “Muitos diálogos, ele tem conversado muito, feito reuniões”, retificou o secretário de governo.

Líder da oposição na Casa por sua vez foi mais brando. O vereador Carlos Soares (PT) afirma que não houve uma mudança. Para ele, cada proposta tem seu cunho e que essa discussão é mais simples de ser realizada. “Não houve uma mudança que pode ser considerada como primordial. É que uns projetos mais complicados que os outros”, disse o líder.

A posição foi à mesma do vereador Denício Trindade (PMDB). Para o governista os assuntos que tendem a dar mais desgastes foram os que mais geraram confusão no que tange sua aprovação. “Esse projeto é diferente. Ninguém gosta de ter que pagar mais impostos. Foi o que ocorreu com o IPTU”, disse Denício.

Denício reforçou que isso não significa que o prefeito não tenha dialogado, entretando não escondeu que houve sim uma aproximação com o Bloco Moderado dentro da Casa. “Tem tido aproximação significativa neste sentido. Foi possível ver aproximação com o bloco moderado trazendo para diálogos. Isso é importante”, pontua Trindade.

Para Denício a presença dos vereadores na inauguração e na visita as obras pela capital tem sido importante nesse aspecto de aproximação. Trindade é um dos vereadores sempre vistos em visitas e inaugurações ao lado do prefeito. “Acho que isso é importante, afinal os vereadores também tem um papel importante nessas atividades”, disse.

Oposição

Para o vereador Thiago Albernaz (PSDB) a vitória e ocupação da oposição nas principais comissões forçaram o executivo municipal a ter atitudes diferentes das de antes quando o corpo da base era maioria. “Quando nós, da oposição, ganhamos as principais cadeiras aqui na Câmara foi necessário que o executivo dialogasse mais com o legislativo”, afirma.

Thiago relatou que ainda há necessidade de uma aproximação maior do prefeito com a Casa. Apontou que o prefeito ainda esta bastante ausente e que a figura de outros membros do executivo ainda é a principal. “A oposição sempre cobrou a presença do prefeito, mas até agora a articulação tem sido mesmo do Jeovalter Correia”, indica.

Anselmo

Até aqui a participação do presidente da Câmara Municipal de Goiânia o vereador Anselmo Pereira (PSDB) tem sido neutra. É o que garante o líder do governo na Casa. Para Carlos Soares, o líder da principal cadeira da Câmara não tem interferido no processo de forma contundente. “Apesar de ser um vereador de oposição, não temos tido dificuldades em relacionarmos sob o ponto de vista de discussão”, disse.

Posição reforçada pelo companheiro de legenda Thiago Albernaz. Para Thiago a oposição não tem dificultado o processo e o presidente da Casa tem tido participação discreta. “Presidente Anselmo Pereira tem sido ate aqui muito neutro nessas discussões”, ratifica.

Reforma deve ser aprovada sem dificuldades

Marcada para a próxima terça-feira, 2, a votação a outra parte da votação da Reforma Administrativa não deve ter dificuldades para ser aprovada. Os argumentos são de que a proposta foi bastante discutida com diversos os setores e que por isso não há motivos para que ele seja rejeitada.

O secretário de governo espera que ela seja aprovada, mas qualquer que seja o resultado ressalta que acatará a decisão da Câmara. “Nós estamos muito confiantes na aprovação. Mas sempre respeitado o vontade do parlamento. Tudo que foi feito foi dialogado com o Legislativo. Um diálogo permanente com a base dentro da Câmara”, defende Osmar.

Paulo da Farmácia acredita que a votação deve seguir no mesmo rumo da primeira. Na ocasião, foram 21 votos favoráveis e 10 contrários. “Deve ser mais ou menos. Acho que não vai fugir. Deve passar mais ou menos como passou e última votação”, disse o correligionário do Pros.

O vereador Denício Trindade também acredita que ela possa ser aprovada. Para ele, com os aperfeiçoamentos tudo ficou bastante claro. “Acredito que ela venha a passar. Fizemos algumas emendas na comissão. Ficou tudo muito acertado”, disse o peemedebista.

Se a reclamação de falta de tempo para apreciar foi constante em outras votações, desta vez, os aliados do Paço Municipal dizem que ninguém pode reclamar. Segundo ele, por 90 dias na Casa, o projeto deve tempo de ser analisado pela Câmara por tempo suficiente. “Não concordamos com o argumento de falta de tempo para analisar”, afirma Carlos Soares.

Denício Trindade endossou o coro do colega e argumentou que tempo para argumentar houve de sobra. “Tem 90 dias que o projeto de lei está na Câmara Municipal. Houve tempo para o debate. O argumento de que faltou tempo para analisar não pode ser considerado”, aponta Trindade.

 

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