“Não quero ser um eterno candidato ao que tiver”

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VANDERLAN CARDOSO -PSB-FOTO PAULO JOSE 28-05-15 37Tribuna do Planalto – Como tem sido as conversas em torno da fusão de PSB e PPS aqui em Goiás?

Vanderlan Cardoso – Goiás está bem na frente. Já nos reunimos e criamos a comissão para discuti-la em todos os municípios. São quatro membros dos dois partidos, com Marcos Abrão e eu à frente do processo. Estamos analisando cada município, para que quando chegue o momento da fusão, não haja nenhum problema.

Como está o panorama nos municípios?
Há alguns municípios que têm problemas, que tinham candidaturas a prefeito dos dois partidos. Mas teremos critérios em Brasília e todos os municípios terão que segui-los.

Quais são os municípios que apresentaram problemas?
São dois ou três municípios. Rio Verde, por exemplo, o PPS tem o vice-prefeito e o PSB também tem um nome forte. Mas eles já estão trabalhando em torno de um nome. Em Itumbiara, o PPS também tem um bom nome, mas estamos conversando. No Entorno do DF, em quase todas as cidades já está resolvido, exceto Valparaíso. Mas no geral está ok.

Quem será o presidente do novo partido?
Não discutimos isso. Nossa preocupação é definir as candidaturas de prefeito e de vereadores. Outubro se aproxima e o prazo de filiações chega com ele. Por isso nosso trabalho está voltado para isso.

Será um de vocês dois ou um terceiro nome?
Realmente não discutimos isso. Iremos fazê-lo mais para frente, inclusive quando a senadora Lúcia Vânia já estiver filiada ao novo partido.

A filiação da senadora já está certa?
Sim. Ela está apenas aguardando para saber se esse partido será considerado realmente um partido novo, na qual ela poderá aportar e não temer a perda de seu mandato após sair do PSDB.

O deputado Marcos Abrão deu uma entrevista para a Rádio 730 dizendo que pela parte dele e da senadora, o novo partido será de apoio ao governo de Marconi Perillo. E pelo lado do sr. e do PSB?
Nós somos independentes, mas cada município tem sua realidade. Cada um dos partidos poderá se coligar com outros partidos, como foi o caso do PSB com o Misael em Senador Canedo.

E o sr., acredita que é possível se dividir o partido em duas alas? Uma com o governo e outra independente?
Isso vai ser discutido mais para frente. Queremos que o eleitor tenha uma opção além de PSDB e PMDB.

O sr. acha que há espaço para terceira via?
Sim. Tivemos mais de 500 mil votos em Goiânia no ano passado. Isso aponta que há espaço.

O sr. é candidato a prefeito em Goiânia no ano que vem?
Posso afirmar que o PSB terá candidato. Temos o Elias Vaz, o presidente do PPS, Marcos Abrão, e meu nome. Vamos dialogar. Hoje mesmo conversamos com o PV. Estamos falando com todo mundo.

Mas é um projeto do sr.?
Mas não depende apenas disso. Não adianta ter vontade se não tivermos apoio de outros pares.

Esse apoio depende do sr., somente?
Depende de todos. Dos companheiros que estarão do nosso lado, que estão conversando… Precisamos ganhar mais corpo. Estamos ganhando com a chegada de Lúcia Vânia e de Marcos Abrão.

O sr. se encontrou com o governador recentemente. Como foi esse encontro, o teor da conversa?
Nós nos encontramos como políticos. Jantamos juntos e como nos sentamos para conversar, denotou uma aproximação. Falamos sobre vários cenários, mas o principal foi um apoio em um possível 2º turno, já que a base terá candidato em Goiânia.

Então é difícil a base ou ele apoiar uma possível candidatura do sr. no 1º turno?
Sim. Acho muito difícil. A base terá quantos candidatos? Três, quatro? E nomes bons.

Vocês buscarão diálogos com outros partidos da base?
Sim. Falamos com o PP, do vice-governador José Eliton, e com o PV, do Eduardo Zaratz, que fazem parte da base. Também falamos com Rubens Otoni (PT), com João Gomes (PT) e Edward Madureira (PT). O momento é de diálogo.

As suas duas últimas campanhas foram de oposição, com críticas ao governo estadual. Essa aproximação com o governador não poderá causar uma confusão no eleitorado do sr.?
Não. Essa aproximação não denota uma mudança de ideia e de posicionamento.

O sr. mantém as críticas?
O meu posicionamento não mudou. Muito do que mostramos de problemas na campanha está acontecendo agora. Se tivéssemos acertado uma composição com a base, você poderia dizer que eu mudei o discurso. Mas não fizemos isso. Não temos cargos na prefeitura de Goiânia e nem no governo de Goiás. Estamos conversando com todos.Se eu não dialogo, me criticam por não conversar. Se eu dialogo, me acusam de ir para a base. Conversei com o governador, mas não há compromisso com a base governista.

E com PMDB tem havido conversas?
Sim. Tenho falado com o ex-deputado Sandro Mabel, com o deputado federal Daniel Vilela, com o prefeito Maguito Vilela… Temos conversado sim, com uma parte do PMDB. O meu caso é que eu apanho dos dois lados. Se falo com o PMDB, a base reclama. Se falo com a base, o PMDB reclama. É difícil (risos).

O sr. acredita que o PMDB possa apoiar uma candidatura do sr. em detrimento, por exemplo, da de Iris Rezende que já é um nome lançado para uma candidatura?
Não. O PMDB terá candidato. É difícil o PMDB apoiar um candidato do PSB. Tenho que ser realista.

Como será enfrentar Iris Rezende onde ele tem boa aprovação?
Nós não podemos escolher adversário. Se a gente for escolher adversário, por exemplo, eu escolheria minha mãe. Não tem campanha fácil, não tem campanha ganha e não tem campanha perdida. Se eu for o candidato no PSB, vou para uma campanha como fui nas outras, com propostas.

O que Goiânia hoje necessita mais?
Planejamento. Com planejamento você faz uma boa gestão. Com uma gestão em cima de um planejamento você vai ter uma saúde melhor, uma educação melhor você vai ter um trânsito melhor. E em Goiânia não esta sendo feito nem isso.

Essa atual administração falhou nesse sentido?
Acho que pensou muito no político e faltou muito no técnico. Ao se trabalhar muito no político você deixa o técnico, deixa as ações e aí falta o planejamento. É uma cidade suja, esburacada, escura e abandonada.

Qual a avaliação que o sr. faz desse primeiros seis meses de governo estadual?
Posso dizer a você que não é o que a população esperava. Muitos compromissos foram feitos na campanha e a gente esta vendo muitas dificuldades em honrar esse compromisso. O povo esta esperando resgatar esse compromisso. Todos nós goianos estamos esperando.

Em relação a Senador Canedo, o candidato é mesmo Misael Oliveira (PDT)?
Misael está com muitas obras, tem trabalhado. Esta buscando junto à população viabilizar sua candidatura. Viabilizando, com certeza será o nosso candidato. Vai depender mais dele.

Essa dificuldade dele tem mais a ver com o perfil dele?
Ele foi vereador e deputado estadual. O Executivo é um pouco diferente. Demorou um pouco a assimilar, mas está assimilando bem. A gente vê que ele está se esforçando, em contato mais com a comunidade e deixou de ouvir as picuinhas.

Se ele se viabilizar, ele é o candidato do sr.?
Ele é o nosso candidato. Só depende dele.

Nós tivemos no Congresso a rejeição de vários modelos de eleição parlamentar – distrital misto, distritão, de lista… Qual é a opinião do sr. em relação ao formato de eleição proporcional e também dos outros itens, como financiamento público, eleição a cada cinco anos, fim das coligações proporcionais?
Eu sempre defendi que a reeleição é danosa para o país. O sujeito é eleito num dia e no outro dia ele já trabalha pela reeleição. Eu defendo cinco, seis anos no máximo, sem direito a reeleição. Se falou tanto em reforma política e o que a gente viu agora foi um fisco. Minha defesa é que unifique a eleições, o eleitor tem que ir só uma vez de cinco em cinco anos ou de seis em seis anos. Uma votação só.

Em relação ao financiamento público?
Eu não concordo não. O sujeito já paga por tanta coisa.

Mas hoje não sai muito mais caro, já que há o problema de caixa dois e financiamento privado de empresas que depois vêm pedir favor?
Não é o financiamento público que vai resolver isso. Você tem que obedecer as leis.

Em quais municípios o novo partido deve ter candidatura competitiva?
Devemos ter candidaturas competitivas entre 50 e 60 municípios. Pode até ter mais com essa vinda do PPS.

Quais são as prioritárias?
Rio Verde, Valparaiso de Goiás, Novo Gama, Anápolis e Luziânia, além de Itumbiara, com a vinda do PPS do Gugu Nader, já que nós não tínhamos candidato lá e Catalão. Teremos ainda em Águas Lindas, em Posse, que é uma cidade importante, e em Santa Helena, com o Dr. Alcides Rodrigues (PSB) ou com o filho dele.

O sr. acredita que o ex-governador possa ser candidato?
Eu não conversei com ele, mas provavelmente na semana que eu estarei com ele e já tenho essa resposta para te dar. Se ele já tiver decidido.

Mas deve ser alguém da família?
Pode ser o João Alberto, filho dele.

Anápolis é um campo aberto para a terceira via?
Pode ser. O nosso partido ali ele é bem estruturado. Partido que quer crescer tem que ter nomes querendo disputar.

O sr. pensa em tentar uma vaga para Câmara Federal, enfim, ter um mandato parlamentar nas próximas eleições?
Acho que cada macaco no seu galho. Eu não me vejo no Legislativo. Talvez eu ocupasse o lugar de alguém que poderia fazer mais. Eu gosto mais de pegar e fazer. Você pegar um campo aberto e fazer obras, abrir estradas. E também eu não quero ser um eterno candidato ao que tiver.

A tendência é ter mais um mandato de executivo mesmo?
Do Executivo ou de onde a gente se adequar melhor. Tem gente que sai do legislativo e vai para o executivo e têm problemas. Outros já não têm, se encaixando bem. Mas não é o meu caso ir para o Legislativo.

 

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