Base aliada no rumo de múltiplas candidaturas

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Uma frase do governador Marconi Perillo (PSDB) dita na ocasião de posse do novo presidente metropolitano do PSDB, Rafael Lousa, no domingo, 31, chamou atenção do cenário político goiano no início da última semana. Ao declarar que a candidatura do PSDB à prefeitura de Goiânia era “inegociável”, o governador deixou claro que não vai abrir a guarda e ceder lugar para outro partido da base no próximo pleito. A pressão não comoveu os aliados, que mantêm seus planos de terem candidatos próprios na capital. Com isso, a base descarta a união e caminha para o lançamento de vários candidatos no pleito de outubro do ano que vem.
Importantes na base de sustentação do governo, pelo menos cinco dos 16 partidos que compõem a base governista tentam também emplacar um nome ao Paço. Sob a o argumento de ter sempre cedido lugar aos aliados, os correligionários tucanos dizem que dessa vez é a hora deles entrarem de vez na disputa por Goiânia.
A afirmação do governador  e o posicionamento do PSDB acirram ainda mais a disputa entre os partidos da base aliada em Goiânia e afasta ainda mais a possibilidade da tão sonhada unidade. O PSD, por exemplo, mantém o posicionamento e lançará candidato no ano que vem. O PTB, de Jovair Arantes, deu a entender que a declaração de Marconi não o fará deixar de lançar candidato na capital. O PPS também já adiantou que lançará candidato e que este poderá ser mesmo Vanderlan Cardoso (PSB), já que os dois partidos irão se unir.
Apenas o PP de José Eliton e Roberto Balestra tem um discurso em favor de uma candidatura do PSDB em Goiânia. Os líderes pepistas disseram que já foi ajudado demais e que não deverá lançar candidato. Eliton, inclusive, já declarou apoio a Jayme Rincón (PSDB).
A dificuldade política dos aliados em Goiânia não se resume à união da base. Há insatisfação grande dentro do próprio PSDB. Lá existe questionamentos em torno de uma possível preferência pelo nome de Jayme Rincón. Um presumível “jogo de cartas marcadas” desagrada partidários tucanos, em especial a bancada federal do partido, que quer lançar um nome para a disputa (leia mais abaixo).

Ironia
Em viagem ao Oriente Médio, o deputado federal Jovair Arantes (PTB) atendeu a reportagem e comentou a declaração de Marconi. Para ele, o momento ainda é precoce, mas deu a entender que o partido não vai deixar de participar do embate. “É inegociável para o PSDB. Decerto o PSDB vai sozinho, né?”, ironiza.
O parlamentar petebista frisou que eleições municipais e estaduais são contextos distintos no que diz respeito a base governista. Contudo, ressaltou que o bom senso tem que existir. “Esse negócio de base é mais para candidatura ao governo. Candidatura de município cada um segue seu rumo. Agora, o bom senso recomenda que se unam”, cutuca Jovair.
A deputada federal Flávia Morais (PDT) também vê que a frase do governador pode causar efeitos negativos, mesmo que a parlamentar não tire do PSDB o direito de de valorizar. “Como governador, acho que ele devesse valorizar a base que sempre ajudou a se eleger, mas como pessoa defendeu o partido dele”, posicionou-se.
Flávia Moraes também enxergou na frase de Marconi um outro viés. Fora da disputa pela prefeitura de Goiânia por mais de 20 anos, a parlamentar analisou que isso talvez tenha sido uma forma de motivar a militância do PSDB. “Vejo que foi uma forma de motivar a militância. Mostrar a força do partido. De motivar uma possível candidatura”, declara. Ou seja, acredita que o governador tenha “jogado para a plateia” e que pode rever a situação de “inegociável” da candidatura tucana.

Candidaturas mantidas
O PSD até aqui tem três nomes que já demonstraram que querem competir. Citados costumeiramente pelo presidente do partido Vilmar Rocha (PSD), os deputados estaduais Francisco Junior (PSD), Virmondes Cruvinel (PSD) e Lincoln Tejota (PSD) já se declararam candidatos.
Secretário de Marconi Perillo e aliado de primeira hora do tucano, Vilmar Rocha demonstra naturalidade ao analisar o cenário. Para ele, apesar de ter em seu partido três nomes que querem concorrer, observa que todos os partidos tem o direito de fazer o mesmo. “É natural, é ótimo. Todos os partidos têm que colocar mesmo”, disse.
Mesmo que Vilmar diga que o PSDB possui direito de lançar nomes e de o governar declarar que a candidatura tucana é “inegociável”, o presidente do PSD nega que o seu partido desistirá de ter candidatado.”Mantenho a intenção de lançar candidato”, diz Vilmar, mostrando que o PSD poderá ter outro caminho do que o PSDB na capital.
A deputada federal Magda Mofatto (PR) observa o pronunciamento de Marconi com naturalidade. Apesar de seu partido ter o desejo de pleitear o Paço, a declaração do governador foi vista por ela como uma tentativa de fortalecer o partido. “Qualquer partido tem o direito de pleitear visando o crescimento da legenda”, disse.
Magda observa que neste momento é correto dizer frases com esse cunho, entretanto não há um nome que possa ser consenso e que, para essa decisão, deve-se esperar. “Eu vejo que cada um pode pleitear. Hoje, as declarações estão corretas, mas a decisão vai ser tomada no final de julho”, ponderou.
Para ela, mesmo com esse discurso, o fato não deve causar atritos junto a base governista, muito embora a tendência que se vislumbra seja essa. “Acho que não deve ter desgastes. Mas as discussões ainda vão se afunilar. Cada partido vai procurar lançar seus nomes”, indica.

Conformado
Liderança tradicional na bancada do PP em Brasília, o deputado federal Roberto Balestra (PP) foi o mais tranquilo ao analisar a situação de disputa pela prefeitura de Goiânia. Para ele, se tem um partido que não pode reclamar da fala de Marconi é o Partido Progressista. Sua fala corrobora com a do presidente do partido, vice-governador José Eliton, que já declarou apoio a candidatura de Jayme Rincón.
Concorrendo pela prefeitura de Goiânia duas vezes dentro da base governista com o deputado federal Sandes Junior (PP), o partido não atingiu o objetivo de chegar ao Paço. Agora, ao analisar o cenário, Balestra foi compreensivo. “Eu acho justo. O PP não pode reclamar. Já teve o apoio diversas vezes com o Sandes. Acho que é obrigação do PP apoiar o PSDB”, afirmou.
Balestra sai em defesa de Marconi por enxergar que o partido tem o legítimo direito de concorrer uma vez que já abriu o espaço, mesmo com o PSD querendo lançar nome para a disputa. Para ele, o partido já está bem dentro da base e deve ceder. “É uma questão apenas de entendimento. O PSD recebeu um apoio muito grande. Está sendo contemplado com uma importante secretaria. Ano passado recebeu apoio para o Senado, então está bem”, declara Balestra.
Sobre a possibilidade de concorrer novamente, o parlamentar foi bem sensato. “Muito difícil. O mais recomendável para nós talvez fosse uma vice”, analisa.


Contra “direcionamento”, federais tucanos ameaçam deixar partido

 

 

A suposta preferência que o presidente da Agetop Jayme Rincón (PSDB) estaria tendo dentro do partido e do governador Marconi Perillo para ser o candidato tucano à prefeitura de Goiânia tem causado profundos descontentamentos em alguns deputados federais do partido. Os deputados João Campos, Fábio Sousa e Delegado Waldir questionam a forma como o processo está sendo conduzido dentro do partido. Juntos, os três deputado federais representam 242.032 eleitores em Goiânia. Por tudo isso, reclamam que querem participar do processo e não descartam abandonar o PSDB.
Apesar de nunca ter ouvido de Marconi que Jayme Rincón seria o preferido do governador, muito se fala sobre essa possibilidade na bancada tucana em Brasília. O deputado federal Fábio Sousa  pede cautela com relação a esse processo. “Tem outros nomes, João Campos e Waldir Soares. Não pode impor nomes”, defende.
O deputado federal delegado Waldir Soares apoia o companheiro e foi enfático ao dizer que o conjunto precisa participar da escolha. “Nós queremos participar do processo de escolha. Não só nós, mas todos, vereadores, deputados federais e estaduais. A nossa preocupação é essa”, disse o delegado.
Waldir Soares enxerga um direcionamento para que o nome de Jayme Rincón seja o escolhido. “Me parece que existe um direcionamento para o Jayme”, diz. Segundo Waldir, a quantidade de votos que tanto ele quanto Fábio Sousa e João Campos conseguiram não pode ser desconsiderado. “Todos nós tivemos votos nas urnas”, ratifica.
Ainda segundo Waldir Soares, seria um suicídio eleitoral desconsiderar este potencial. “Não se pode desperdiçar o potencial de votos  do delegado Waldir, do João e do Fábio”, aponta. Segundo ele, apesar desse direcionamento continuam tentando ganhar espaço. “Todos os deputado estão trabalhando mesmo sabendo que existe uma pré-escolha”, finaliza.
Analisando que as eleições de 2016 é a base do processo e­lei­toral de 2018, o parlamentar pediu critérios e consciência na es­colha. “Nós sabemos que uma eleição serve de base para outra. É preciso que tenha um nome forte para competir, por exemplo, com Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (PMDB)”, afirma.
De olho no projeto de dirigir Goiânia Fábio Sousa endossou o coro de Waldir Soares. O parlamentar quer transparecia e pediu métodos de pesquisa no processo de escolha. “Acho que a escolha deve ser com pesquisa qualitativa e quantitativa. Tem que ser pessoa do passado limpo e que conhece Goiânia”, observa Fábio.

Saída
Caso não seja esse o caminho a ser seguido pelo PSDB, tanto Delegado Waldir quanto Fábio Sousa não escondem o risco de sair do partido. “Se for um jogo de cartas marcadas não tenho dúvida que há esse risco. Sou muito identificado com o PSDB, conheci muita gente inteligente aqui na Câmara, mas há risco”, diz Sousa.
Delegado Waldir ratificou o companheiro e afirmou que não só Fábio Sousa e ele, mas todos que se sentirem desprestigiados e ficarem de fora do processo que deve escolher o candidato. “Não só eu, mas como os outros deputados federais e estaduais que querem participar. Deve haver uma escolha baseado em pesquisas”, disse.
O presidente do PSDB Paulo de Jesus destacou a competência de Jayme, mas colocou no páreo Delegado Waldir, João Campos e Fábio Sousa. Ratifi­cou que de fato o partido vai lançará candidato nos principais municípios do Estado. “Vamos disputar Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis”, confirma.
Sobre o risco de seus correligionários deixarem a legenda como consequência do processo de escolha para se lançar em Goiânia, Paulo pediu empenho e rechaçou que haja imposição. “Em política não existe imposição. Existe articulação. Política se faz em conjunto. Não é só ter vontade. Sua vontade ter que ser construída”, emenda. (M.B.)

 

 

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