“Os cortes da reforma doeram muito e ainda doem”

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CELIO SILVEIRA-SEDEL-FOTO PAULO JOSE 1195 6Como o senhor acompanhou as discussões em torno da reforma política, principalmente acerca do fim da reeleição e da manutenção do financiamento privado de campanha?

A reforma foi mais uma decepção da classe política e da população em relação à Câmara Federal. O presidente da Casa (Eduardo Cunha, PMDB-RJ) errou muito na condução dela. Ele vetou praticamente todos os trabalhos da comissão que estava viabilizando os estudos da reforma. Quando ele viu que as coisas não caminhavam da forma com que ele e seus aliados queriam, ele gelou a comissão e não votou seus relatórios. Houve muita indignação com ele e isso acabou com a reforma. O PMDB se dividiu e a oposição apresentou muitas queixas contra ele. Ficamos decepcionados. Acaba-se com a reeleição e agora temos que ver qual será o tempo de mandato. Creio que seja de cinco anos.

Por que o sr. acha que o presidente agiu dessa forma?

Certamente deveria ter alguma coisa que a comissão iria apresentar que não era do interesse dele. Ele alega que foi por questão de tempo, mas foram os interesses. Atropelaram tudo e muito pouca coisa irá mudar.

O sr. citou o mandato de cinco anos. Acredita também que haverá coincidência nas eleições ou não?

Não vejo vantagem nisso. O Brasil com essas dificuldades que passa poderia ter isso como uma economia, a realização de apenas uma eleição, mas eu acredito que duas eleições distintas dá a possibilidade do povo se manifestar e também de oxigenar a política. A coincidência tira isso das pessoas que ainda acreditam nas eleições. Já acreditei em coincidência de eleições, mas hoje não acredito mais. Quanto aos cinco anos, enquanto não me convencerem do contrário, creio que votarei no mandato de cinco anos sem reeleição.

O sr. acredita que estas duas propostas irão passar?

A dos cinco anos, eu tenho visto que tem uma tendência favorável, embora a Casa seja muito pluralista e os deputados estejam indo muito em torno de suas opiniões pessoais. Já em relação à coincidência, não vejo muita tendência a favor, não.

Como o sr. vem acompanhando o momento vivido pela região do Entorno de Brasília?

Vejo a situação dos prefeitos muito grave. 80% deles não se reelegerão. Hoje talvez até mais. Os prefeitos reclamam muito da questão financeira, mas nenhum deles teve folga em momento algum. Eles têm que saber gerir e muitos deles não são bons em gestão. O problema não é somente financeiro. Muitos prefeitos em Goiás passam por isso, mas estão bem. Essa conversa de crise não justifica. O Entorno foi abandonado por muito tempo, e só começou a melhorar em 1998, com Marconi Perillo. Depois veio Alcides Rodrigues, que não fez nada por nós. Por fim, voltou Marconi, agora com dificuldades financeiras e ajudando como pode. Para melhorar o Entorno eu sugiro fazer tudo separado para nós. Tínhamos que ter nosso próprio comando militar da região, uma subsecretaria de Saúde e de Educação do Entorno, dentre outras coisas.

A maioria dos prefeitos do Entorno estão no primeiro mandato. O sr. acredita que mais de 80% não se reelegerão?

Sem dúvidas. Quando falo isso, muitos ficam perplexos e muitos prefeitos ficam chateados, mas eu trabalho com pesquisas quinzenais. Os prefeitos não darão contas de se reeleger. Não há grandes obras estruturais na região. Além disso, compromissos de campanha não foram cumpridos. Muitos, para ganhar, prometeram demais e hoje estão cumprindo de menos. E este não é perdido. O governo federal não irá repassar dinheiro para as prefeituras e isso vai refletir no próximo ano.

O prefeito de Luziânia, Cristóvão Tormin (PSD) se encaixa nessa realidade?

Com certeza. É um dos piores prefeitos da região. Te mostro três pesquisas que ele bate na casa dos 80% de rejeição. Ele prometeu muito e não cumpriu. E nunca assumiu a culpa. Dizia que era culpa do governador, da presidente… A realidade de Luziânia é terrível. As ruas estão esburacadas, abandonadas…

Qual a prioridade hoje na cidade?

Luziânia tem várias prioridades, mas sugeriria ao próximo prefeito criar uma guarda municipal para a cidade, uma que tenha autonomia para trabalhar em parceria com a PM do DF, colocando guardas no centro e na periferia da cidade. O grande problema é Segurança Pública. Na Saúde também teria que se construir mais. São dois hospitais regionais que não dão conta da demanda. A saúde é uma questão gravíssima e ai não só pegaria a região de Luziânia, mas de todo o Entorno, a questão do transporte coletivo que faz as pessoas sofrerem todos os dias. Já fui na ANTT me prometem que vai licitar, mas não licitam.

O Marcelo Melo é o candidato do grupo de vocês lá em Luziânia?

Marcelo Melo (PMDB) hoje é um candidato que trabalha muito, tem a simpatia do grupo e está caminhando para que ele seja o candidato. Vai pegar um grupo muito forte de vereadores de oposição. Tem o meu apoio, mas nós queremos ver um programa para a cidade de Luziânia. É uma pessoa que tem experiência e que pode tirar Luziânia do marasmo que ela está hoje.

Passa pela mudança de partido dele?

Ele tem falado para nós que vai mudar de partido. Está analisando as propostas que tem chegando para ele. Hoje a gente vê uma tendência do Marcelo Melo ir para o Pros, do Eurípides Junior.

Mas há uma pré-condição dele precisar mudar de partido para ser candidato?

Hoje o grupo tem essa pré-condição dele mudar de partido porque não faz sentido a gente ser aliado do grupo do governador Marconi Perillo e apoiar um candidato de um partido que faz uma oposição muito cerrada, que é o PMDB.

Em quais outras cidades do Entorno que o sr. vai apoiar, que o PSDB pode lançar nome?

Olha, Valparaiso a situação da prefeita (Professora Lucimar, PT) é muito complicada. Lá o nome bem consolidado é o da secretária Lêda Borges (PSDB), que fez uma boa gestão quando foi prefeita. Mas o que eu vejo dela é que ela quer continuar como secretária. Mas isso a gente resolve. Em Cidade Ocidental a situação da prefeita (Giselle Araújo, PTB) também é uma coisa horrível, mais de 80% de rejeição. Lá tem o ex-prefeito Alex que tem um grupo muito forte. Em Novo Gama a gente vê a ex-deputada Sônia Chaves (PSDB) que cresce a cada dia. Em Santo Antônio do Descoberto o grupo do prefeito Moacir Machado, o grupo do ex-vereador Pezão também crescendo muito. Em fim, eu vejo muitas lideranças que ficaram fora, mas que devem voltar.

 E Águas Lindas?

Águas Lindas é um lugar que a gente vê que não está tão ruim igual os outros. Embora nas pesquisas a gente vê dificuldades também. Águas Lindas talvez seja das cidades do Entorno a que mais sofre influência do Distrito Federal porque a população trabalha no Distrito Federal. Se algum nome vier forte vier de Brasília com o apoio dos empresários pode trazer complicações para o Hildo Candango (PTB). Não tem eleição fácil, mas no Entorno deve ser muito difícil.

O José Eliton (PP) é um candidato natural ao governo em 2018?

Normalmente a tendência é essa, não? A pessoa com a caneta na mão se tiver competência, determinação, se tiver paciência para conversar com quem tem o voto, que são os deputados, os prefeitos, os vereadores, terá chances. Mas não acredito que tenha candidatura natural. Candidatura é aquela do cara que trabalha, que dá assistência, que se preocupa com os companheiros, que quer ajudar os companheiros. Candidato bom é esse que trabalha muito, que viaja muito, que conhece as pessoas das cidades pelo nome. Não é a pessoas achar que vai sentar na cadeira que é o candidato.

Sem a possibilidade de reeleição do governador Marconi Perillo, a base corre o risco de enfraquecer?

Olha, é difícil dizer isso. Aqui em Goiás só o Marconi tem a capacidade de manter a base unida, coesa ao seu lado. Certamente tem outras pessoas que querem ser candidatos que acham que estão na frente na fila e isso pode causar fissuras na base. Então tudo depende do posicionamento do governador Marconi Perillo.

Em relação à questão do diretório regional do PSDB há uma informação de que o ex-deputado Afrêni Gonçalves tem realmente essa preferência, está bem encaminhado, mas também há uma ala dos que defendem um deputado federal. Qual que o sr. defende?

Eu defendia a questão do deputado federal, que seria bom para a oxigenação do partido. Mas isso trouxe algumas divergências e nós não queremos dificuldades no partido. Nós vamos esperar um posicionamento do governador, mas vejo que não foi um bom caminho para o PSDB. Acho que deveria ter mais conversa, mais convencimento. Nada na vida você deve impor para que não haja insatisfação.

Em relação ao governo estadual, a gente vê muitas obras inacabadas, vê uma dificuldade que também é uma dificuldade do país, da presidente Dilma. Como sr. acredita que o governador deva fazer para sair dessa condição?

Mesmo cortando na nossa carne – Marconi tirou espaço de companheiros que ajudaram a elegê-lo – eu acho que ele está tomando medidas certas. Ele saneou o Estado, tem acompanhado muito bem o crescimento da folha de pagamento. As medidas estão certas. Eu acho que o que ele tem que fazer agora é esperar um melhora no país. Ele tem que aguardar uma melhora. O Levy tem tomando medidas duras que afetam a população. Eu tenho certeza que ele vai conseguir concluir a obras. Confio muito na capacidade de gestão do Marconi. O povo goiano foi sábio ao reelegê-lo.

Os deputados e lideranças entenderam esse corte na carne?

Sentiram muito. Os cortes da reforma doeram muito e ainda doem, tem cicatrizes. Tivemos que entender. A gente entende porque talvez hoje ele não estaria conseguindo pagar a folha. Ficamos com dor e às vezes não fecha a cicatriz. Acho que o Marconi está pensando sempre no melhor para Goiás. É um governo que ele vai fazer para entrar na história para fechar um ciclo. A gente tem que entender.

Isso de alguma forma pode prejudicar a base dele para eleição municipal?

Olha, eu acho que não. Está longe ainda. Este ano ele se recuperando, ano que vem ele vai fazer investimento.

 

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