Incluir o ensino de inglês na Meta 6 da Unesco e alcançá-la é fundamental para o desafio de internacionalizar o ensino superior do Brasil

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É consenso na comunidade acadêmica global que a presença de alunos e professores estrangeiros em universidades enriquece não só o ambiente de ensino, mas a própria cultura de um país como um todo.
Os estrangeiros trazem um repertório diversificado de ideias, mostram soluções encontradas de forma diferente para os mesmos problemas, revelam experiências sociais e históricas distintas e uma série de contribuições capazes de ajudar na evolução dos países para onde se deslocam em áreas como saúde, negócios, inovação e ciências como um todo.
O Brasil não pensa diferente e deseja se aproveitar deste relacionamento, mas tem encontrado muita dificuldade em atraí-los basicamente por uma razão: Poucas instituições possuem profissionais capacitados para lecionar em inglês.
Números do Ministério das Relações Exteriores mostram que entre janeiro e agosto do ano passado foram emitidos 11.341 vistos temporários para estudantes estrangeiros, o que significam 760 pessoas a mais do que o registrado no mesmo período de 2013. Mesmo assim as informações da Unesco revelam que o Brasil ainda perde para todos os países do BRICS, grupo que inclui Rússia, Índia, China e África do Sul, na hora de receber estudantes internacionais.
Mas como podemos entender esta última colocação e a razão apontada para que ela aconteça diante de um cenário que aparentemente não deveria nos conduzir a este resultado? É fato que a maioria das escolas particulares ensina o idioma inglês. A educação pública também tem a língua como obrigatória no currículo escolar. Além disso, as redes especializadas se proliferam levando o mercado de escolas de idiomas a figurar entre os que mais crescem no segmento de franquias.
Com tamanha abundância de ensino, porque não temos docentes capacitados a ensinar em inglês? A resposta pode ser dada pela própria Unesco. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura divulgou recentemente um estudo sobre o cumprimento de metas estabelecidas para os países há 15 anos. Entre os seis objetivos traçados, o Brasil alcançou apenas dois e talvez o que esteja mais longe de ser alcançado seja a Meta 6. Ela estabelece a necessidade de ‘melhorar a qualidade da educação e garantir resultados mensuráveis de aprendizagem para todos’.
Se o Brasil não chegou a patamares mais próximos, como ‘Alcançar uma redução de 50% nos níveis de analfabetismo de adultos até 2015’, que é a Meta 4, como esperar que já tivesse chegado à Meta 6?
Mais surpreendente ainda seria se a Meta 6 tivesse sido alcançada no tocante ao ensino da língua inglesa. O fato de não possuirmos pessoas capacitadas a lecionar neste idioma só comprova o que se pode verificar na prática. Os colégios não investem em contratar know how didático especializado para ensinar inglês. Os projetos pedagógicos em sua grande maioria têm como prioridade as questões comerciais. Os professores que lecionam inglês não conhecem o idioma e não tem preparo didático, para isso. As faculdades não preparam didaticamente seus alunos e com frequencia os cursos de formação de professores são em português.
Romper com este ciclo é fundamental. É necessário se certificar de que aquilo que foi ensinado foi realmente aprendido. Só a inclusão do inglês como uma das prioridades nos esforços de melhorar a qualidade da educação no país tem condições de fazer isto. É responsabilidade de cada gestor educacional refletir sobre esta questão: O seu curso tem a intenção realmente de ensinar inglês, ou é um curso apenas para inglês ver?

*Adriana L. Albertal é diretora da Seven Educacional, área da Seven Idiomas que implanta programas bilíngues certificados por Cambridge English em colégios e universidades.

 

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