Discutindo relações

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Durante anos, o PT e o PMDB goianos foram adversários ferrenhos na política regional. Nas décadas de 80 e 90 do século passado, o PMDB detinha o poder no Estado e o PT era oposição, assim como o PSDB, PFL, PTB, PPB e outros. Neste período, o PT disputou todas as eleições para o governo do Estado, pois se tinha grandes diferenças com o PMDB, também não via nos outros partidos de oposição a possibilidade de formar uma parceria eleitoral. O partido, então, era a chamada Terceira Via da política goiana.
Este quadro começou a mudar no final dos anos 90, quando a base aliada (PSDB-PTB-PPB-PFL-PSDC) venceu as eleições de 1998 e pôs fim ao domínio peemedebista no Estado. O início dos anos 2000, porém, ainda foi marcado pelo confronto entre PMDB e PT, mas a intensidade foi diminuindo. Em 2002, o PT lançou a ex-deputada Marina Sant’anna para o governo, contra o ex-governador Maguito Vilela (PMDB), mas o adversário mais forte de ambos era o governador Marconi Perillo (PSDB) que tentava a reeleição. Em 2004, houve o grande confronto entre PMDB e PT em Goiânia, com a vitória do ex-governador Iris Rezende (PMDB) sobre o então prefeito da capital Pedro Wilson (PT).
A partir daí, o comando de Iris Rezende na capital e as suas atitudes políticas fizeram com que PT e PMDB se aproximassem. Primeiro, porque ambos tinham um inimigo em comum – o PSDB. Segundo, devido à necessidade que Iris tinha em se aproximar do governo federal, nas mãos de Lula. E também porque Iris viu a possibilidade de construir uma aliança que pudesse dar suporte a uma nova candidatura sua ao governo do Estado.
Em 2006, os dois partidos estiveram muito próximos de dividirem a mesma chapa, mas acabaram separados por intransigência dos dois lados. Dois anos mais, a primeira aliança formal entre ambos foi para a reeleição de Iris Rezende na prefeitura de Goiânia. Isso tudo levou ao natural apoio do PT à candidatura do líder peemedebista ao governo em 2010. A aliança ainda teve um terceiro episódio, quando, em 2012, o PMDB abriu mão de lançar candidato e apoiou a reeleição de Paulo Garcia na capital.
Os projetos diferentes de ambos nas eleições do ano passado e, principalmente, as disputas por espaço na prefeitura de Goiânia – tudo temperado pelo mal momento que Paulo Garcia passa na administração e pela possibilidade de Iris Rezende vir a ser candidato no ano que vem – parecem estar levando a aliança para a ruptura total. É isso que mostra o repórter Marcione Barreira, na matéria na página 3. Ao que tudo indica, o PMDB já escolheu o seu projeto, a candidatura de Iris, e restará agora ao PT decidir se estará com o aliado, ou não. E claro, também dependerá da habilidade do peemedebista de costurar politicamente o apoio petista à sua candidatura.
Boa semana, ótima leitura!

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