“Não enxergo um nome da base para vencer Iris”

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A 7 - HENRIQUE ARANTES SECRETARIO-FOTO PAULO JOSE

Gostaria que o senhor falasse sobre sua reeleição, depois de ter assumido uma secretaria do governo. Foi mais difícil que a primeira?

Achei com menos complicações. Na primeira eu não era conhecido no Estado, no interior, e foi mais difícil entrar, mesmo tendo uma história política na família e já tendo sido vereador em Goiânia. Na segunda eleição isso já se transformou. Eu já tinha sido secretário de Cidadania e, portanto, havia ficado mais conhecido. Por ter viajado bastante facilitou na segunda vez, embora tenhamos tido alguns desgastes pelas pessoas acharem que nós já estávamos no poder.

Muitos deputados federais reclamaram do fogo amigo, por conta da aliança feita na base ter muitos partidos. O sr. sentiu isso na eleição para o legislativo estadual?

Sim. Demais. Um vereador do interior teria, por exemplo, condições de transferir de 100 a 400 votos para você e em alguns momentos da campanha tínhamos notícia de que esta pessoa tinha se vendido para outro candidato por proposta financeira, não levando em conta o trabalho realizado por quatro anos conosco. Mas vários apoiadores negaram se vender. O poder financeiro pesa em campanha, mas não é determinante para vencer eleição. O que determina é liderança, capacidade de convencimento e da forma com que você passa seu ponto de vista.

Muitos deputados têm reclamado nos bastidores sobre os desgastes adquiridos com a reforma administrativa que geraram problemas com compromissos de campanha. O sr. também tem passado por essa dificuldade?

Todos nós passamos. Mas imagino que no final de 2015 já estará superado. Nós, o PR, o PP, o PSDB, todos almejam mais espaço, mas o espaço está menor do que era antes e isso trouxe insatisfação. Mas temos que relevar isso e trabalhar pelo bem do Estado.

Mas como o sr. vem contornando isso? Pedindo paciência aos apoiadores?

Na verdade, eu não fiz compromisso com relação a emprego com meus apoiadores. Todos já entraram na campanha sabendo disso. Mas eu me comprometi a ajudar como pudesse fazer. As pessoas ficam chateadas, mas eu explico que não sou o governador, que não contrato ou demito. Continuo pedindo a ele e se ele quiser atender, que atenda.      

A Assembleia também tem tido parte destes desgastes do governo, por precisar votar matérias mais impopulares?

Muito, muito. Tem sido muito difícil. Há matérias pesadas que estamos tendo que votar e que o servidor público vem aqui na Casa e faz suas manifestações em meio à sessões. Eles querem um direito e o Estado não tem condições. Então, temos que ter muito tato nesses casos e, principalmente, fazer uma reflexão interna.

 

O governo tomou a decisão de parcelar o salário dos servidores, o que tem gerado muito desgaste. Isso não poderia ter sido evitado se deixasse todo o pagamento para o quinto dia útil de cada mês?

Acho que era melhor, sim. Se eu tivesse como decidir e não conseguisse mais pagar antecipadamente, como o governador fazia e tinha como marca, que se pagasse até o quinto dia útil, que é como a lei manda. Seria melhor. O problema é pagar em duas parcelas e os descontos virem na primeira parcela. E o servidor colocou as contas para vencer até dia 3 de cada mês e isso trouxe dificuldades, pois a segunda parcela vem para cobrir os limites do banco. Posso afirmar isso, pois eu, como deputado, também tenho recebido parcelado. E minhas contas vencem no começo do mês.

As obras paralisadas geraram um incômodo na base aliada?

Nessa questão das obras, o governo tinha um empréstimo para receber no final do ano passado de um banco japonês, que tinha uma pendência judicial com o governo brasileiro. Não ocorreu o empréstimo, que era de R$ 400 milhões, e as obras pararam. Há duas semanas aprovamos aqui na Assembleia uma nova lei autorizando o governador a pegar o empréstimo e com isso houve o anúncio da retomada de obras.

Em relação à Assembleia, temos notado muitas mudanças, principalmente na busca pela transparência da Casa. O sr., como membro da mesa diretora, tem notado dificuldades de aceitação desta nova realidade pelos seus colegas?

Acho que não. Todos entendem que tem que haver. Agora quanto mais medidas austeras para tornar transparente nós tomamos mais a Casa apanha isso que não da para conseguir entender. A Assembleia está sendo alvo de algumas matérias sobre a Operação Poltergeist que ocorreu há quase dois anos por conta de um deputado que tinha algum problema. Se você for ao judiciário não tem tanta transparência quanto aqui. Então acho que o presidente está correto em tomar essas medidas. Eu só queria fazer uma ressalva que nós estamos apanhando aqui por algo que não é nosso, é da gestão anterior.

A oposição tem tido liberdade para trabalhar na Assembleia?

Sim. Todo mundo tem a sua liberdade para trabalhar. A oposição mesmo se ela quiser ela barra pauta todo dia. Ela se inscreve com quatro ou cinco deputados para discutir sobre um tema por oito minutos e isso vai cansando os demais, travando a pauta do governo. Não existe cerceamento.

O PTB parece que neste ano está passando por um turbilhão. O deputado Jovair Arantes, líder do partido no Congresso, teve que defender o partido contra a fusão com o DEM e parece que agora está recebendo retaliações por conta disso, sendo perseguido. O quê que vai ocorrer com o PTB daqui para frente?

Eu não sei o quê que vai acontecer. O que ficou claro é que há uma insatisfação com a direção nacional do partido com a liderança do Congresso. Isso ficou claro com as atitudes da direção do partido. Mas o corpo do partido é a bancada. São as pessoas que foram eleitas. Para se ter uma ideia nós tivemos cinco deputados eleitos do PTB aqui em Goiás. Nós empatamos com Pernambuco e somos o estado brasileiro que mais elegemos deputados do PTB, Goiás e Pernambuco. Inclusive somos três vezes melhor do que o resultado do Rio de Janeiro que onde esta nossa presidente.

 

Mas o sr. sente que o ex-deputado Roberto Jeferson (PTB) está fazendo uma perseguição contra o seu pai, uma retaliação pelo seu pai ter ido contra a fusão?

Com certeza. Isso ficou claro. Agora, o deputado Jovair é um construtor de partido, construiu o PSDB na década de 1990, construiu o PTB na década de 2000 e não custa nada para gente construir outro partido também. E vamos ter o mesmo resultado político. Gostamos muito daqui, mas se o final nosso for fora daqui, nós iremos sem dificuldade.

 

Mas tem clima hoje com essa perseguição do Roberto Jeferson e da filha dele?

Fica chato. Mas em política tudo é conversado. Acho que se tiver uma conversa bem feita resolve tudo.

Caso ele venha sair, qual seria o partido? É o PHS mesmo? Parece que houve conversa também com o PP?

Bom, eu não sei se houve conversa com o PP. Com PHS, sim. Nós teríamos que buscar um novo partido. Teríamos que encontrar um partido onde teríamos força e voz para sermos ouvidos e temos que buscar um partido onde teríamos um lugar para trabalhar.

Como é que seria feito esse trabalha aqui dentro da Assembleia? Alguns deputados não seguiriam para o PHS. Tem a questão do Marlúcio que parece que está indo para o PRB…

Acho que aqui em Goiás não ficaria ruim não. Se o deputado Talles não nos acompanhar, nós seriamos três que estaríamos indo para um partido. O deputado Marlúcio já conversou conosco sobre o convite de outro partido para ser candidato a prefeito de Aparecida. Se formos para o PHS, lá já tem dois e nós continuaríamos com cinco. Mas eu acredito que a maioria da bancada iria, sim, acompanhar, nossos prefeitos também e os vereadores da mesma forma.

O sr. acredita que o Marlúcio saindo o partido iria buscar a cadeira dele aqui na Assembleia?

Olha, quem teria que pedir era o suplente. Não há controle. Acho arriscado uma desfiliação, temos mais de 80 candidatos que poderiam pedir a vaga. Mas caso ocorra uma autorização do tribunal para que todos saiam, aí ficaria tranquilo.

Com relação às eleições municipais do ano que vem. O PTB vai ter candidato nas principais cidades e aqui na capital?

Queremos lançar candidatos nas principais cidades. Temos a cidade de Itumbiara com o ex-prefeito Zé Gomes, em Jaraguá que é o atual prefeito Ivaldo Abelar, nós temos o Hildo do Candango, em Águas Lindas, que é candidato a reeleição, nós teríamos possível candidato em Aparecida caso o deputado Marlúcio não saia, enfim, nós estamos buscando. Em Goiânia nós temos o deputado Talles que poder ser candidato. Nós temos o deputado Jovair que pode ser candidato novamente a prefeito ou buscar uma composição numa chapa majoritária.

A candidatura do PTB aqui em Goiânia independe do PSDB e PSD?

Independe. O PTB não subordinado a ninguém. Aqui em Goiânia nós vamos conversar com todos os partidos, do PSDB ao PMDB. Se o PSDB pode ter a vice-prefeita de Rialma do PMDB na sua chapa por que nós não poderíamos fazer o mesmo aqui? Não é? O pau que dá em Chico dói em Francisco também. Então nós vamos conversar com todos os partidos.

O sr. não tem pretensão de candidato a prefeitura de Goiânia por agora?

Se eu falar que não, estou mentindo. Toda pessoa que entra para a política quer ser prefeito, presidente, governador. Eu não sei se eu teria estrutura política para isso hoje. Eu sou conhecido em Goiânia, mas não tanto quanto, por exemplo, Iris Rezende ou Vanderlan Cardoso.

A base tem um candidato para vencer Iris Rezende?

Não enxergo um nome da base para vencer Iris. Hoje eu enxergo a base desunida. PSD e PSDB querem lançar candidato a prefeito. Alguns pequenos têm interesse em lançar candidato para perder, mas para fazer seus dois vereadores. A base nunca esteve unida em Goiânia. Somente para o Estado.

O sr. é candidato a deputado federal nas próximas eleições?

Não sei. Vou focar esses três anos aqui no legislativo. Caso eu consiga fazer um trabalho satisfatório, me posiciono para uma eleição futura.

 

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