Bancada federal tucana é independente

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Eduardo

Na semana passada, o PSDB consolidou o nome do ex-deputado estadual Afrêni Gonçalves para a presidência regional do partido. A informação já havia sido adiantada pela Tribuna há um mês. De lá para cá, porém, o trabalho da direção tucana foi o de tentar dissipar todos os descontentamentos que o nome de Afrêni causou internamente. Não pelo ex-deputado, que tem um bom trânsito dentro do partido, mas por ser ele uma escolha pessoal do governador Marconi Perillo em detrimento do nome do deputado federal Alexandre Baldy, que era alternativa para o cargo.

Baldy se colocou no processo com o apoio de grande parte da bancada federal tucana de Goiás. Vários deputados defenderam que o próximo presidente regional deveria ser alguém com mandato, de expressão, para organizar o partido no interior e prepará-lo para as eleições municipais do ano que vem. Esta, porém, não foi a opinião de Marconi, que preferiu apoiar Afrêni e deixar em segundo plano a vontade de grande parte dos parlamentares.

Tal episódio mostra um aspecto curioso. Apesar de os deputados terem recuado e abdicado da possibilidade de enfrentar a vontade do governador na convenção do partido, o fato de um nome para a presidência do PSDB ter nascido longe dos olhos de Perillo é algo não muito comum e prova que, hoje, a bancada tucana em Brasília não depende tanto da força do governador.

Alexandre Baldy é um grande exemplo desta premissa. O deputado é empresário e vem de uma família bem sucedida nos negócios. Apesar de ter sido secretário de Indústria e Comércio no terceiro governo de Perillo, Baldy tem condições de se manter na política por si só. Ele, por exemplo, consegue bancar financeiramente suas campanhas sem depender de terceiros. Isso o coloca como alguém que pode ter voz mais ativa dentro do PSDB.

Os deputados federais Fábio Sousa e João Campos, dois dos quais apoiavam o nome de Baldy para a presidência, também não dependem tanto do apoio do Palácio das Esmeraldas para se manterem na Câmara Federal. Campos é deputado de terceiro mandato com apoio grande da área da Segurança Pública e, principalmente, do setor Evangélico, onde é pastor da igreja Assembleia de Deus. Fábio Sousa também tem força religiosa. Bispo da Fonte da Vida, Sousa é filho do apóstolo César Augusto, líder máximo de sua igreja.

Delegado Waldir Soares, outro apoiador de Baldy, foi recordista de votos em Goiânia e Goiás para a Câmara Federal, mas não contou com apoio palaciano para isto. Galgado na área da Segurança Pública – grande demanda da sociedade nas eleições passadas – e com o seu estilo pitoresco de se expressar, Waldir conquistou o eleitor e se elegeu sem ajuda de Marconi. É mais um da bancada dos “independentes”.

Baldy, Sousa, Campos e Soares são quatro deputados que dependem muito pouco do governador para fazer política e se elegerem. Outro exemplo, mais atrelado a Marconi do que os quatro anteriores, mas que também tem um expressivo porcentual de luz própria, é o deputado Célio Silveira. Representante do Entorno de Brasília, Silveira é forte aliado de Marconi. A força de seu grupo em uma região eleitoralmente tão importante do Estado, contudo, o coloca em uma situação de menos dependência do Palácio. Tanto que, no início, Célio defendia que a presidência do PSDB deveria ser exercida por alguém com mandato, mas recuou depois da sinalização de Perillo.

O único deputado federal que depende fortemente do governador, sendo o principal aliado marconista na Câmara Federal, é o parlamentar Giuseppe Vecci. Santilista e tucano histórico, como o próprio Marconi, Vecci é um dos braços direito do governador desde o seu primeiro mandato. No ano passado, Marconi atuou pessoalmente para ajudar o deputado, costurando apoio político para ele em vários municípios de Goiás.

Ter uma bancada que, em sua maioria, não dependa eleitoralmente do governador estimula o aparecimento de opiniões divergentes e projetos políticos diferentes. Democraticamente, isso não é ruim, mas o fato pode causar problemas futuro para Perillo, quando necessitar apoio total do partido em alguma questão polêmica. O recuo dos deputados na candidatura de Alexandre Baldy à presidência do partido mostra que eles, hoje, não estão disposto a bater de frente com o governador. Mas, e amanhã? É o risco que corre o líder tucano, já que visivelmente não tem o controle de sua bancada federal.

 

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