“Até o básico a Saneago não vem fazendo”

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AGENOR MARIANO 15-FOTO PAULO JOSE 197

Tribuna do Planalto – Estamos vendo que o PMDB vem fazendo um trabalho de renovação dos seus diretórios municipais desde o ano passado. Como está o partido agora?

Agenor Mariano – O PMDB é um partido responsável direto pela redemocratização e agora está passando por esse processo de renovação dos diretórios, que já é uma preparação para as eleições de 2018. Perdemos as últimas cinco eleições para o governo e fomos forçados a nos renovar. O povo nos colocou na oposição e esse é o nosso papel. Temos que nos reoxigenar e trabalhar para chegarmos fortes em 2018 e também em 2016.

Qual foi o motivo das derrotas nestas cinco eleições?

Eleição perdida é leite derramado. Penso que a gente tem que olhar para trás só para entender os erros e não cometê-los. O PSDB implantou a reeleição na Era FHC e é difícil lutar contra isso. O uso da máquina é muito forte para quem tenta se reeleger. É uma forma de perpetuação de poder. Eu sou contra a reeleição, exatamente por ter beneficiado o grupo do governo no poder por tanto tempo. Além disso, tem também as disputas internas do PMDB que ajudaram nesse processo de derrotas.

Na eleição do ano passado alguns prefeitos do partido acabaram sendo infiéis ao apoiarem a candidatura do governador Marconi Perillo (PSDB). O que o senhor defende nesse caso?

De forma específica, temos que aguardar os processos do conselho de ética. De forma genérica, sou a favor de limpar o partido. Traidor é sujo. Se ele vai para outro partido, já vai é tarde. Tem muitos que saem por ideologia, mas se comprovar que ele traiu por ser “gato de palácio”, serei a favor da expulsão.

Vale também para o caso do empresário Júnior do Friboi?

O caso de Júnior é, como eu disse, um caso específico. Seu processo está correndo no conselho de ética e como eu tenho perspectiva de voto na Executiva Estadual do partido, não posse me manifestar.

Hoje o partido conta com nomes para a presidência? O sr. apoia algum nome?

No momento não defendo ninguém. Ninguém conversou comigo ou apresentou um projeto de partido para contar com meu apoio. Somente quando alguém se apresentar como tal, com um projeto, poderei defendê-lo.

Os nomes mais fortes hoje são mesmo José Nelto, Sandro Mabel e Júnior do Friboi, que já disse que quer comandar o partido?

Há muitos mais nomes, como o próprio deputado Daniel Vilela, além de José Nelto e de Sandro Mabel. O caso do Júnior, primeiro ele precisa resolver a pendência dele. Não excluímos ninguém.

O PSDB disse que quer eleger o maior número de cadeiras na Câmara Municipal do próximo ano. O PMDB terá condições de se manter com a maior bancada em 2016?

O PMDB está trabalhando para ter uma chapa forte, buscando nomes para se filiar. Temos a expectativa de eleger pelo menos dez vereadores na próxima eleição aqui em Goiânia, já que serão 37 vagas.

Iris Rezende é o nome do partido para prefeito em Goiânia?

Olha, se ele vai se candidatar, não sei, mas ele é o nome de preferência sim. É o nome mais bem avaliado, que não tem perdido eleições em Goiânia, vencendo inclusive o governador nas eleições estaduais em dois turnos. Deixou a prefeitura com uma aprovação alta. A decisão, porém, é dele. Cabe ao partido tentar convencê-lo.

E seguiria, nesse caso, com a aliança com o PT em 2016?

Uma questão é a governabilidade e sustentação que o partido dá hoje ao PT tanto aqui no Paço quanto na Câmara Municipal. Outra questão é a aliança partidária. Ela não diz respeito a vontades pessoais, mas sim a análises políticas. Até 30 de julho do ano que vem estaremos discutindo isso. Tudo que se disser hoje é mera especulação, pois a manutenção depende de vários fatores que ainda não estão definidos neste momento.

Como o sr. avalia o momento da prefeitura de Goiânia?

É um momento difícil como todas as prefeituras estão atravessando. A prefeitura teve um ápice muito bom que rendeu a Paulo Garcia a sua reeleição no primeiro turno, mas depois enfrentou dificuldades financeiras por conta desta crise que está aí agora. É um período difícil, que quero acreditar ser momentâneo, e espero que o prefeito consiga reverter isso e trazer bons ares para a cidade. E tem se esforçado para isso.

Há muitas críticas em torno da falta de diálogo do prefeito com a Câmara de Goiânia, que fez com que o Paço perdesse votações importantes na Casa. O sr. sentia isso aqui dentro da prefeitura também?

Não posso me manifestar sobre isso por explícito desconhecimento, já que minha função de vice é de apenas substituir o prefeito na vacância do cargo. Nunca participei de reuniões do prefeito com a Câmara. Não posso dizer se havia dificuldades ou não. As pessoas não entendem muito a função do vice, que, muitas vezes, é uma função mai discreta. Trabalhamos quando temos uma missão designada pelo prefeito.

O relatório que o sr. fez sobre a prestação de serviços da Saneago na capital, que poderia culminar com a municipalização do serviço, como ficou?

O relatório foi feito a pedido do prefeito pouco após ele ter tomado posse no início de 2013. Ele designou uma comissão para realizar um estudo sobre a realidade da água no município de Goiânia e as alternativas da prefeitura. Tivemos 90 dias de prazo, que foram prorrogados por mais 90. No final essa comissão mostrou todas as possibilidades que o prefeito teria para tomar algum tipo de decisão. Então, a comissão não indicou o quê que era melhor ou pior. Ela disse ao prefeito tudo o que poderia ser feito, cabendo a ele tomar a decisão. Num segundo momento, essas questões que envolvem a Saneago são de governo. O PMDB já tem seu posicionamento quanto à questão da água. O prefeito ainda não. Por isso está discutindo com diretamente com o governador, a fim de encontrar o melhor caminho.

O posicionamento do prefeito de tratar diretamente com o governador chegou a incomodar o PMDB?

Não. Isso não incomodou porque o prefeito tem que ter relações institucionais com o governo, inclusive no caso da Saneago. O que pode incomodar o partido é se essa relação prejudicar o município de Goiânia.

Mas para as eleições do ano que vem não incomoda?

Não. Relação institucional é relação institucional, relação político-partidária é relação político-partidária. Particularmente eu sei separar muito bem.

Voltando a questão da Saneago o sr. protocolou no Ministério Público de Goiás uma denúncia contra o aumento da tarifa, não?

Na verdade o PMDB protocolou uma denúncia. Se irá haver uma ação civil pública aí é com o MP. O que me parece também é que o município de Guapó está interessado em entrar também. Porque a ação ela pode ser provocada por uma das partes contratual ou pelo Ministério Público. A Seneago é como se fosse um empregado dos municípios, deve satisfação para os municípios. O que está acontecendo agora é que os municípios entendem que os seus direitos estão sendo subjugados.

E vocês estão contestando esse aumento de 32,1%…

Que, aliás, não sei se você viu a reportagem, fizeram uma propaganda de 16%, mas que vai permanecer 32,1%. O governo está pensando em uma forma aplicar os 16% agora e dividir os 16% já com um cronograma de aplicação. Eu não vou nem dizer que as planilhas de custos da Saneago não poderiam apontar um aumento necessário, mas nem sempre o necessário tem legalidade para ser cumprido, já que ocorreu um aumento nesse ano. Nosso entendimento é que há é má gestão na Saneago, apesar de eu gostar da pessoa do presidente da Saneago, José Taveira. O problema é que a Saneago, apesar de ser uma empresa, sobre influência total do governo. O PMDB enxerga que a Saneago passa por dificuldades acumuladas ao longo dos anos.

Já teve algum posicionamento do Ministério Publico?

Pelo que eu fiquei sabendo existem vários caminhos. Existe um caminho que é na área do direito do consumidor por conta do aumento abusivo e existe uma parte da defensoria do patrimônio público. E existe uma terceira área do MP que é a área ambiental a buscar, por exemplo, a informação de vários pontos onde a Saneago jogo o esgoto. Temos algumas situações nesse caso: a parte que recolhe e não trata, a parte que recolhe e trata mesmo ineficiente, além dos que nem sequer se recolhe. Então essa situação faz com que a Saneago seja, talvez, a maior poluidora de Goiânia. Outra coisa, essa história de que tem município que não é lucrativo, é conversa. Por ser a Saneago que administra essa água no município, todos os recursos federais vem para a Saneago e ela acaba fazendo a programação que ela quiser fazer. A partir do momento que o município tiver seu próprio sistema de água ele próprio vai reivindicar no ministério do fundo perdido, no Ministério da Integração verbas para a universalização de esgoto da sua cidade. Então não tem a conversa de que nenhum município de Goiás vai perder a água tratada, do esgoto porque não é a Saneago que faz, é muita ousadia…

Por que o sr. acredita que algum prefeitos não queiram fazer isso?

Não é que não queriam. É a pressão política do governo que não quer perder a sua galinha de ovos de ouro. Então evidentemente vai pressionar os prefeitos como tem sido feito aí. Então, o prefeito não aguenta a pressão que vem de outro canto e ai evita criar algum tipo de situação. Se a municipalização do sistema de água fosse feito a população iria cobrar diretamente do prefeito? Esse sistema de saneamento deixa a população muito distante e, com isso, os benefícios não chegam. Hoje, por exemplo, se você quer fazer um empreendimento, os empresários goianos estão pagando até a construção de adutoras de água. Ou seja, até o básico a Saneago não vem fazendo. Então é essa situação que o PMDB esta levantado para o debate. Não é para crucificar ninguém. Chega, basta, a sociedade não aguenta mais. É preciso abordar com responsabilidade esse tema. Essa bandeira que o PMDB está levantando.

E quanto ao seu futuro político?

Estou muito tranquilo com relação a isso. Meu futuro político esta nas mãos do partido.

 

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