O alvo da oposição é outro

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Uma comitiva de senadores da República viajaram na quinta, 18, para Caracas na Venezuela a fim de conversar com parentes de presos políticos pelo governo do presidente Nicolás Maduro e ver a condição destas pessoas. A viagem foi comandada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), com participação do senador goiano Ronaldo Caiado (DEM). Ao todo, o time só contou com oposicionistas à presidente Dilma Rousseff (PT). O discurso para a ação foi a de garantir a “democracia” na Venezuela contra “a ditadura” de Maduro.
Realmente há vários pontos em que a democracia venezuelana pode ser questionada. Por exemplo, em relação à possibilidade de reeleições infinitas. Um presidente pode ter quantos mandatos consecutivos ele conseguir. Isso, nas mãos de líderes radicais de esquerda (como o próprio Maduro ou o seu antecessor, Hugo Chaves) ou de direita (só para exemplificar, o caso de Adolph Hitler na Alemanha) quase sempre representa o engessamento da política doméstica, o que prejudica a democracia.
Em relação à viagem dos senadores, contudo, o que pautou a visita, aparentemente, foi muito mais a agenda política brasileira do que a venezuelana. Não é de hoje que muitos opositores de Dilma usam o discurso de aproximação do governo petista com o de Maduro. Mesmo sem nenhum forte indício e ignorando a natureza conservadora da política brasileira, a máxima defendida é que o PT quer “transformar o Brasil em um regime comunista como o venezuelano”.
Com esse fim, pode-se analisar que a viagem dos senadores à Venezuela teve, de certa forma, algum sucesso. Chamaram para si os holofotes políticos nacionais. Foram ajudados pelo fato de terem enfrentado uma manifestação de populares adeptos ao regime de Maduro e de não conseguirem sair do aeroporto. Voltaram em seguida ao Brasil, com forte discurso contra Dilma Rousseff – que segundo eles não deram suporte diplomática ao time – e de corte nas relações com o país vizinho.
O grande problema é que esse tipo de ação pouco acrescenta na avaliação do eleitor brasileiro. Muitos, inclusive que apoiam a oposição, acharam exagerada a ação de ir até a Venezuela e se envolver em um assunto interno de outro país. Pode-se ver isso pelos comentários nas redes sociais. Além disso, aqui no Brasil há assuntos que podem desgastar Dilma muito mais do que a política doméstica venezuelana, vide a possibilidade de rejeição das contas da petista no TCU e as chamadas “pedaladas fiscais”.
Há também o fato de que uma missão internacional – se realmente tiver caráter de ajudar o fortalecimento da democracia de um outro país – deve-se ser conduzida por organismos internacionais multilaterais, como o Mercosul (do qual a Venezuela é membro efetivo) ou a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada em San José da Costa Rica. Mas o alvo, ao que tudo indica, estava mesmo aqui no Brasil.
Boa leitura, ótima semana!

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