Ponte para a aliança em 2016

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Principal -O pacote de obras da prefeitura de Goiâ­nia pode servir de ponte para a retomada da aliança entre PT e PMDB, que vem balançando desde o final do ano passado. Com cerca de 56 obras em andamento pela capital, o prefeito Paulo Garcia (PT) parece ganhar fôlego em sua administração, o que poderá servir de es­teio para a retomada da união que foi vitoriosa nas últimas duas eleições municipais na capital.

Uma das dicas para isso é que integrantes do PMDB, que chegaram a cogitar lançar chapa pura em Goiânia no próximo ano, já não mais citam esta possibilidade, mas sim falam em dialogar com o maior número possível de siglas para 2016. Alguns são até taxativos em dizer que sempre torceram e que a vitória de Paulo é a do PMDB, por administrarem a capital juntos.

Entre os petistas, há o sentimento de confiança de que as obras da prefeitura melhorarão a imagem do Paço e do prefeito. Para eles, a agenda positiva não é uma surpresa. Segundo eles, o prefeito Paulo Garcia sempre demonstrou serenidade, mesmo nos momentos de grave crise, por ter um plano administrativo que começa a surtir efeitos agora.

Entretanto, para especialistas em marketing político, apenas as obras não ganharão eleição. Para estes, Paulo Garcia ainda precisa expandir seu diálogo com a sociedade e dar mais visibilidade e publicidade a estas intervenções administrativas para alcançar a população. E mais: o tempo é curto pa­ra isso. No máximo, até ou­tubro desse ano, para que te­nha reflexos na eleição do ano que vem (confira matéria abaixo).

Com um trabalho centrado em torno de 56 obras, o plano de atividades do Paço é distribuído em seis áreas especificas entre as quais Assistência Social, Educação, Habitação, Meio Ambiente, Mobilidade e Esporte e Lazer (confira quadro). A prioridade de Paulo Gar­cia é dar continuidade as obras, segundo o secretário de governo Osmar Magalhães (PT).

Com cerca de R$ 1 bilhão em investimentos, as obras que tiveram mais destaque até aqui permeiam o campo da mobilidade, com os corredores de ônibus e BRT Norte-Sul; na área da Saúde, com construção de Ciams e Upas; Educação, com construção de Cmeis, além do Meio Ambiente, com reurbanização do Córrego Cas­cavel e o Programa Urbano Am­­biental Macambira-Anicuns.

Recuperação

É inegável que o prefeito Paulo Garcia viveu momentos de profunda crise. O auge esteve centrado na coleta de lixo, no final de 2013. Certo é que problemas ainda existem, mas se comparado a momentos anteriores, agora a realidade se transformou por completo.

Aprovação do projeto de reforma administrativa foi fundamental para isso. A relação entre o executivo e o legislativo municipal melhorou consideravelmente e possibilitou o sucesso na aprovação proposta. Por incrível que pareça, depois que a condução da Casa passou para as mãos da oposição, o prefeito passou a ter resultados.

O principio de recuperação do prefeito Paulo Garcia não chega a ser surpresa, pelo menos para os petistas. Segundo o deputado federal Rubens Ottoni (PT), não há novidade. “Não é novidade para nós. Tenho dito desde o ano passado, nós vivíamos um momento de ajuste e o prefeito fez isso com muita responsabilidade”, frisa Ottoni.

Para o presidente estadual da sigla Ceser Donisete (PT), o prefeito sempre manteve o controle da situação e que o fato de não ser ano eleitoral enfraquece os adversários. “Agora não tem eleições e o governo do estado não esta conseguindo esconder o que esta sendo feito pela administração municipal”, disse Ceser.

Bem próximo ao prefeito, o secretário de governo Osmar Magalhães (PT) corroborou com os colegas ao afirmar que Paulo teve sempre os pés no chão. Segundo Osmar, mesmo nos momentos de grave crise, o prefeito se manteve firme. “Mesmo nos piores momentos o prefeito encarou com muita serenidade. Ele não entrou em pânico”, observa.

Ameno

Os peemedebistas vêem acompanham com otimismo o momento da prefeitura de Goiânia. A relação que antes parecia não encontrar força, agora ganha impulso com a melhora nas ações do Paço e no progresso da gestão, em comparação com panoramas anteriores.

O deputado estadual José Nelto, líder do PMDB na Assembleia, que sempre teve como tendência a de acreditar que o PMDB poderia sair em chapa pura em 2016, adota um discurso mais ameno neste momento e fala com cautela sobre o assunto. “Nós não discutimos aliança neste momento. Daqui até lá há muito mais o que discutir”, afirma.

Prova de que a tendência de chapa pura se enfraqueceu entre os peemedebistas foi exposta pelo presidente metropolitano do PMDB, o deputado estadual Bruno Peixoto. Segundo ele o objetivo é reunir o maior número de partidos. “Nós não trabalhamos com possibilidade de chapa pura. O PMDB vai buscar coligação a todo instante”, ressalta.

Torcida

Apesar dos ânimos não serem dos melhores entre algumas lideranças petistas e peemedebistas, principalmente por críticas do deputado estadual Humberto Aidar (PT) que disse acreditar que muitos torcem contra a administração petista, os peemedebistas dizem se sentir satisfeitos por presenciarem a evolução.

O vereador Denício Trin­dade (PMDB) acredita que a recuperação da administração municipal causa efeitos também nos vereadores. “A gente torce muito pela recuperação da administração. Até porque nós fazemos parte do governo. É importante para os vereadores porque somos nós que estamos na linha de frente e recebemos a reclamação da população”, observa.

O deputado Bruno Peixoto salientou que o partido sempre esteve empenhado em ajudar o governo municipal. O fato de o PMDB ter o vice comando da capital contribuiu para isso. “Claro, nós trabalhamos para que haja uma melhora na imagem do prefeito Paulo Garcia. Até porque o PMDB participa da administração municipal” afirma Peixoto.

Cabo eleitoral

Independente da união entre PT e PMDB, caso continue com a recuperação de sua imagem, Paulo Garcia será um importante cabo eleitoral para qualquer que seja a composição. É o que afirmam as lideranças petistas e peemedebistas. Sem poder se candidatar nas próximas eleições, Paulo só poderá acompanhar o processo como apoiador.

Os peemedebistas acreditam que o prefeito será importante no processo eleitoral mesmo estando de fora dele. O vereador Denício Trindade observa que esse momento atual ajuda qualquer candidato. “O momento é de recuperação. Isso ajuda. Obviamente que ele seria um bom cabo eleitoral, sem dúvida”, disse o vereador.

O deputado Bruno Peixoto também acompanhou a opinião do correligionário peemedebista. Para Bruno, com o avanço da gestão, qualquer que seja o administrador em especial Paulo Garcia conseguirá passar ao aliado. “Não tenho dúvida. Acho que o Paulo seria um bom cabo eleitoral”, avalia o deputado.

O deputado Rubens Otoni também crê que as ações do governo municipal dentro dessa agenda positiva podem refletir em candidatos apoiados por ele. “Não tenho dúvida que será positivo. Ele vem fazendo um trabalho planejado. Está trazendo os benefícios e eles ficam” afirmou Ottoni.

Ponderado, o secretário Os­mar Magalhães observou que isso ocorrerá normalmente. Se­gundo ele, apesar do objetivo não ser este, o fato de uma ad­mi­nistração estar sendo bem conduzida ajudar o sucessor. “Ele não trabalha com essa o­cu­lar. Toda essa gama de obras é fruto de projetos. Mas certamente que isso responde a qual­quer circunstância”, apontou.

Prioridades

Pelo que tudo indica a prioridade da gestão daqui até as eleições deve estar focada em três áreas. Segundo Osmar Magalhães, a prefeitura deve dar continuidade as obras em andamento e focar nas necessidades básicas da população. “Devemos continuar com essa atuação na saúde, na limpeza, iluminação que estão nos olhos da população” citou.

Osmar Magalhães observou que a aprovação da proposta de Reforma Adminis­trativa vai contribuir para que o momento da administração seja positivo cada vez mais. “Com a Refor­ma vamos dar uma resposta à população a essas áreas e possibilitar um trabalho mais aperfeiçoado”, declarou Magalhães.

Osmar citou alguns projetos que estão entre os principais da gestão e que devem ser concretizados até o fim do mandato petista. Entre os quais obras de mobilidade, Upas e Cmeis. “Na campanha prometemos construir 81 Cmeis, devemos estar chegando a metade disso”, disse, citando outras obras na área da saúde e educação.

Especialistas alertam para prazo curto

Existe um ditado popular que diz que a publicidade é a al­ma do negócio. É neste sentido que os especialistas em marketing político ouvidos pela Tri­buna acreditam que ainda não esta acontecendo na gestão de Paulo Garcia. Além disso, eles declaram que apenas a realização de obras não ganha eleição.

Segundo o publicitário Ademir Lima, considerando apenas nas eleições municipais em 2016, Paulo Garcia precisa fazer um trabalho que recupere a sua imagem e que o prazo não é tão longo. “O problema do Paulo é que obras não ganham eleições. Tem que fazer um trabalho de recuperação de imagem no máximo até setembro ou outubro deste ano ainda”, afirma Lima.

De acordo com o publicitário Márcio Lima a gestão de Paulo Garcia teve melhora, e é importante destacar a conduta do prefeito. Para ele, a imagem de Paulo Garcia foi negativada pela oposição e que agora o prefeito precisa mostrar o que está sendo feito rapidamente. “A oposição tentou colocar um imagem de ineficiente nele. Agora ele precisa dar publicidade às obras que vem fazendo,” disse Márcio.

Márcio preferiu não se manifestar ao ser questionado no que poderia ser feito para que houvesse a melhora de imagem do prefeito sob a ótica do eleitor. Para ele, seria indelicado colocar sua sugestão. “Eu não posso falar de um plano de ação que eu não participo dela. Não participo do plano da prefeitura. Seria antiético falar sobre”, apontou Márcio.

Mais aberto, Ademir Lima externou sua opinião. Para ele, o diálogo com a sociedade ainda é falho e a medida que conseguir estabelecer esse entendimento a melhora será visível. “Paulo precisa ter um diálogo mais aberto com a sociedade com ações publicitárias. A partir daí ele vai começar a recuperar sua imagem”, finaliza.

 

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