“Estamos compartilhando essa responsabilidade de manter a cidade limpa”

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Ormando José

Tribuna do Planalto – A Comurg vem de um histórico de crises de vários tipos nos últimos anos. Então, o que a companhia tem feito para mudar a imagem que ficou, em 2015, e quais são as perspectivas para os próximos anos?

Ormando José – Sim, baseado na situação de diminuir a imagem negativa, e até as distorções, com que a Comurg vinha sendo vista, nós fizemos um trabalho de planejamento do que deveria ser feito para mudar a visão que ficou daquela época. Acho que 2014, talvez, tenha sido o pior dos anos. Então, o trabalho que está sendo feito é de desmistificar essa visão negativa sobre a Comurg. É um planejamento para que o serviço seja bem feito, com a qualidade máxima possível, dentro dos padrões do que a população já está acostumada. E a ideia é que esse planejamento esteja cada vez mais em atividade constante, para que não falte a estrutura mínima e básica para que possamos realizar os trabalhos que temos que fazer.

A situação econômica, hoje, está controlada?

A Comurg não tem uma receita própria, sobrevive dos repasses que são feitos. Ela detém a concessão dos serviços de limpeza urbana, então ela presta esses serviços, fatura, e a partir daí são feitos os repasses pela Prefeitura. Entendemos que, em um planejamento financeiro, estamos dentro da estimativa, que é contatar os nossos fornecedores, para que tenhamos fornecimento de materiais básicos e essenciais na Comurg sempre disponíveis, e também mantendo os nossos compromissos que já haviam sido firmados há vários anos, ou em outras situações que a gente ainda tinha esse saldo devedor. Então, a ideia foi de contatar esses fornecedores, manter o bom relacionamento, quitar os débitos, e ter as nossas contas devidamente programadas dentro de um planejamento.

Hoje a Comurg oferece vários serviços, sendo um deles a Coleta Seletiva. Tendo em vista a consciência ambiental, que está em alta na sociedade, como o serviço está sendo conduzido pela companhia? Há algum projeto de expansão do atendimento?

A coleta seletiva está funcionando de maneira a atender toda a cidade. Desde que foi lançada, em 2008, quando partiu de um projeto piloto para uma abrangência maior da cidade, até 2011, quando foi a totalização de toda a população. Ou seja, hoje 100% da cidade tem o serviço de coleta seletiva. A diferenciação entre as frequências é, justamente, pela demanda. Onde nós temos uma incidência maior, uma produção maior de material reciclável, tem uma frequência mais intensa. Já nos locais onde a produção é menor, temos a frequência de uma vez por semana. Mas, é feito em toda cidade. Então, hoje ela atende toda a cidade. O que pode ser feito, talvez, é o aumento da frota, com o objetivo de facilitar a vida do morador, para que ele não precise armazenar esse material por um grande período de tempo. Mas, em termos de atendimento, da forma como é feito hoje, a população é atendida. Inclusive, é pouco divulgado, mas acredito, que Goiânia é a nona cidade que mais coleta em número de habitantes, porém em material coletado porta a porta, nós somos a quarta cidade do Brasil onde mais se coleta material reciclável através da coleta seletiva, que é um serviço público. Então, dentro do patamar de evolução, acredito que temos que comemorar por ter chegado a esse resultado. É um serviço, praticamente, novo e estar em quarto lugar, acredito que seja uma forma de mostrar que o resultado é extremamente positivo.

O senhor acredita que, se houvesse um aumento na demanda, ou seja, mais pessoas separassem o lixo, a Comurg conseguiria corresponder na coleta?

Acredito que sim. Nós ainda temos como expandir esse serviço. Aí sim, conforme o aumento da demanda, aumentar ou intensificar essa frota. A princípio ela atende e atende bem. É claro que o sucesso da coleta seletiva depende, primordialmente, do cidadão, já que o primeiro trabalho é feito por ele. Ele tem que separar o que é e o que não é reciclável e fazer essa disposição para que a Prefeitura faça a coleta desse material. Então, de extrema importância é a participação do cidadão.

Como o sr. enxerga que poderia ser ampliada a participação? Na sua visão, falta consciência ambiental?

Sim, sem dúvida. Eu acredito em campanhas mais massivas e bem direcionadas à população, principalmente. Já que a campanha nos grandes meios de comunicação, na mídia mais abrangente, é que eu acredito tenham um resultado mais positivo. E, também, campanhas educativas, principalmente, partindo das escolas, com o foco nas crianças, já que além de ser o cidadão adulto do futuro, elas também tem um poder de persuasão maior e, talvez, mais impactante. Quando se é cobrado por uma criança, a gente vê um resultado maior. Então, eu acredito muito também nessa educação infantil, essa consciência contribuindo para esse futuro cidadão.

No começo desse ano, a Comurg firmou uma parceria com a Amma, para que dez fiscais da agência ficassem à disposição da companhia. Nos últimos quatro meses, foram aplicadas mais de 10 mil multas. Como é desenvolver esse trabalho em conjunto? O resultado alcançado é o que era esperado?

Eu acho que, talvez, tenha sido o nosso maior avanço, em termos de evolução da Comurg. Porque passamos de um órgão, meramente, operacional e executor, para um órgão fiscalizador. Então, conseguimos cobrar do morador a sua responsabilidade. A gente está compartilhando essa responsabilidade de manter a cidade limpa. O que estamos pedindo através, inicialmente de uma campanha – já que é feita, primeiro, uma notificação do morador, ele é informado de algo que já deveria saber, de que não pode dispor de qualquer tipo de resíduos em espaços públicos, consta do Código de Posturas que o gerador de resíduos é responsável pela sua destinação –, é a conscientização. Então, o que nós conseguimos dessa parceria com a Amma, foi uma certa autonomia que passamos a ter, para cobrar do morador essa responsabilidade. Então, tem sido extremamente positivo. Conseguimos alcançar patamares de limpeza que a população almeja, justamente com essa ação. Não aquela ação de se limpar todos os dias, mas principalmente de manter esses espaços limpos. E só conseguimos isso, através dessa ação fiscal.

Como é feita a identificação do responsável daqueles locais que, por exemplo, tornaram-se “lixões populares”, terrenos e lotes em que a população se acostumou a depositar lixo?

A princípio vai desde um trabalho de orientação na vizinhança, dos moradores de ali por perto. Tentar identificar através de placas de veículos, ou do próprio depositante, e em situações de flagrante. Em último caso, quando não se é detectado, a Comurg mantem o trabalho de limpeza, já que vai acarretar inconveniência para toda a população. Infelizmente, quando não se identifica o infrator, a Comurg faz o seu trabalho que é de limpar.

Quem dá mais problema, nesse sentido: a população ou as empresas, indústrias, etc?

Eu acredito que mais o morador, o cidadão comum, devido ao volume. É muito maior o número de pessoas do que, obviamente, o número de empresas, propriamente dito. Então, uma empresa que nós temos um problema, e você identifica, já coíbe através da ação administrativa, ou até mesmo fiscal. Já o morador, você se não conscientizar totalmente a população, hoje o vizinho do lote 1 dispõe o resíduo na calçada, você identifica, talvez o notifique, limpa. Mas, no outro dia é o dono do lote 2, no seguinte, do lote 3, enfim. Sempre vai ter algum tipo de resíduo naquela região. Então, por isso esse trabalho massivo para ser mais abrangente. Se você atinge uma empresa, provavelmente, ela não vá mais fazer aquilo dentro daqueles limites. Já a população são várias pessoas que, talvez, cometam o mesmo ato errado. Então é mais fácil abranger pela dispersão, pelo grande número de pessoas que tem individualmente em cada residência. Então, acredito que a população, em si, é o nosso maior desafio.

Nesse sentido, o sr. considera a multa como medida mais efetiva?

Em casos extremos, sim. Nós temos tido resultados positivos. De todas as nossas notificações, cerca de 70% são atendidas. Somente 30% é que viram autuação e, talvez, até a multa. Mas, em torno de 70% são atendidas. A gente entende que esse trabalho de orientação, através da notificação, ele também tem sido muito eficaz. A multa, em si, a gente só atinge esse patamar, quando a notificação não é atendida. Então, eu entendo que a orientação tem sido extremamente positiva. Mas, não dá pra se abrir mão, também, da penalidade.

Hoje, a frota da Comurg é composta por carros apenas da companhia ou há veículos de processos licitatórios?

Tem dos dois segmentos. A nossa frota de equipamento de apoio, que são os carros utilitários e de passeio, esses são em parte terceirizados, e em parte frota própria. Na remoção, que são os caminhões-caçamba, retroescavadeiras, pás-mecânicas, e tratores que são utilizados no Aterro Sanitário são terceirizados. E na frota da coleta é onde temos a maior frota própria, sendo 60 caminhões compactadores que fazem parte da Comurg, mais sete minicompactadores, são caminhões de pequeno porte que fazem a coleta em vias de difícil acesso, como vielas e becos, e mais sete compactadores locados.

Como funciona o serviço de remoção de animais?

Nós temos dois tipos de atendimento: do animal de grande porte, equino, bovino, e de animais de pequeno porte, cachorros, gatos, etc. Em ambos os casos, assim que contatada, a Comurg leva no máximo de três a quatro horas para o atendimento. O morador que tiver na sua residência a morte de um animal, ou propriamente identificado na via pública, e queira fazer a remoção, liga na Comurg – os telefones são os normais, além do 156 da Prefeitura, temos o 3524-8555, teleserviço da companhia que funciona 24h, e pode usar também o WhatsApp, que é o 8596-8555. Assim que contata a Comurg e são passados os dados, como endereço, contato do solicitante, nós mandamos recolher esse animal onde quer que esteja, desde que seja dentro dos limites da cidade.

Esse serviço de atendimento pelo aplicativo WhatsApp está em funcionamento desde janeiro. Qual a importância dessa ferramenta para Comurg?

É a modernidade, a tecnologia que é exigida, principalmente, pelas grandes empresas. Então, foi disponibilizado, criado a partir de janeiro, como você comentou. E a gente entende que é de extrema importância, uma evolução. Um canal a mais que a população pode utilizar, mais completo, já que você pode se utilizar de imagens e vídeos. Então, ele complementa um trabalho que é oferecido à população. É um ferramenta de complementação que dá uma maior possibilidade de o cidadão fazer sua reclamação de forma mais objetiva e mais completa possível.

E já trouxe resultados?

Extremamente positivos. Todas as solicitações recebidas tem sua destinação conforme sua demanda são encaminhadas para a parte operacional competente para fazer o atendimento. E também há o retorno assim que é executado.

Em maio deste ano foi ventilada uma parceria junto à Agehab (Agência Goiana de Habitação), para a revitalização da Praça do Avião. Como está essa questão?

Ela está em andamento. O objetivo é fazer um trabalho de parceria, colocando as dificuldades de ambos os governos, com o objetivo de atender o melhor possível a população. Então, contatamos a Agehab, que é um órgão estatal. A exigência deles é que façamos o projeto e apresentamos. Devidamente aprovados, a Agehab arcaria com a aquisição do material, e nós entraríamos com a mão de obra e faríamos o trabalho de revitalização. Já está em andamento. Houve um atraso devido à participação popular. Controvérsias entre a própria população em que nós tivemos que pegar esse projeto e colocá-lo novamente em discussão com a população devido aos desentendimentos da própria vizinhança. Assim que aprovado, será apresentado à Agehab, havendo aprovação, a gente já aguarda a aquisição desse material para conclusão das obras.

Que tipo de controvérsias foram essas?

Desentendimentos quanto a forma do projeto. Alguns moradores querem um tipo de obra, outros querem outro tipo. Eu entendi, na última conversa, que alguns moradores entendem que a praça deve ser destinada e com foco nas crianças, um outro segmento já entende que deve ser direcionado à juventude. É uma disputa por espaços. Então, isso tem atrasado a entrega do material.

Esse projeto será conduzido em quais instâncias?

O objetivo é de fazer uma revitalização em todos os segmentos. Então, há a ação de intervenção nos jardins, na arborização, na iluminação, na parte de concreto. Enfim, a ideia é abranger toda a praça, inclusive preservando a sua questão cultural, que é o próprio monumento do avião.

O sr. falou de iluminação, e me ocorreu o fato de que a Prefeitura terceirizou o serviço na cidade no início do ano, retirando a responsabilidade da Comurg, mas depois voltou atrás e, hoje, a manutenção está a cargo da Semob (Secretaria Municipal de Obras). Isso para a Comurg foi bom ou ruim?

Houve um processo de terceirização que não chegou a ser concluído. E a Prefeitura retomou o trabalho de iluminação. Só que ao invés de ser a Comurg, está sendo gerido pela Semob. Agora, não sei teria um peso de bom ou ruim. Era feito pela Comurg. Tínhamos os veículos disponibilizados, e também a mão de obra. Assim que passou para a Semob fazer, já que a ideia era que a secretaria fizesse a gerência do contrato da empresa que prestaria os serviços e, tendo a reviravolta e não acontecendo, esses veículos e a mão de obra foram redirecionados para a Semob.

O sr. vê com bons olhos essa questão da terceirização?

Prefiro me abster, já que existe uma equipe técnica que faz esses estudos para ver a viabilidade da concessão ou da terceirização. Acredito que essa equipe deve fazer a melhor escolha, para atender de maneira mais qualitativa tanto a população, quanto o serviço público, e a gestão em geral.

Em agosto do ano passado, o Ministério Público moveu uma ação de improbidade administrativa contra o sr.. O que tem a dizer sobre o assunto? [N.E. Entrevista concedida antes de Ormando ter seus bens bloqueados pela Justiça]

A Comurg, hoje, tem mais de um processo. Alguns entendem que vem de gestões anteriores até a gestão atual. E quando você assume, assume não só as receitas, mas também as despesas. Então, tudo o que houver em termos de andamento de processos, eu provavelmente estarei envolvido, também. Mas, o que estiver sendo investigado também terá da Comurg não só as portas abertas para todas as investigações, como também levantaremos o que for da parte documental para que haja a comprovação junto às entidades judiciais. E nós temos a maior boa vontade possível, não só de deixar transparentes os nossos serviços, mas também de prestar todos os esclarecimentos que forem necessários e pertinentes.

O sr. acredita que esse histórico de crise deixou a população um pouco “ressabiada” em relação à Comurg?

Sim, eu acredito, infelizmente. Talvez até por causa de uma excessiva divulgação negativa. Eu entendo das nossas dificuldades, e essas dificuldades não tem atingido somente o setor público, mas a iniciativa privada e o Brasil como um todo. Mas, nós temos tido o apoio do prefeito, que tem se empenhado e dedicado, juntamente com a Comurg, mostrando-se presente. A prova disso são as aquisições que foram feitas, determinadas e autorizadas pelo prefeito. A Comurg nunca teve uma frota tão grande na coleta. Além disso, reformulamos a frota de equipamentos pequenos. Adquirimos vários materiais, como EPIs, roçadeiras costais, 1200 carrinhos que são utilizados na varrição. Foram várias aquisições nos últimos meses, mesmo com todas essas dificuldades quanto a recursos. Eu entendo que é mais uma exacerbação por parte das informações negativas. Mas, em 2015, podemos contar quase que como uma reviravolta. Hoje, a população já vê a Comurg como um órgão extremamente importante para Goiânia, e para o Estado. São 9 mil servidores, dos quais mais de mil nem moram em Goiânia. Então, tem essa contribuição social com as cidades vizinhas.

Esse quadro de colaboradores corresponde e atende à demanda de Goiânia?

Nós trabalhamos com um quadro que pode atender e bem à população e temos também a preocupação de que esse quadro não se expanda muito, para que tenhamos um controle de gastos dentro da empresa, para que a Comurg seja não só um órgão público, mas uma empresa responsável e competitiva, que não tenha um custo muito elevado já que é pago pela população.

Considera, então, que foi importante a reforma administrativa e financeira pela qual a companhia passou?

Sem dúvidas. Essa reforma administrativa foi expandida agora para todos os órgãos e secretarias, mas desde junho do ano passado, nós fizemos a extinção de algumas diretorias, departamentos e setores da empresa que passaram por processo de fusão ou extinção, ou seja, houve enxugamento. Houve o desligamento de vários servidores comissionados. O acerto e a negociação com servidores aposentados, para que se desligassem definitivamente da empresa. E o objetivo sempre foi a diminuição dos custos e dos gastos da empresa. Houve a criação de um organograma que, hoje, a Comurg segue. E o ideal é este, de acompanhar o planejamento que foi feito para que nós possamos cada vez mais prestar um serviço de boa qualidade, mas sempre buscando o menor custo, sem que haja prejuízo para a população.

 

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