HMDI acolhe mulheres vítimas de violência sexual

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Goiânia 2

Além dos diversos serviços de referência prestados no Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI), a unidade conta atualmente com o Ambulatório Girassol, um espaço especializado no acolhimento, amparo e acompanhamento de mulheres acima de 14 anos que tenham sido vítimas de violência sexual. Com uma equipe multidisciplinar composta por ginecologistas, psicólogas e assistentes sociais, o grupo visa a atenção para a prevenção e tratamento dos agravos da agressão sofrida. O objetivo do laboratório é fazer a profilaxia (prevenção) de doenças sexualmente transmissíveis e prevenir a gravidez indesejada.

Para a coordenadora e médica assistente do ambulatório, Maria Laura Porto, é de suma importância que a mulher procure pelo atendimento até 72 horas após o estupro, principalmente se tiver ocorrido a penetração vaginal sem preservativo. Essa indicação se dá pela medicação que evita as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), como a Aids, hepatite B, sífilis, além de infecções como gonorreia e clamídia serem mais eficazes se tomadas antes dessas 72 horas.

O ambulatório funciona de segunda a sexta, das 7 às 13 horas e não demanda necessariamente marcação prévia. A mulher que tenha sofrido violência pode se encaminhar a unidade instalada no Hospital e Maternidade Dona Iris e receber o acolhimento necessário já na recepção, que está apta a atender essas situações. “A equipe é capacitada a fazer um acolhimento humanitário e sigiloso para essas mulheres que já foram vítimas, que tem um sentimento de culpa, vergonha e medo muito exacerbado, principalmente nos primeiros dias após a violência. Então elas precisam realmente de cuidados especiais e a equipe aqui é capacitada para isso”, afirma a coordenadora do ambulatório.

Quando a unidade não está em horário de atendimento normal a equipe do pronto socorro do HDMI também está capacitada a dar o primeiro atendimento à mulher vítima de violência sexual 24 horas por dia, desde feriado a final de semana. “Ao chegar na recepção do hospital, a enfermeira que faz a triagem, classifica essa paciente como atendimento de urgência e já coloca ela em uma sala onde será acolhida de maneira sigilosa para que o médico a atenda”, explica Maria Laura. No primeiro dia útil após essa primeira consulta a paciente é encaminhada para dar seguimento ao atendimento no Ambulatório Girassol. Esse período de acompanhamento tem duração média de seis meses.

Esse acompanhamento é necessário para que se tenha 100% de certeza que não houve o contágio com as doenças sexualmente transmissíveis. Paralelo a esse atendimento o ambulatório também presta uma assistência psicológica e também social para que a vítima da agressão tome conhecimentos dos seus direitos. “Por exemplo, no caso de violência por repetição, nós encaminhamos para o Cevam (Centro de Valorização da Mulher), fazemos a orientação para efetuar o boletim policial e para os pacientes menores de idade nós encaminhamos para a tutela do conselho”, completa a médica.

Procura por atendimento

Mas as estatísticas demonstram o quão a mulher vítima de violência sexual ainda sente dificuldades em procurar atendimento tanto médico como legal. “O que ocorre é que cerca de 10 a 20% das mulheres que são vítimas de violência sexual buscam os serviços capacitados, da mesma maneira que menos de 10% procuram as delegacias”, afirma Maria Laura. A médica ainda explica que, em muitos casos, a mulher não procura o atendimento por desinformação sobre a importância de se evitar a revitimização, que pode ocorrer caso ela tenha adquirido DSTs ou tenha gravidez indesejada. “Na maioria das vezes elas carregam um sentimento de vergonha, culpa e medo, então ela tende a se recolher, a negar o fato”, completa.

Essa baixa procura também pode ser explicada devido ao preconceito e o medo instaurado nas pessoas de serem maltratadas e sofrerem uma nova violência por parte tanto dos hospitais ou das delegacias. Mas a médica Maria Laura atenta que é muito importante que se faça a procura pelos plantões policiais e faça a denúncia da violência cometida. “Uma vez instaurado um processo e detido esse agressor, nós vamos tirá-lo das ruas para que outras mulheres não sejam também violentadas”, finaliza.

 

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