Assédio que desagrada

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As movimentações do vice-governador, presidente regional do PP, e secretário de Desenvolvimento Econômico José Eliton pelo interior em busca de novos filiados têm gerado preocupação dentro da base aliada. A reclamação do grupo é que os seus esforços para buscar novos filiados estão sendo muito ostensivos, não poupando nem mesmo os partidos aliados.

Enquanto alguns dizem que é algo normal e que Eliton busca apenas fortalecer o partido do qual é presidente, outros são taxativos em dizer que o vice-governador está utilizando da máquina e de sua posição para atrair novos aliados. A prática é condenada por muitos que dizem insatisfeitos com a forma que vêm sendo conduzidos os diálogos.
Em busca de fortalecimento, José Eliton mira sua candidatura ao governo em 2018 e para isso tem tentando tornar o seu partido a segunda maior sigla da base aliada em Goiás. Entretanto, muitos partidários dizem que a prematuridade de suas ações podem acabar rachando a base.
Na busca pelo projeto de viabilização ao governo, o vice-governador tem tentando neste início de ano fazer valer a força de sucessor de Marconi Perillo (PSDB). No entanto, há quem diga que sua estratégia se equivoca à medida que busca reforços entre seus próprios aliados e não na oposição, por exemplo. A conta é simples – com a ação José Eliton não fortalece a base aliada, no mínimo mantém o seu tamanho e ainda abre lacunas com outras lideranças do grupo marconista.
A tática não é nova. Em 2003, o governador Marconi Perillo (PSDB), buscando fortalecer seu partido, utilizou sua força política e convidou vários prefeitos do antigo PFL, hoje DEM, para se filiarem no ninho tucano. Com isso, 23 prefeitos do PFL seguiram para a nova sigla, provocando a fúria do então deputados federal Ro­naldo Caiado (hoje senador), presidente do partido.
A diferença, segundo al­guns aliados, é que Marconi buscou pre­feitos de apenas um partido, enquanto José Eliton vem buscando prefeitos de diversos partidos, causando um desgaste generalizado.

Desagradando
Profundamente chateada, uma fonte importante dentro da base disse estar “arrepiada” com o que esta vendo. O fato tem incomodado a ponto de todos os prefeitos do seu partido virem relatar o problema. “Isso tem nós incomodado e muito. Muitos prefeitos nossos têm vindo nos procurar para pedir socorro”, diz um membro.
O fato de não haver diálogos até aqui em torno das conversações de José Eliton com componentes de outros partidos aliados da base tem gerado des­conforto entre as alas do es­teio governista. Indagado se is­so poderia causar desgastes pa­ra as eleições de 2018, um correligionário resume: “Eu diria que já esta causando. É precipitado o que ele esta fazendo”.
Outra fonte da base aliada, que preferiu não se identificar, afirmou que o grande erro de José Eliton é estar se utilizando da figura de vice-governador para assediar prefeitos, fato que vem desagradando muitos nomes da base. Segundo ele, o vice-governador poderia estar buscando nomes da oposição.
“Há prefeitos do PMDB, por exemplo, que estão claramente incomodados com o partido e poderiam ser procurados por Eliton, mas ele não o faz. Prefere usar sua força de supersecretário e de vice-governador para assediar prefeitos da base. Isso é ruim para ele, pois, em 2018, suas ações neste momento poderão ser cobradas quando precisar de apoio”, lembra.
Com sete prefeitos no interior, o PR é até aqui o partido que mais sofreu com os assédios do PP. Todos eles já foram procurados por José Eliton segundo Flávio Canedo, presidente da sigla. “Todos os nossos prefeitos já foram assediados. Não conseguiu tirar nenhum. Mas ele esta tentando”, revela.
Mostrando-se bastante incomodado com o fato, Flávio Canedo observa que o PSDB jamais tomou atitude parecida. Segundo ele, a problemática poderá causar estragos dentro do bloco governista e a atitude de José Eliton deveria ser outra. “Acho que ele deveria procurar prefeitos de outros partidos de oposição”, opinou.
Ainda criticando a atitude do vice-governador, Flávio pediu que Eliton tente aglutinar ao invés de causar conflitos. “O José Eliton não é um aglutinador. Ele cisca para fora. Deveria ciscar para dentro como faz Marconi Perillo. É uma reclamação de todos os partido da base. Todos estão tendo esse assedio”, relata.
Flávio Canedo é claro ao dizer que o seu compromisso é com o governo de Marconi e, caso o assedio permaneça sobre os seus aliados, poderá não apoiar Eliton no futuro. “O PR tem compromisso com o Marconi, com o José Eliton não temos compromisso”, ressalta.
Canedo revelou ainda que os assédios começaram no final do ano passado, mas foi intensificado nos últimos seis meses. “As investidas sobre os nossos aliados ocorrem com mais vigor nos últimos seis meses. Quando você começa fazer isso você racha um grupo”, disse.
Pertencente ao quadro pepista, mas de fora dos diálogos que gira em torno da busca direta por novos aliado, o deputado federal Roberto Balestra (PP) sai em defesa de sua agremiação. O deputado tem se mostrado bastante tranquilo em relação ao tema e se posiciona com naturalidade.
Para Roberto Balestra, conquistar aliados é importante e trabalhar para o fortalecimento do partido é salutar. Diz que os prefeitos que foram convidados só sairão das suas agremiações se estiverem insatisfeitos. “Isso tudo que esta acontecendo faz parte. Todo partido quer crescer. Vejo que o prefeito não vem se tiver engajado com seu partido”, argumenta.

Naturalidade
O deputado federal e presidente regional do PTB, Jovair Arantes, é outro membro da base que considera a movimentação como prematura. Para o congressista petebista, é necessário que haja cautela no que tange o assunto. Jovair observa, no entanto, que o fato de José Eliton estar tentando am­pliar sua base é do cronograma político. “É do jogo. Faz parte do jogo político”, diz Jovair.
O presidente regional do PSDB em Goiás, Afrêni Gon­çalves, salienta que o processo de ampliação de base é natural neste momento. Entretanto observa que a base precisa ser coesa. “É natural que todos os partidos queiram ampliar-se. O PSDB está fazendo isso, mas com quem não está na base”, detalha o presidente tucano.
Dentre os maiores partidos do bloco governista, o PDT é o que até agora tem se mostrado mais tranquilo até aqui. O partido conta com dez prefeitos por todo o estado e tem como liderança principal a deputada federal Flávia Morais. A parlamentar disse que o fato de o vice-governador estar tentando fortalecer seus quadros não a incomoda.
Flávia Morais salienta que este momento é oportuno e que todos têm o direto de buscar no­vos aliados. “Se for para fortalecer o partido eu acho correto”, defende. Entretanto, a deputada opina que caso seja um projeto de governo do vice-governa­dor, para não causar atritos, a função poderia ser delegada a outro.
“O fato dele fortalecer o partido não acho errado. Dependendo do projeto dele, se for de governo, para não causar problemas seria mais importante deixar a cargo de outra pessoa”, opina a parlamentar.

Troca
Outra situação que está em evidencia é o fato de o prefeito de Rio Verde Juraci Martins (PSD) estar aprofundando diálogos com partido de José Eliton. Há informações de que o rioverdense deverá transferir em breve para o PP. Com isso, traria consigo mais uma aliado que seria o deputado estadual Lissauer Vieira (PSD).
Por sua vez, liderança do PSD, o deputado federal Heuler Cruvinel (PSD), rechaça qualquer tipo de conversa em torno da troca de partido dos dois aliados e considera natural a movimentação do vice-governador. “É legítimo. Ele tenta fortalecer o partido dele. Tem alguns assédios, mas quem está no PSD está satisfeito”.
Entretanto, segundo informa a coluna Linha Direta desta semana (leia na página 4), a relação entre Heuler e Juraci está terminada. O prefeito já se decidiu seguir para o PP e aguarda apenas a aprovação da janela que permitirá a troca de partidos.


Estratégia de José Eliton é errada, consideram partidários

 

Como ponto de partida, as eleições do ano quem servem de base para o próximo embate eleitoral estadual de 2018. Por está razão, José Eliton (PP) tenta ganhar aliados para concretizar sua viabilização na corrida pelo governo do Estado e ser o sucessor de Marconi.
Entretanto, sua estratégia é condenada por membros da base. Um deles usou uma metáfora para definir o estrago que sues ações podem causar. “Ninguém gosta de perder. A dose quando é maior que o necessário pode se tornar um veneno”, diz um importante pilar da base.
Além disso, um deputado da base analisou como errados alguns nomes mirados pelo PP. “O vice-governador está errando em sua mira. Ele está buscando nomes que não concorrerão à reeleição, ou por não poderem mais concorrer ou por não terem chance nas eleições do próximo ano, ao invés de buscar nomes com potencial de vencerem as eleições municipais. Passadas as eleições de 2016, ele perderá muito de sua força conquistada neste ano”, avalia.
Entre os maiores partidos da base governista, três deles ouvidos pela reportagem disseram que até o momento não sofreram com assédio, mas não negaram que há em outras agremiações. Entre eles, o PDT, da deputada Flávia Morais, o PTB do congressista Jovair Arantes e o PSDB.
Afrêni Gonçalves presidente do PSDB defende que tudo dentro da base precisa ser pensado no sentido de aglutinar. E colocou o seu partido a disposição para qualquer ajudar. “Tudo tem que ser pensado para aglutinar. Unir força. Se precisar do PSDB para fazer esse trabalho, nós estamos à disposição”, reforça Afrêni.
Jovair Arantes revela que seu partido não sofreu com nenhuma das investidas de José Eliton, mas mesmo que houvesse, a liderança principal do partido não temeria, pois acredita na coesão de sua legenda. “O PTB não sofreu com esse assédio. Mas nós estamos bem. Temos uma base muito coesa”, diz Jovair. (M.B.)

 

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