Sobre crises econômicas

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Esta semana, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou mais um dado alarmante para a economia brasileira. O desemprego no segundo trimestre de 2015 subiu e atingiu a marca de 8,1%. Além disso, em um ano o número de desempregados aumentou 1,3 milhão, ou 18,4%. Esse foi o maior aumento de desocupação para este período de toda a série histórica, iniciada em 2012.
Os números são preocupantes e, ao mesmo tempo, importantes para que o país consiga desenvolver um antídoto que estanque este crescimento tão inoportuno. Esses dados se somam com outros indicadores ruins do país, como o aumento da dívida pública – em 2014 chegou a 66% do PIB – e o desequilíbrio das contas públicas, com o governo gastando mais do que arrecada. Além da inflação, que em 2015 deverá exceder, e muito, o teto da meta.
O Brasil chegou a essa situação devido a alguns erros e muitos excessos nos últimos anos. Dentre os excessos, se destacam os gastos governamentais, principalmente no ano passado. Com a máquina inchada e as eleições gerais – e o fato da presidente Dilma Rousseff (PT) ter sido candidata à reeleição -, gastou-se muito mais do que a capacidade das contas brasileiras. E, quando alguém gasta mais do que deve, a conta pode até demorar, mas um dia chega.
O erro maior foi a diminuição dos juros no início do primeiro mandato de Dilma sem enxugar a máquina pública, como disse a economista e atual secretária da Fazenda do Estado, Ana Carla Abrão, em entrevista exclusiva na última edição da Tribuna. Algo que criou um aumento exagerado no consumo, sem que o país conseguisse suprir essa demanda.
Apesar de tudo isso, a situação do Brasil não é de “fundo do poço”. Vale comparar – apesar das grandes diferenças -, a crise do Brasil com a grega, outro assunto tão difundido nos meios de comunicação nas últimas semanas. A Grécia, sim, está em situação gravíssima. Enquanto o Brasil vê a sua dívida na casa dos 60% do PIB, o saldo devedor grego é de 180% do PIB.
Isso significa que se os gregos trabalharem somente para pagar as dívidas, mesmo assim demorarão quase dois anos para quitá-la. Além disso, os instrumentos da Grécia são muito mais limitados, já que o país não pode alterar a política monetária – centralizada no Banco Central Europeu – e nem mesmo mexer nas alíquotas de importação para estimular a indústria (por fazer parte da União Europeia). Isso tudo gera um desemprego enorme no país mediterrâneo, que hoje ultrapassa 25%.
A crise brasileira preocupa, mas podemos superá-la com atitudes corretas de ajuste fiscal e, sobretudo, contenção nos gastos públicos. E claro, não repassando todo o ônus para o trabalhador, com aumento de impostos e redução de jornada de trabalho. O governo também precisa fazer a sua parte.
Boa leitura, ótima semana!

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