“Se meu nome agradar, buscarei a presidência da Assembleia”

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A 7 - Francisco Oliveira

Tribuna do Planalto – O que lhe motivou ser deputado estadual depois de tantos anos fora de cargos eletivos?
Francisco Oliveira – Fui vereador por 12 anos e presidente da Câmara de Goiânia por três vezes e sempre participei desse trabalho de composição e de articulação em chapas majoritárias, tanto de Goiânia quanto do Estado. Sempre fiz parte e trabalhei dentro da base aliada. O governador me fez candidato, pois precisava de deputados de confiança na Assembleia. Por isso aceitei o convite.

A juventude de alguns deputados é um dos problemas da base, por serem ainda inexperientes?
Não. Posso lhe citar os quatro mais novos: Diego Sorgatto já foi vice-prefeito, vereador e presidente da Câmara de Luziânia e é muito inteligente; o Zé Antônio foi vereador e vice-prefeito de Itumbiara e digo que será um dos melhores oradores de Goiás; o Lucas Calil é uma revelação. Será o Marconi de amanhã. E temos o Gustavo Sebba, que mostrou que é grande, ao separar os problemas de Catalão daqui. Eles oxigenam o legislativo e levam novos valores.

Como foi o processo de criação do G-15, liderado pelo senhor?
Foi uma necessidade de soma de forças para pleitearmos espaço na Assembleia e junto ao governo, mas mais que isso, de trabalharmos em prol do governo do Estado. São deputados próximos do governador e fazemos o que o governador espera de nós.

Houve críticas ao grupo, que chegou a ser apontado como uma célula da base aliada dentro do grupo de deputados da base e que, por isso, causou até alguns problemas ao líder do governo em certos momentos. Como o sr. lidou com isso?
Pelo contrário. Esses deputados são os que têm dado suporte com presença e nas votações. Nós temos nosso líder maior que é o deputado José Vitti (PSDB), que é o líder do governador. Ele nos orienta sempre e nós nunca deixamos de segui-lo. Temos uma hierarquia na base e, na Assembleia, tem facções dentro do grupo. Mas trabalhamos unidos, em prol do governo.

O sr. trabalhou para ser presidente, mas o Dr. Hélio foi reeleito para o cargo. Como avalia seu mandato à frente da Assembleia?
O Dr. Hélio é uma pessoa preparada e respeitada. Tem palavra e compromisso com a Assembleia e infelizmente paga um preço por estar combatendo os problemas lá de dentro. Ele busca a transparência do poder e tem o respeito de todos os deputados. Foi o nome correto no momento correto aqui dentro.

O nome correto na próxima eleição é o do sr.?
Acho que dependerá do trabalho interno. Todos os deputados sonham em ser presidente da Assembleia. Se meu nome agradar e merecer a confiança, buscarei a presidência da Assembleia. Mas será um projeto construído com os 41 deputados.

Os deputados desta legislatura pagam pela falta de transparência de gestões passadas? Há a preocupação de ter um desgaste político?
Acaba tendo, por conta de funcionários fantasmas e da falta de transparência. Isso existe. Mas o presidente está fazendo uma transição para correspondermos àquilo que a sociedade cobra. Não que os outros presidentes tenham sido ruins, mas a cobrança está toda nas costas do Dr. Hélio. Ele trabalha para atender às expectativas da sociedade.

Este desgaste do governador no quarto mandado, por conta da reforma administrativa implantada no final do terceiro, poderia ser pior sem o apoio de deputados da base na Assembleia?
O governador não chegou ao quarto mandato por acaso. Nós temos um Estado preparado para o crescimento e, claro, enfrentamos uma crise que pode se agravar. Mas o governador previu isso e fez a reforma, que gerou desgaste. Ele, porém, não se preocupou, mesmo sabendo que alguns deputados da base pensavam diferente dele. Mas ele não pensou somente na base, mas sim no Estado. E isso dará suporte para chegar no ano que vem com um Estado robusto.

Mas dentro do grupo que o sr. lidera, houve insatisfação pela perda de cargos, por exemplo?
Claro. Todos ficaram contrariados. Eu fiquei muito contrariado com a perda de cargos. Mas tivemos que nos adequar, entender o momento e dar suporte ao governador, pois é necessário para o Estado. Até a oposição entende. As mudanças são necessárias, pois vários Estados estão enfrentando uma crise. E o governador criou recentemente um pacto federativo com governadores da região Centro-Oeste para trabalharmos juntos e trazermos benefícios para cá; dar um salto econômico em nossa região.

Qual pode ser a marca do governador neste quarto mandato?
A marca será a excelência do serviço público. Nós temos recebido visitas de mais de oito governadores para conhecer, por exemplo, a gestão da Saúde, com as OSs. E ele não trabalhou apenas na implantação das OSs, mas criou todo um aparato para que essa gestão seja eficiente, seja correta e que o dinheiro público possa ser bem utilizado. Tem mais de 8 mil itens desse conselho das OSs que são fiscalizados. E o resultado está aí: 92% de aprovação na rede estadual de saúde, que é o padrão Crer. Isso agora vai ser levado também para a secretaria de Educação e vai ser levado para a Segurança Pública. Com isso, o governador irá mostrar para o Brasil a excelência na gestão pública.

O fato de ele ter trazido governadores para conhecer o seu trabalho e também realizar esse pacto federativo dentro da região Centro-Oeste já dá, mais ou menos, uma noção que Marconi buscará alçar um voo mais nacional em 2018?
Eu não tenho a menor dúvida que o Marconi sonha com um projeto nacional. Como há uma crise entre Minas Gerais e São Paulo no comando do PSDB, e Marconi se dá bem com esses dois grupos, tenho certeza de que ele pode ser o catalisador de uma candidatura nacional. Até porque, se o candidato da base governista for o ex-presidente Lula, ninguém é mais anti-Lula do que Marconi.

O Marconi já foi senador, vice-presidente do Senado e voltou para governar Goiás. Não poderia ter feito a ponte para um cargo federal mais expressivo?
Não. Aí que está o problema. Marconi realmente poderia ter pensado só nele e fazer um projeto nacional. Mas ele tem o compromisso com o Estado. Ele não queria ser candidato em 2010, mas foi cobrado pela base aliada. Ele foi pressionado para que viesse ser candidato a governador e aceitou o desafio. Essa é a diferença. Ele não faz projetos pessoais.

Isso também não é do fato de que a base aliada carece um pouco mais de líderes?
Não. Acho que não. A base aliada tem grandes nomes. Vilmar Rocha, que quase virou senador, é um deles. Agora, Marconi era o melhor nome e a base deu carta branca a ele. Ele veio, aceitou o desafio e ganhou a eleição. Está fazendo seu trabalho. É um governo planejado.

Quem é o nome mais forte da base para a prefeitura de Goiânia?
Acho que está um pouco longe para sabermos. Temos muitas candidaturas no PSD, como a do Virmondes Cruvinel, do Francisco Júnior; no PP, o próprio Sandes Júnior; no PSDB, com Giuseppe Vecci, Fábio Sousa, Jayme Rincón… O goianiense quer alguém que tenha paixão por Goiânia. Com todo respeito, sem desmerecer qualquer um dos outros, eu acho que o melhor nome que nós temos é o de Jayme Rincón. É político, sabe ouvir, sabe trabalhar e não tem preguiça. É alguém que tem sentimento de goianidade, conhece Goiânia como a palma da mão, é tocador de obras.

Em relação a adversário, hoje o Jayme Rincón seria o melhor nome para enfrentar Iris Rezende?
Sim, pois Jayme é um tocador de obras, é um bom gestor e não tem medo de enfrentamento. Vai enfrentar o Iris a altura. Claro que o Iris é uma grande liderança em Goiânia – é uma grande liderança no Estado de Goiás -, mas nós não podemos desconsiderar que temos uma população na capital que 60% dela têm entre 16 e 52 anos. Então, a grande maioria da população de Goiânia que vota são jovens, da idade do Jayme, e isso poderá lhe dar uma força. A população vai saber escolher alguém que está com gás. O goianiense quer gestão e Jayme Rincón é a receita. Com todo o respeito a todos os pré-candidatos.

Com tantas candidaturas, como unir essa base aliada?
Conversando e vendo pesquisas. Mas não só pesquisa do voto momentâneo. Pesquisa tem que fazer de quem agrega mais, de quem vai atender as demandas do goianiense. Sabendo disso, os perfis vão sendo delineados e nós vamos poder trabalhar e mostrar para cada um que a vitória chegará dessa forma. O Jayme, por exemplo, é conhecido por 20% da população. Temos como construir a sua candidatura, mostrando quem é ele.

Está para ser aprovada a janela que permitirá a troca de partido. O sr. está satisfeito no PHS ou pensa em mudar de sigla?
Eu estou satisfeito, mas tenho que esperar o que vai existir de concreto na reforma para que possamos discutir com o presidente do meu partido, que é meu amigo e é uma pessoa que eu respeito muito.  Faço parte da base aliada e tenho compromisso com o governador e com o vice-governador José Eliton. Em cima desses nomes que nós vamos discutir sobre o futuro, tanto eu quanto o presidente Eduardo Machado, imaginamos 2016 e imaginamos 2018. Temos que trabalhar em curto, médio e longo prazos.

Depois de tanto tentar, o vereador Anselmo Pereira conseguiu ser presidente da Câmara Municipal de Goiânia. Como o sr., pela experiência de Câmara que tem, vê a gestão dele e essa proximidade com o prefeito Paulo Garcia?
Costumo dizer que a obrigação do gestor é fazer a política do todo. O presidente da Câmara representa um parlamento de 35 vereadores e é um elo entre a população e o prefeito. Fui presidente da Câmara por três vezes e em duas delas com prefeito de oposição. Dei governabilidade tanto para Darci Accorsi (PT) quanto para o Pedro Wilson (PT). Então, você tem que imaginar que o Anselmo faz o papel de gestor, de presidente do todo. Ele está fazendo um papel, sim, de cuidar do Executivo para que o Executivo possa fazer o melhor para a população.

 

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