PMDB x PT: relação se abala

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CAPA - PT PMDB

O jogo político de 2016 dentro da oposição estadual na capital está a pleno vapor. PT e PMDB, protagonistas desse embate, travam duelo de queda de braço e medem força no jogo de palavras. PMDB já trabalha com a hipótese de não ter o PT como aliado. Nos bastidores, inclusive, a informação é que a chapa favorita é com o ex-prefeito Iris Rezende e o ex-deputado Sandro Mabel, para vice. Partidários, porém, ainda não assumem o fim da aliança com o PT que, internamente, está cada dia mais claro.
Mesmo assim, o clima entre PMDB e PT ficou pior na última semana, que foi cheia de novidades, a começar, com a reunião feita a portas fechadas entre integrantes do PMDB e o senador Ronaldo Caiado, na última segunda, 6, na qual peemedebistas saíram confirmando que o DEM seria o principal aliado do partido em Goiânia no próximo ano.
A afirmação não foi bem recebida por petistas que reagiram de forma contundente. Indagado pela reportagem da Tribuna sobre sua impressão acerca do encontro entre os dois partidos, o presidente metropolitano do PT, deputado estadual Luis César Bueno, foi enfático ao afirmar, de forma firme e aparentando insatisfação: “O PT terá candidatura própria à prefeitura de Goiânia em 2016”.
Com a reação petista a im­pressão de aliança já consumada ao fim da reunião entre de­mo­cratas e peemedebistas, não resistiu por muito tempo. Os dois principais presidentes do PMDB – Samuel Belchior (re­gional) e Bruno Peixoto (me­tro­politano) – concederam en­trevistas recuando das afirmações do início da semana, indi­can­do que ainda não há um aliado principal para o partido em 2016.
Por fim, restou apenas uma única certeza dentro de todo esse rebuliço que atingiu a oposição estadual na última semana: apenas um nome poderá unir a oposição em torno de uma candidatura única na capital. E este nome é o do ex-governador Iris Rezende (PMDB), que, por enquanto, ainda não acenou para tal.

Iris candidato?
Com a queda de braço dentro da situação, o papel de evitar um racha mais profundo está nas mãos de Iris Rezende (PMDB). É o que consideram alguns dos correligionários ouvidos pela reportagem. Hoje os petistas não enxergam possibilidade de união que englobe DEM, PMDB e PT, isso só seria imaginado caso Iris entre nas conversas e tente fazer acontecer.
É o que pensa o deputado federal Daniel Vilela (PMDB). Para ele, apenas o ex-governador tem poder de unir dois partidos antagônicos em torno de uma candidatura na capital. “Pode até ser que venha DEM e PT, o único nome que tem condições de fazer isso é Iris Rezende”, avalia Vilela.
Mas a grande questão é: Iris será candidato? Até aqui liderança peemedebista permanece calada. Não há sinal de que Iris postule o seu nome para o ano que vem, o que levou, inclusive, Samuel Belchior a alertar o partido sobre o fato e sobre prazos, em entrevista a Rádio 730 na última semana. “Hoje o Iris não é candidato. O PMDB tem que se definir internamente ainda este ano. Não pode deixar para o ano que vem a definição do nome”, declarou Samuel.
A chapa pura já foi discutida dentro do PMDB como forma de unir os dois principais aliados, mas ela não agrada ao PT, que se considera (e o é, de fato) um partido maior que o DEM em Goiânia. Além disso, os discursos de Caiado contra a presidente Dilma Rousseff (PT), em Brasília, cerram qualquer possibilidade de união em Goiânia. A discussão nacional, então, teria que ser esquecida em 2016.
Reação
O problema é que o PT se mostrou muito irritado com as declarações de peemedebistas após o encontro com Ronaldo Caiado na última semana. Além de afirmar pela primeira vez que o seu partido terá candidato à prefeitura de Goiânia, Luis César Bueno, chegou a dizer que o PMDB precisa resolver sua crise existencial.
Além de aguardar a definição do PMDB, o PT também in­dicou que com o DEM na cha­pa, a aliança corre um risco imenso de não seguir adiante. É o que afirma o vereador Carlos Soares (PT), líder do prefeito na Câmara. Para ele, se o PMDB preferir o DEM, o PT ficará de fora. Com isso o partido começa a conversar com lideranças. “Estamos conversando com vários partidos. Não podemos ficar à espera do PMDB”, indica.
O próprio prefeito Paulo Garcia (PT) foi duro ao analisar a situação. Em entrevista coletiva na assinatura do contrato das obras de prolongamento da Marginal Botafogo, ele “acertou” Caiado diretamente. “Acho que Ronaldo Caiado tem que falar menos e fazer mais por Goiânia”, cutucou.
A direção regional do partido também não demonstra satisfação com os últimos acontecimentos. A postura de Luis Cesar Bueno é seguida pelo presidente regional da sigla Ceser Donisete. Para ele, PT e DEM não têm chances de seguirem juntos. “Onde o DEM estiver o PT não tem condições de ficar”, pondera.
Apesar disso, Ceser é otimista quanto a possibilidade de continuar a união entre os dois velhos aliados. Segundo ele avalia, ela tem dado certo até aqui e que está dentro da normalidade continuar a aliança. “Os dois partidos administram juntos prefeitura. É normal que sigamos juntos”, pontua.

Bombeiros
Buscando salvar a aliança, abalada com o encontro da última semana, peemedebistas tentaram apagar a má impressão. O presidente metropolitano do PMDB Bruno Peixoto foi brando ao analisar o assunto.
O presidente afirmou que o PT vai indicar a vice do PMDB. Bruno salientou que as conversas que envolvem o DEM estão voltadas para o nível estadual. “Nossa vice será indicada pelo PT, nosso maior aliado”, afirma.
O deputado federal Pedro Chaves (PMDB) tirou o peso da aliança entre o PMDB e DEM ao afirmar que não há definição sobre o processo. “Nada está definido. O PT continua sendo um dos nossos principais aliados”, frisa.
O deputado estadual Adib Elias (PMDB), que também esteve na reunião, afirma que “ninguém estava jogando o PT fora”. Já Daniel Vilela (PMDB) pondera que, apesar da reunião, não há definição alguma. “Nada está definido. Nós precisamos conversar com o PT e com outras forças”, diz o deputado.
O presidente estadual do PMDB Samuel Belchior (PMDB) também adotou um tom amenizador e em torno da parceria. Segundo ele não há nada definido. “Não existe parceiro ideal para 2016. Temos que buscar o maior número de aliados possível. Temos que continuar as conversas”, afirmou Samuel.


Discurso para 2018 também muda

Outro ponto claro de recuo do PMDB na última semana foi em relação a 2018. Após a reunião na qual peemedebistas declararam que o DEM seria o principal parceiro para 2016 e Ronaldo Caiado seria o nome da oposição em 2018, muitos peemedebistas recuaram mais uma vez em suas declarações.
Para o deputado federal Pedro Chaves, seria mais fácil Caiado como candidato caso ocorresse a fusão entre DEM e PTB. Com o fim da expectativa dessa união, porém, a possibilidade é remota, segundo ele. “Esse questão de Caiado vir para o PMDB existiu, mas como a fusão não deu certo acho muito difícil ele sair candidato”, avalia.
Samuel Belchior corroborou com a opinião do deputado federal, lembrando que o PMDB, por ser o maior partido do Estado, não deixará de lançar candidato em 2018. “Nós temos uma responsabilidade com nossas bases. Somos o maior partido do Estado e não podemos deixar de ter candidato em 2018”, afirmou. Alguns, inclusive, apontam para uma possível postulação de Daniel Vilela para o cargo. Da­niel, por sua vez, nega que já te­nham acontecido diálogos, mas o próprio presidente metropolitano da sigla confirma. “Já estamos trabalhando o nome do Da­niel Vilela para o Estado”, diz Bruno Peixoto. (M.B.)


PMDB busca outras alianças, inclusive na base

Além de conversas, nem sempre amistosas, com PT e com DEM, o PMDB também vem buscando mais partidos para formar uma grande aliança na capital em 2016. O partido tem ido atrás dos mesmos que apoiaram a candidatura de Iris Rezende em 2014, como PPL, PRTB, PTN e SDD, além de alguns partidos da base, como o PTB. “Estamos em diálogos com alguns partidos, os mesmo que nos apoiaram em 2014 com exceção do PTB”, afirmou Bruno Peixoto.
Os diálogos mais aprofundados com partidos da base governista só passarão a existir se houver um racha na base de governo, segundo afirma o deputado federal Pedro Chaves. “Até aqui não há conversa. Pode ser que lá na frente, caso haja um racha, a gente pode conversar com alguém”, garante.
Apesar de ter sido citado como possível aliado, o PRP negou ter tido conversas com o PMDB. “Converso sempre com o presidente. Não tem nada ainda. O nosso objetivo é lançar candidatura própria à prefeitura”, assegura Major Araujo. Dentro do partido, a preferência é do radialista Jorge Kajuru. “Kajuru não será candidato se não quiser. Se ele não quiser, eu vou participar do processo”, revelou Major. (M.B.)

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