Chapada cultural

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SLIDES - COMUNIDADEO Encontro de Cultu­ras Tradicionais da Chapada dos Vea­deiros chega neste ano a sua décima quinta edição. O evento que é realizado anualmente na Vila São Jorge, em Al­to Paraíso (GO), está progra­ma­do para começar nesta sexta-feira, 17, com a realização da Aldeia Multiétnica. O pequeno povoado de ex-garimpeiros está localizado na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Vea­dei­ros e será palco para uma sé­rie de atividades nos dias seguintes.

Além de shows de grupos regionalistas, o XV Encontro de Culturas terá oficinas, intervenções artísticas e uma programação especial para o público infantil, além das tradicionais Rodas de Prosa, que são debates nos quais representantes do poder público, mestres da cultura tradicional e sociedade reúnem-se para trocar experiências e confrontar visões de mundo, dando prioridade a abertura e diálogo.
A nona edição da Aldeia Multiétnica chega cheia de novidades. O local é organizado de acordo com os princípios tradicionais dos povos indígenas e oferece ao público a experiência de vivenciar o dia-a-dia de uma aldeia, com direito a cantos, rituais, culinária e pinturas corpo­rais. Nesta edição do Encon­tro há ainda a criação do espaço para camping, onde os participantes interessados poderão ampliar a vivência com os povos presentes.
Neste sentido, foram desenvolvidos pacotes de hospedagem que incluem alimentação para atender ao público. De a­cor­do com a organização do e­vento, a quantia arrecada será direcionada para a manutenção do espaço e, também, para o tras­lado dos indígenas, cuja maioria vive em aldeias de difícil acesso.
Para a formação do espaço, quatro casas tradicionais indígenas já foram construídas, sendo uma Xinguana, uma Krahô, uma Kayapó e uma Fulni-ô. De acordo com a organização, os espaços de comércio dos indígenas dentro da Aldeia Multiétnica são de responsabilidade de cada grupo e o lucro com a venda de peças artesanais e dos demais produtos é integralmente deles.
A realização do evento é da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, organização não oficial que realiza, periodicamente, várias atividades socioculturais, sempre com vistas ao incentivo do exercício da cidadania de grupos minoritários, orientando-os na defesa de valores como a qualidade de vida, a proteção do meio ambiente e a preservação de referências culturais.
Para Juliano George Basso, idealizador do projeto e cientista social, a realização do En­contro de Culturas é de extrema importância para perpetuação das culturas regionais e tradicionais do Brasil. De acordo com ele, o mo­te do evento é não deixar que as manifestações culturais caiam em esquecimento. “O ob­jetivo é difundir e divulgar as culturas tradicionais, os usos e costumes, o patrimônio cultural, e fazer o intercâmbio entre diferentes manifestações culturais”, explica.
Basso conta que o Cavalei­ro, como é conhecida a entidade na região, tem batalhado para alcançar a sustentabilidade do evento, vez que a realização do encontro ainda depende de incentivo público e patrocínio privado, atualmente. “O problema é que as políticas públicas esbarram na questão financeira. Não é fácil fazer um evento que necessita de recurso público e, às vezes, o alto valor de investimento não permite sua realização plena”, comenta.
A falta de incentivo é uma das maiores causas de indignação de José Nilo Almeida Passo, 60 anos, integrante do grupo de Caçada da Rainha do município de Colinas do Sul (GO). Sêo Zé Nilo garante que esse é o principal entrave que os grupos tradicionais enfrentam e que a burocracia muitas vezes impede a disseminação da cultura regional. “Se for para mexer com essas coisas de projeto, é melhor largar para lá. A gente não vai perder tempo com projeto”, assevera.
“Nós somos um dos municípios mais pobres de Goiás e, mesmo com o crescimento da nossa festa, temos pouco incentivo. Do governo não recebemos nada, mesmo. E quando você vai fazer um projeto para captar alguma coisa, acaba desistindo por causa de tanta burocracia que eles colocam”, narra sêo Zé Nilo. O reflexo do pouco estímulo recebido aparecerá nesta edição do Encontro de Culturas que, para ele, não terá tanta repercussão quanto os últimos.
“A organização do Encontro está fazendo tudo na vontade esse ano, porque a dificuldade é grande. Só pra ter uma ideia, antigamente eram duas semanas de evento, mas esse ano vai ser só uma”, exemplifica sêo Zé.
A mesma dificuldade é enfrentada pelos foliões de Crixás. De acordo com Daya­ne da Penha Dias Honorato, 24 anos, representante do grupo, a Folia não recebe nenhum tipo de incentivo público. “Quando não conseguimos o transporte aqui junto com a Prefeitura, eles [organização] pagam o transporte, mesmo com toda dificuldade que enfrentam lá para fazer o evento”, explica. Dayane é filha do violeiro Se­bas­tião Dias Seabra, 61 anos, um dos integrantes do grupo.
Para ele, a realização do evento é muito importante, pois possibilita uma troca entre os grupos e a perpetuação da cultura. “Vai fazer uns sete ou oito anos que a gente participa. A gente incentiva muito, peleja muito para os jovens aprender. Tendo vontade de entrar, a gente coloca eles”, diz.
Em 2015, o evento completa 15 anos sob o tema “Sociobiodiversidade”. Para Juliano Basso, a temática é essencial para a manutenção de culturas que dependem da cultura do manejo e da agricultura familiar para subsistência. A ideia é irá abordar formas de geração de renda por meio da biodiversidade para povos e comunidades tradicionais.
Dentro disso, o XV En­contro de Culturas será subdivido em cinco temas: Cul­tura e Pensamento, Cultura e Infância, Cultura e Alimen­tação, Cultura e Diversidade, e Cultura e Saúde. O objetivo é orientar um debate que priorize a garantia de direitos aos povos e comunidades tradicionais. “Esta é uma época difícil, em que povos tradicionais vêm perdendo espaço e tendo seus direitos violados. Sendo assim, precisamos nos aprofundar mais nessa discussão”, avalia Basso.
A expectativa da organização é que cerca de 30 mil turistas participem do evento, este ano. “O público é, basicamente, composto por moradores da região, povos e comunidades tradicionais e visitantes da Chapada dos Veadeiros”, conta o idealizador do Encontro. “Mas, a gente vai ter uma participação latino-americana bastante expressiva. Já temos informação que virão várias pessoas da Argentina, Venezuela e México”, adianta.


Atrações

 

Conheça alguns dos artistas e grupos que estão na programação de 2015 do XV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros (GO).

 

Caçada da Rainha de Colinas do Sul
A Caçada da Rainha é uma tradição centenária, que traz vestígios do ciclo do ouro em suas danças e músicas e apresenta algumas das demonstrações de valores, crenças, hábitos e aspirações religiosas da cultura popular do nordeste goiano.

Catira de São João D’Aliança
A catira é uma dança tradicional praticada pelos moradores de São João D’Aliança, município localizado a 105 quilômetros da Vila de São Jorge. A população da cidade participa das folias, acompanhando os violeiros e cantadores, firmando o sapateado com o som das palmas, da viola e dos versos de improviso.

Comunidade do Sítio Histórico Kalunga
Dança tradicional Kalunga, a Sussa nascida de tradições africanas, reflete toda a alegria desse povo. Com um ritmo marcado pelo som da viola, do pandeiro, da sanfona e da caixa (espécie de tambor), é uma tradição que envolve toda a comunidade através da música e da dança, caracterizada por giros em que as mulheres equilibram garrafas de cachaça sobre a cabeça.

Moacir Farias
Artesão enigmático, Moacir Faria se empenha na criação de um universo próprio, no qual figuras sagradas e profanas convivem entremeadas por seres humanos, animais, flores e sexo. Nascido em São Jorge, na região da Chapada dos Veadeiros, na época dos garimpos, em meados da década de 1960, Moacir é filho de Seu Domingos Farias, antigo garimpeiro do povoado, falecido em 2010, e Dona Maria Odúlia.

Yawalapiti
Os Yawalapiti vivem na porção sul do Parque Indígena do Xingu. Para os Yawalapiti, o mundo mítico é um passado que não se liga ao presente por laços cronológicos restritos. Assim, o mito existe como referência temporal e espacial, mas, principalmente, comportamental. O ritual é, portanto, um momento em que o cotidiano está mais próximo do modelo ideal mítico, no entanto, sem atingi-lo.


O que fazer no XV Encontro?

 

 

Aldeia Multiétnica

Aberta à visitação do público das 13h às 18h, possui estrutura de restaurante e lanchonete com comidas tradicionais, leituras especializadas sobre povos tradicionais, videoteca, mostra de filmes na oca Xinguana e atividades para crianças. Na Aldeia também pode-se tomar um delicioso e relaxante banho de rio.

Feira de Experiências Sustentáveis

Realizada pelo Sebrae em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, a Feira trará um espaço onde serão expostos e comercializados produtos advindos de iniciativas de negócios sustentáveis e responsáveis ecologicamente. O objetivo é fomentar a circulação de produtos tradicionais e artesanato típico de regiões diversas, em especial do Bioma Cerrado.

Rodas de Prosa

São uma oportunidade para grupos, mestres, poder público e comunidade trocarem experiências e confrontarem suas visões de mundo, priorizando a abertura de um espaço de encontros e diálogos entre os povos. O objetivo é partilhar experiências, histórias de vida, práticas e tradições culturais.

Oficinas

A proposta da organização do XV Encontro de Culturas é colocar o público em contato com quem faz cultura popular e tradicional. Os participantes do evento terão a oportunidade de aprender a confeccionar instrumentos, além de vivenciar a troca de saberes, principal objetivo do evento, por meio de oficinas de música e dança. Todas as oficinas serão gratuitas.


Conheça a vila

 

A Vila de São Jorge é um povoado com cerca de 800 habitantes, a 35 km da cidade de Alto Paraíso (GO), no norte do estado. Criada por garimpeiros, o pequeno e charmoso vilarejo é a porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e cheio de atrativos. Além de cachoeiras e trilhas dentro do parque, há restaurantes e pousadas agradáveis. O acesso é por estrada de terra a partir de Alto Paraíso.


Programação

 

 

Sábado (25 jul)

09h Folia de Crixás
16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado
20h Império Kalunga – Procissão + Hasteamento do Mastro do Divino Espirito Santo
21h Veadeiros / Cantoria de Crixás
22h Dança da Sussa

Domingo (26 jul)

09h Orquestra Kokopelli
16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado
19h Caçada da Rainha de Colinas do Sul
20h Catireiros de São João da Aliança

Segunda (27 jul)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado

Terça (28 jul)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado

Quarta (29 jul)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado

Quinta (30 jul)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado

Sexta (31 jul)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado
19h Opereta Popular – Doroty Marques e ‘Turma que faz’

Sábado (01 ago)

16h Feira de Experiências Sustentáveis do Cerrado
17h Procissão – Seu Júlio e o Terno de Moçambique de Perdões – MG
18h Congo de Niquelândia
19h Catira Feminina de Niquelândia


 

 

 

 

 

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