Histórias de superação

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A história de Jane Freitas Batista, 29, Adria Jesus da Silva, 32, e Nurya de Almeida Silva, 24, poderia ser igual a de milhares de pessoas que veem suas vidas interrompidas por acidentes de trânsito. Mas com elas foi bem diferente. Hoje jogadoras da Seleção Brasileira de Vôlei Sentado, as atletas não têm tempo de se lamentar. Ao contrário, sentem que a vida lhes deu um novo recomeço, que veio por meio do esporte. Recomeço que significa superação de limites, mudança de valores e atitudes e reintegração social.

Mas poder dedicar-se aos treinos e competições, para se conquistar uma boa performance, conciliando tempo livre para jogos com os estudos e trabalho, além da aquisição de materiais necessários à prática esportista e despesas com viagens, o que a maioria dos atletas não tem como garantir, é um dos maiores desafios.
Por isso, os incentivos públicos vêm demonstrando que, com a união de esforços, é possível aumentar as oportunidades dos atletas que querem, mas não podem se dedicar integralmente ao esporte, explicam Jane, Adria e Nurya, que recebem bolsa do Pró-Atleta, programa criado pelo governo de Goiás, que tem a meta de contribuir para manutenção pessoal dos atletas de alto rendimento, buscando melhorar as condições para o seu treinamento esportivo e participação em competições.
Jane explica que o Pró-Atleta é um benefício extremamente importante, porque permite que o atleta goiano se dedique com muito mais tranquilidade aos treinamentos e às competições, resultando em expressivas conquistas dos goianos nos cenários nacional e internacional. “O desempenho dos atletas de Goiás, após a criação do Pró-Atleta, está mais satisfatório, em especial pela condição que temos de nos dedicar integralmente aos treinos. Isso sem fa­lar que esse incentivo dá a certeza aos atletas amadores que eles podem, no futuro, tornarem-se profissionais”, ressalta Jane.
Para Adria, o programa é muito mais que uma ajuda de custo. É uma ferramenta de transformação social, pois oferece ao jovem a chance de inserção por meio do esporte: “Apostando no esporte, Goiás está dando aos jovens uma poderosa oportunidade educacional para a formação de cidadãos críticos, criativos e protagonistas da sua própria história”, afirma Adria.  
E Nurya é quem completa: “O esporte me fez enxergar o mundo com outros olhos, depois do meu acidente, porque hoje vejo além da deficiência. E chegar aqui onde estou, na equipe brasileira de Vôlei Sentado, só foi possível pelo Pró-Atleta, que me permite ter um tempo maior para treinar e melhorar meu desempenho a cada dia.”

Perspectivas de crescimento
Mas a opinião não é exclusiva das atletas. Para o treinador da Seleção Brasileira Feminina de Vôlei Sentado, professor da Rede Estadual de Ensino e da Associação Pestalozzi de Goiânia, José Agtônio Guedes da Cruz, os benefícios concedidos aos atletas são o suporte para que tenham perspectiva de crescimento, já que, no Brasil, o patrocínio da iniciativa privada é para uma pequena elite do esporte nacional.
Guedes conta que no esporte paralímpico a dificuldade é ainda maior, acrescentando que, mesmo Jane, Adria e Nurya, que são atletas de elite do Vôlei Sentado, não recebem incentivos privados como os do Vôlei Olímpico. “Por isso, acredito que Goiás está à frente com o Pró-Atleta, à medida que é dada a oportunidade de aprimoramento aos atletas e estímulo aos desportistas de base, para que tenham a perspectiva de verem seus objetivos conquistados”, ressalta Gudes.

Como funciona o programa:
Criado em 2003 pelo governo do Estado, com o objetivo de evitar que a ausência de incentivos contribua para o abandono da prática esportiva, o programa Pró-Atleta garante manutenção pessoal mínima aos atletas, dando condições para que se dediquem aos treinamentos esportivos e à participação em competições.
Ele contempla em todas as modalidades o total de 600 bolsas em três níveis: Nacional com 50 bolsas no valor de R$ 750; Estadual com 300 bolsas no valor de R$ 500 e Escolar com 250 bolsas no valor de R$ 250, observando o critério de 10% das bolsas destinadas aos atletas do Paradesporto.
De 2003 pra cá, o programa já beneficiou atletas goianos com 6,57 mil bolsas, e hoje muitos desses se tornaram campeões e são destaque nacional e internacional, a exemplo das irmãs Clemilda, Janildes e Márcia Fernandes, que somam várias conquistas no ciclismo internacional, e a lutadora de Taekwondo Valéria Rodrigues, com títulos goianos e brasileiros e em Pan-americano e Mundial.


Espírito Olímpico

O treinador Guedes e as atletas Jane, Adria e Nurya estão confiantes em um bom desempenho de muitos atletas goianos com chances de participar das Olimpíadas do Rio em 2016.

Eles afirmam que com a notícia dada pelo governador Marconi Perillo da criação da Bolsa Olímpica, um reforço a mais para os atletas em condições de serem convocados para representar o Brasil em 2016, a expectativa redobra.
“Essa notícia é excelente para todos nós. Vamos nos esforçar muito e quando estivermos lá faremos bonito como representantes de Goiás”, enfatiza Jane, sendo acrescentada pela também veterana Adria, que, assim como ela, é aposta de Goiás para brilhar nos Jogos de 2016:
“Como a nova bolsa anunciada pelo governador também alcançará os atletas paralímpicos, se for selecionada, vou me dedicar totalmente ao esporte, mas agora bem amparada financeiramente, diferente de 2012, quando abandonei meu trabalho, sem uma contrapartida maior.”
Chamada de Bolsa Olímpica, a nova modalidade do Programa Pró-Atleta, apenas do Estado de Goiás, tem o objetivo de proporcionar aos futuros campeões a chance de se dedicarem ainda mais para melhorar suas performances para os Jogos Olímpicos do ano que vem. O valor do repasse ainda não foi definido, mas conforme a secretária de Estado de Educação, Esporte e Lazer, Raquel Teixeira, ficará em torno de R$ 1 mil, R$ 1,5 mil.

Avaliação positiva
Diante dos notórios feitos, no cenário nacional e internacional, de vários atletas goianos que recebem bolsas do Pró-Atleta, a secretária de Estado de Educação, Esporte e Lazer, Raquel Teixeira, não tem dúvidas em afirmar que, por aqui, os investimentos provenientes do poder público estão se convertendo em excelentes resultados no esporte profissional, visto que o desempenho dos atletas está cada vez mais satisfatório, nas mais variadas competições esportivas.
A secretária explica que as conquistas vão além das expectativas de sua criação, cujos objetivos têm foco no auxílio aos atletas, para evitar o abandono da prática esportiva, além de impedir que aqueles considerados de alto rendimento deixem o Estado para treinar em outros lugares.
“O sucesso da iniciativa pode ser visto até mesmo pelo número de contemplados nesta edição, que são 530 atletas de 33 federações e que foram contemplados porque participaram regularmente dos calendários de competições”, reforça.
Dentro dos mesmos objetivos de estímulo ao esporte, a secretária destaca ainda a importância da Bolsa Olímpica como um incentivo a mais aos atletas que têm chances de disputar as Olimpíadas do Rio em 2016, reforçando que o apoio do governo é para que eles (os atletas) se esforcem em seus treinos.
“É uma novidade, um incentivo que foi recebido com euforia pelos atletas goianos, que dará condições ao nosso Estado de formar um grupo olímpico forte, competitivo”, conclui Raquel.

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