“O diálogo com os usuários do transporte é fundamental para o aperfeiçoamento do sistema”

0
643

IMG 0227

Murilo Guimarães Ulhôa, que assumiu a presidência da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), em junho, afirma que a prioridade ao transporte coletivo é o foco das ações da empresa e também da Prefeitura de Goiânia. Segundo ele, a população presencia grandes investimentos em mobilidade urbana com as construções dos corredores preferenciais de ônibus e do BRT Goiás Norte-Sul.

Administrador de empresa com experiência na gestão pública, Ulhôa atuou como diretor administrativo-financeiro da CMTC, entre 2013 e 2015, quando assumiu a presidência por indicação do prefeito Paulo Garcia. Em entrevista à Tribuna do Planalto, ele avalia que quer ampliar o diálogo com a população para continuar aperfeiçoando o sistema de transporte público na Região Metropolitana de Goiânia.

Ao mesmo tempo, ele reconhece que o problema da mobilidade urbana é uma realidade em Goiânia e região metropolitana, assim como nas demais cidades do mundo. “Estamos promovendo ações e obras para melhorar a mobilidade, que não é uma problemática só em nossa capital e região metropolitana. No Brasil, talvez este problema seja um pouco mais grave em razão de que a nossa frota de veículos individuais praticamente dobrou nos últimos anos. Goiânia seguiu o mesmo caminho, nossas vias, antes consideradas vias amplas com muito espaço, agora vias entupidas, travadas por veículos”, explica.

Tribuna do Planalto – A mobilidade é um dos grandes temas da atualidade. Em Goiânia, já são 1,14 milhão de veículos registrados, chegando a relação de 1,23 habitante/veículo. A saída, nós sabemos, é o investimento em um transporte coletivo. A Prefeitura de Goiânia tem investido em obras nesse sentido, mas o resultado tende a ser a médio ou longo prazo. Como pretendem lidar com os ânimos da população até lá?

Murilo Guimarães Ulhôa – Para minimizar os problemas de mobilidade urbana em Goiânia e região metropolitana causados pelo incremento da frota de veículos individuais, várias ações devem continuar sendo feitas como a implantação de corredores de ônibus, de calçadas acessíveis para o incentivo dos deslocamentos a pé, de ciclovias, ciclofaixas e ou ciclorrotas para o incentivo aos deslocamentos por bicicletas em distâncias curtas e também a realização de uma campanha educativa para ensinar nossos motoristas a serem mais educados e cumpridores das leis de trânsito. A mobilidade urbana, da qual faz parte o transporte coletivo, é fundamental para as cidades. De acordo com o crescimento e mudanças das mesmas, os projetos para esta área precisam ser revistos, reinventados. O transporte coletivo está incluído numa sistemática urbana intensa e estamos a cada dia elaborando projetos e prevendo novas ações para atender a sociedade. E isso está ocorrendo na nossa Capital e região metropolitana assim como nas principais cidades do mundo. Em Goiânia, estamos vivendo um momento histórico para a mobilidade urbana. O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, está desenvolvendo obras de suma importância para a vida da população. Estamos presenciando o maior investimento em mobilidade urbana da história do nosso Estado com as construções dos corredores preferenciais de ônibus e do BRT Goiás Norte-Sul. A implantação dos corredores preferenciais de ônibus está adiantada. As obras do corredor preferencial T-7 estão em execução, e os corredores preferenciais Universitário, T-63 e 85 já estão em funcionamento. A licitação para a implantação de três novos corredores (T-9, Independência e 24 de Outubro) e a complementação das obras dos corredores 85 e T-63 está aberta e a previsão é de que seja finalizada em breve.

Uma das maiores reclamações da população é com relação à superlotação dos ônibus. A quantidade de carros destinados ao transporte coletivo, hoje, está abaixo do necessário para atender à demanda da cidade? O que se pretende fazer a esse respeito neste e nos próximos anos?

Atualmente, a frota do transporte coletivo é adequada para atender às demandas de Goiânia e dos demais 17 municípios integrantes da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos. As equipes da CMTC acompanham diariamente a operação do transporte coletivo e a população tem canal de comunicação direto conosco pelos telefones da Ouvidoria 0800-646-1851 e 3524-1851. Pedimos que o cidadão entre em contato e nos relate os casos de superlotação e as linhas para que estudos técnicos sejam realizados para o incremento de viagens e/ou criação de novas linhas e extensão das existentes. Diante do crescimento das cidades, com o surgimento de novos bairros, o atendimento do transporte coletivo é dinâmico e melhorias são implantadas diariamente. Em relação à operação diária do sistema de transporte coletivo, no que se refere à pontualidade e cumprimento das planilhas operacionais, pedimos também que a população nos informe sobre os casos que haja falhas em suas linhas. As informações podem ser enviadas pelos telefones da Ouvidoria e também na sede da CMTC, na 1ª Avenida, n.º 486, Setor Leste Universitário. Acreditamos que o diálogo permanente com os usuários do transporte coletivo é fundamental para o aperfeiçoamento do sistema.

Quais são os seus objetivos à frente da Companhia?

Ao assumir a gestão do transporte público da região metropolitana de Goiânia, a nossa principal expectativa é ampliar os avanços conquistados na prestação do serviço à população em termos de qualidade, pontualidade e novos atendimentos aos bairros que surgem nas cidades. Temos como prioridade também a execução das obras de mobilidade na Capital, como os corredores preferenciais de ônibus e o BRT Goiás Norte-Sul, que vão beneficiar, além dos goianienses, grande parte dos cidadãos dos demais municípios. Digo isto porque os corredores preferenciais de ônibus, apesar de estarem em Goiânia, vão impactar positivamente nos demais municípios da região metropolitana. Isso acontece porque os corredores preferenciais são conectados aos terminais de ônibus e os usuários de outras cidades, ao chegarem à Capital, terão viagens mais rápidas quando fizerem a integração. Como exemplos, podemos citar os moradores de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia que fazem integração nos terminais da Bandeiras, Maranata, Cruzeiro, Garavelo, Isidória, Bíblia, entre outros. Além das obras, vamos continuar desenvolvendo ações na busca constante da melhoria da qualidade do serviço oferecido, haja vista que a dinâmica do transporte coletivo exige uma análise diária para que se percebam as necessidades de todo o Sistema Integrado de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (SIT-RMG), atacando assim pontualmente estas demandas; elaborando novos projetos sempre almejando a melhoria pretendida, sabendo de antemão que esta busca é diária e permanente.

Outro fator de indignação dos usuários do transporte coletivo é a questão da tarifa. Em grandes metrópoles, o preço das passagens não é baixo. Mas, o sistema corresponde, oferecendo não só agilidade, como qualidade nas viagens. Em Goiânia, isso ainda não é uma realidade. Por que temos, então, passagens tão caras?

A Rede Metropolitana de Transportes Coletivos, que atende Goiânia e mais 17 municípios, é formada por 284 linhas de ônibus, incluindo o Eixo Anhanguera, que transportam uma média de 780 mil pessoas por dia útil e 16,5 milhões de pessoas por mês. A rede possui modelo diferenciado no Brasil, onde o serviço de transporte tem tarifa única para todas as cidades atendidas, ou seja, todos pagam R$ 3,30, um valor atualizado de acordo com os índices previstos no contrato de concessão do serviço, para se deslocar de um município a outro, podendo realizar ainda integração com outras linhas do sistema, nos terminais. A agilidade do serviço do transporte coletivo está melhorando com a implantação dos corredores preferenciais de ônibus. No Corredor Preferencial Universitário, a readequação da via proporcionou um aumento de até 63% na velocidade dos ônibus. No Corredor Preferencial T-63 o ganho no tempo de viagem dos ônibus foi de 14% a 26% em horários críticos. No Corredor Preferencial 85 não foi diferente e houve ganho significativo na velocidade dos ônibus e no tempo de viagem. Pesquisa da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) mostra que, com a implantação do Corredor Preferencial de Ônibus 85, a velocidade do transporte coletivo registrou aumento de até 32%. A fluidez dos ônibus chegou a 23,2 quilômetros por hora, sendo que o incremento médio na velocidade foi de 19,6% no período pesquisado. No Brasil, talvez este problema seja um pouco mais grave em razão de que a nossa frota de veículos individuais praticamente dobrou nos últimos anos. Goiânia seguiu o mesmo caminho, nossas vias, antes consideradas vias amplas com muito espaço, agora vias entupidas, travadas por veículos, não com a intensidade de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Curitiba, mas para nós goianienses, acostumados com a tranquilidade do trânsito calmo de outrora, insuportáveis.

Além das intervenções nas linhas e trajetos do transporte coletivo, quais outras ações vêm sendo e serão realizadas pela CMTC?

Estamos com diálogo aberto com a comunidade e prefeituras integrantes da rede metropolitana, buscando soluções conjuntas para o transporte coletivo. Somente nos últimos dois meses, realizamos a extensão de linhas nos municípios de Hidrolândia, Aparecida de Goiânia, Brazabrantes, Senador Canedo e Goiânia. Também destaco as ações nas cidades que têm favorecido a ampliação dos serviços. Em Goiânia e nos municípios da região metropolitana, como Aparecida e Trindade, os prefeitos também estão asfaltando novos bairros, o que garante o acesso ao ônibus, pois, por questões técnicas e operacionais, os veículos não circulam em ruas de terra.

A CMTC tem um papel fiscalizador. Boa parte dos pontos de ônibus estão sem cobertura. Além do atraso das linhas, as prestadoras não fornecem informação sobre o itinerário. O que a Companhia tem feito para lidar com esse problema?

Atualmente há 6.049 pontos de embarque e desembarque implantados. Deste total, 2.711 pontos estão sem cobertura. Para a requalificação destes pontos, estamos em busca de recurso junto aos governos federal e estadual e também às prefeituras integrantes da rede metropolitana. Em Goiânia, nas vias que estão recebendo os corredores preferenciais de ônibus, a prefeitura está instalando novos pontos de embarque e desembarque com mais espaço (quatro metros de largura), iluminação especial, vidro nas laterais, acesso a deficientes físicos e amplas informações operacionais aos passageiros. No percurso de 21,8 quilômetros, que compõe o itinerário do BRT Goiás Norte-Sul, que liga o Recanto do Bosque ao Terminal do Cruzeiro, em Aparecida de Goiânia, todos os pontos de embarque e desembarque serão renovados, com estruturas amplas e modernas. Além das melhorias nas regiões que estão recebendo as obras dos corredores preferenciais de ônibus e BRT, a Prefeitura de Goiânia vai abrir licitação para a manutenção e instalação de novos pontos. O edital está em fase de conclusão pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável (Semdus). Em relação aos itinerários, linhas e horários das viagens, discordo de que há falta de informação. A população pode acessar via internet, pelos aplicativos De Olho no Ônibus e Moovit, as informações completas sobre qualquer linha. Os dados sobre itinerários e planilhas horárias também estão disponíveis nos displays dos terminais, no site da RMTC (www.rmtcgoiania.com.br) e podem ser solicitados, via telefone e pessoalmente, na sede da CMTC a qualquer momento. Esses dados também foram disponibilizados nos pontos de embarque e desembarque de Goiânia e região metropolitana. Mas atos de vandalismo e a disseminação de publicidades nos pontos de ônibus destruíram parte da estrutura e também as informações sobre as linhas e os horários de circulação do transporte coletivo na maioria dos pontos.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here