“Há o tempo de plantar e há o tempo de colher”

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PAULO GARCIA-PREFEITO-20-05-14-FOTO PAULO JOSE 77Tribuna do Planalto – O senhor vem tendo uma agenda positiva, com mais de 60 obras em andamento e mais de R$ 1 bilhão em investimentos. Ela conseguirá alavancar a sua imagem depois das dificuldades dos últimos anos?

Paulo Garcia – Todo gestor público gostaria de ter uma imagem possível. E eu tenho certeza que terei ao final de meu mandato, pois planejamos isso. Muitas pessoas não compreendem que na vida pública há muita burocracia para realizar os projetos que pensamos lá atrás. Temos nos esforçado para cumprir esses compromissos e tenho certeza que conseguirei isso ao final da gestão. Proporcionalmente talvez sejamos a capital brasileira que mais obras tem em execução neste momento, em todas as áreas. Há o tempo de plantar e o tempo de colher. Isso se chama planejamento.

O sr. citou algumas obras. Quais as mais destacadas?
São várias. Na área da assistência social, temos em andamento a nova sede do Condomínio Sol Nascente, que cuida de crianças em situação de risco. Temos onze Cmeis a serem entregues até o final do ano e resgatamos meu compromisso de não termos nenhuma criança fora da sala de aula. E talvez não tenhamos que chegar aos 81 Cmeis, pois estamos calculando a demanda e não precisará tudo isso. Na área de Esporte, Lazer e Turismo estão prontas as Praças de Esportes e Lazer do Jardim Guanabara e do Novo Horizonte. Além delas, entregaremos mais oito praças até o final do ano. Temos o Cmei do Mundo Novo, pavimentação do Portal dos Ipês, tratamento de água e esgoto e Cmei no Buena Vista. No Meio Ambiente, temos o projeto fantástico que é o Macambira-Anicuns, que é o Parque Ambiental Macambira, que será entregue no aniversário de Goiânia e que conta com anfiteatro, ciclovia, parquinho, pista de caminhada, quadra de tênis, ou seja, uma estrutura completa para receber os visitantes. Iremos entregar a Avenida Trieste na região do Granville. Na Saúde, entregaremos três unidades – uma no Rodoviário, uma no São Francisco e uma no Itamaracá. Estamos reestruturando o Parque Cascavel, a reurbanização do Córrego Cascavel e o prolongamento da Marginal Cascavel até a Leste-Oeste. Na mobilidade, teremos o BRT Norte/Sul, com pista de concreto de 23 centímetros que durará mais de 100 anos, corredores T-7 em andamento, T-63, Universitária e 85 entregues; Independência, 24 de Outubro e T-9 com licitação próxima; estamos pavimentando todos os Jardins do Cerrado, Antônio Carlos Pires e também estamos requalificando a Praça Cívica, que terá uma ciclovia que se unirá com a da Avenida Universitária e com uma futura que construiremos até o Terminal das Bandeiras, passando pela T-7. Enfim, são muitas obras.

Na questão do asfaltamento o sr. conseguiu um financiamento com a Casa Andina de Desenvolvimento.
Sim. Falta só a tramitação da burocracia. Serão mais de R$ 300 milhões para trocar o asfalto de bairros mais antigos, como Jardim América, Bueno, Oeste, Setor Sul, Cidade Jardim, etc. Esperamos ter estes recursos até o próximo período de seca, onde será fácil fazer as obras.

Obras grandes como o BRT e o Macambira-Anicuns normalmente sofrem com os problemas das desapropriações, que podem parar na Justiça. Há uma preocupação por parte da prefeitura sobre isso?
Estão bem equacionadas. O BRT tem pouquíssimas desapropriações, todas mais próximas da região da Avenida Rio Verde. O Macambira tem mais, mas os trechos que nós estamos trabalhando nós já equacionamos.

Essas obras principais como, por exemplo, o BRT, serão entregues ainda no mandato do sr.?
Espero entregar, se não a totalidade, um grande trecho. Está andando muito rápido. O consórcio ganhador tem sido muito efetivo. Esse trecho, entre a Perimetral Norte e a Rodoviária, me disseram que é 30 dias, mas estou considerando 60.
Ele vai ser inaugurado todo de uma vez?
Podemos colocar esse planejamento assim que trechos importantes tiverem prontos. Não precisamos ter o corredor completo para colocá-lo em funcionamento. Eu acho que é bem interessante, se o trecho do BRT entre a Perimetral Norte e a Praça Cívica ficar pronto, colocarmos já para funcionar. Nada impede.

Na última semana, o sr. esteve no Macambira-Anicuns com o governador Marconi Perillo (PSDB) e muitos criticam essa aproximação de vocês por pertencerem a partidos tão antagônicos, como PT  e PSDB. Como que o sr. recebe essas críticas?
As críticas são democráticas e são naturais, só que penso que é uma falta de interpretação adequada do relacionamento. Não é relacionamento político. Isso é uma relação administrativa. Acho que consequência de um amadurecimento de ambas as partes, como o próprio governador o diz. Isso é extremamente salutar. Os elogios que recebemos do governador, por essas duas obras do BRT e do Macambira, nos deixaram muito orgulhosos. E eles são compartilhados, inclusive, com o nosso parceiro preferencial que é o PMDB. Relacionamento político é uma coisa, relacionamento administrativo é outra.

Uma das críticas é que exatamente quando o sr. estava em momento ruim, em relação à administração, recebia ataques por parte da base aliada do governador Marconi Perillo. Agora que o sr. tem obras para mostrar, os aliados ficam temerosos de que o governador possa surfar nessa popularidade. O sr. se preocupa com isso?
Eu me preocupo com a administração. Eu me preocupo em resgatar os compromissos que fiz com a nossa comunidade. A nossa aliança política é com o PMDB. A minha relação com o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) é inabalável. A minha confiança, admiração e gratidão a ele ninguém vai abalar.

Mesmo tendo ele se aproximando do DEM?
O DEM é um caso a parte. O DEM para mim representa o que há de mais arcaico, de mais conservador e de mais ultrapassado em teses e conceitos na política nacional. A relação do DEM com o nosso partido é a mesma coisa que tentar mistura água com azeite, água com óleo. Não da pra misturar. Mas eu tenho certeza que tudo isso vai ser superado e que a maior parte das lideranças responsáveis, calejadas e experientes do PT e do PMDB vão saber superar os obstáculos.

Existe futuro eleitoral na aliança PT-PMDB?
Eu acho que está muito cedo. Eu estou preocupado com a administração. Os partidos é que vão tomar conta disso. Agora, se você me perguntasse eu diria que nós trabalhamos continuamente a essa aliança que é vitoriosa.

O sr. sente isso de outras partes do PT, já que defendeu a manutenção da aliança no ano passado?
Eu defendi a aliança, mas fui voto vencido. Depois que o partido decidiu por Gomide, eu me curvei à decisão. Agora, existe sim, cada vez mais crescente no PT, o desejo de manutenção da aliança. Isso é real.

E daí uma aliança seria o PMDB e o PT na chapa majoritária?
Agora, está sendo, não é? Eu acho que todos têm quadros compatíveis. Em algum momento oportuno isso vai ser discutido pelas direções partidárias.

Na semana passada o sr. fez uma defesa do seu partido e da presidente Dilma Rousseff contra as críticas que ela vem recebendo do senador Ronaldo Caiado (DEM). Por que outros pares dentro do seu partido e até o sr. não fizeram o mesmo quando o governador chamou ex-presidente Lula mais uma vez de “canalha”?
Eu tenho pelo ex-presidente Lula profunda admiração. Acho que o presidente Lula foi um dos maiores homens públicos da história contemporânea do país. Esse é um homem histórico que nasce um a cada século. Eu faço a defesa sempre que necessário. Não tenha dúvida. Eu defendo a presidenta Dilma e o presidente Lula em todos os momentos. Não confundam erros cometidos por pessoas isoladas dentro de um partido com a tentativa golpista de promover uma ruptura no processo democrático, de tentar mudar resultado de eleição e de tentar denegrir a imagem do meu partido e das nossas maiores lideranças. Eu saio na frente na defesa deles.

Essas alas mais novas do PSDB e do DEM estão tentando dar o golpe?
Eu não tenho a menor dúvida. O que eles estão tentando hoje é dar o golpe, é uma ruptura democrática. Quer governar, que ganhe no voto. Romper um rito legal é um absurdo, é uma atitude golpista.

Essa crítica se estende ao senador Ronaldo Caiado?
Não tenho a menor dúvida. Ele é um dos próceres da atitude golpista desse país.

Como que a presidente Dilma, na visão do sr, deve sair dessa crise administrativa?
Com trabalho, com seriedade e com transparência. Como ela sempre fez e vai continuar fazendo.

É uma crise mais administrativa e política?
Uma somatória, mas ela tem superado com muito esforço, muita dedicação, com muito sofrimento pessoal. É muito duro para uma pessoa que faz as coisas corretas ouvir coisas injustas.

O sr. sente que o partido a defende como deveria defender?
Sempre defendeu. Da minha parte e dos meus companheiros aqui, locais, eu nunca vi ninguém que não saísse em defesa dela.

O sr. vai ter um encontro com o Papa lá no Vaticano. Qual é a mensagem que vai levar?
Eu vou mais é escutar, para mim é uma benção. É uma manifestação do Espírito Santo Goiânia ter sido agraciada. É evidente que é um reconhecimento. Goiânia tem problemas, Goiânia tem obstáculos, mas o reconhecimento do nosso esforço, da nossa administração, do nosso povo em criar um ambiente mais justo socialmente, mais fraterno de melhor qualidade de vida.

É mais difícil ser neurocirurgião ou comandar uma capital?
Ser prefeito. Não tem a menor dúvida. Vou te explicar por que: quando você exerce a neurocirurgia, em tese, todos os componentes dessa cadeia produtiva estão torcendo para você acertar. Aqui, só tem um jeito de alguém sentar nessa cadeira, se eu errar e sair.

Qual o futuro político do Paulo Garcia depois que entregar a prefeitura?
O futuro a Deus pertence. O objetivo é trabalhar até dezembro de 2016.

 

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