Jogo aberto em Aparecida

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A 3 - Maguito VilelaSe tem uma palavra que define a sucessão à prefeitura de Aparecida de Goiânia é ‘indefinição’. Por lá, não há nada de concreto em torno do afunilamento de nomes para concorrer à prefeitura do segundo maior colégio eleitoral do Estado. Na cidade, tanto oposição quanto situação ainda procuram os nomes certos que possam disputar o pleito.

Pelo lado da situação do prefeito, diversos competidores se apresentam, mas ainda sem ter a direção de quem será a principal figura no decorrer do processo. Por isso, vários nomes se credenciam para a disputa, dentre eles o do secretário de Governo e ex-deputado federal, Euler de Moraes (sem partido); do presidente da Câmara Municipal de Aparecida, vereador Gustavo Mendanha (PMDB); da secretária municipal de Projetos Es­peciais e Captação de Recursos, Valéria Pettersen (PMDB) e do secretário de Trabalho, Adriano Mantovani (PT).
Por fim, há o nome do vice-prefeito de Aparecida, Ozair José, que está deixando o PT e poderá seguir para o PMDB, caso seja escolhido por Maguito para sucedê-lo. Uma fonte petista confirmou que Ozair deverá disputar a prefeitura de qualquer forma. Caso tenha apoio de Maguito, se filia ao PMDB. Caso contrário, o destino deverá ser o PP, ex-partido de Ozair que, nesse caso, concorreria por um partido de oposição.
Por enquanto a escolha não foi feita. Maguito classifica todos como bons nomes, mas deixa claro que o candidato da base será do PMDB, o que tiraria Adriano do páreo. Segundo disse em entrevista nesta sexta, 17, à Rádio 730, o prefeito deixará para que a “população escolha o nome” de seu sucessor. O vereador e presidente do diretório municipal de Apare­cida, Ezízio Alves (PMDB), será o responsável por identificar a maior força.
Com a perda da força do antigo Grupo de Aparecida, que conta com nomes históricos na cidade como o do ex-vice-governador Ademir Mene­zes (PSD), o suplente de deputado federal Chico Abreu e os ex-prefeitos José Macedo e Sebastião Viana, a base marconista se dissipou e, no próximo ano, é possível que haja até três candidaturas. Uma delas seria o do deputado estadual Marlúcio Pereira (PTB), que está de mudança para o PRB.
O PSDB, segundo seu presidente regional Afrêni Gonçal­ves, terá candidato na cidade. O nome pode ser o do co­man­dante-geral da Polícia Mi­litar, Coronel Sílvio Benedito (PSDB), já que os nomes preferidos pelo partido, os deputados federais Delegado Waldir (PSDB) e João Campos (PSDB), não aceitaram disputar as eleições por Aparecida. Há ainda outro nome, surgido nos últimos dias. Trata-se do em­presário Professor Alcides (PSC), que está de mudança, ou para o PSDB ou para o PMN, visando candidatura em sua cidade.

Situação
Na situação é consenso: o nome que conseguir encampar o discurso de Maguito terá larga vantagem frente aos demais adversários. Prefeito por dois mandatos com duas vitórias consistentes, o patriarca Vilela é considerado por aliados com um marco na história da cidade. “Existe Aparecida antes e depois de Maguito”, observa o deputado estadual e líder do PMDB na Assembleia, José Nelto.
Por este fator, talvez exista tantos nomes de olho na vaga de Maguito. Quem terá o papel fundamental nessas articulações, além dele, é o vereador e presidente do diretório peemedebista aparecidense Ezízio Alves (PMDB). Ezízio tem conversado com lideranças e articulado junto aos pré-candidatos o nome mais viável.
Segundo Nelto, o sucessor escolhido pelo grupo em Aparecida terá que ter um discurso de continuidade ao que Maguito representou no município. Para ele, esse é o caminho que dará a vitória ao sucessor. “Tem que ser um candidato bem articulado. Tem que ter um discurso de continuidade. Além disso é preciso mostrar que consegue avançar junto com a sociedade”, posiciona Nelto.
Com isso, nomes como o de Gustavo Mendanha e o de Valéria Pettersen ganham espaço no partido.  O primeiro tem história política na cidade. Seu pai, Léo Mendanha, é militante do PMDB aparecidense há muitos anos – se filiou ainda em 1974. Ele foi deputado estadual duas vezes e pavimentou o caminho para que o filho crescesse dentro da política.
Gustavo é próximo de Ma­guito e lhe deu suporte na Câmara durante praticamente metade de seus dois mandatos. Sabendo de sua força em Apa­recida, ele já começa desde já a trabalhar para viabilizar o seu nome. “É preciso aglutinar for­ça com todos. Estou fazendo isso. O apoio do prefeito será fun­damental para a vitória”, disse.

‘Dilma’
O outro nome, porém, pode ser a grande surpresa de Maguito para as eleições do ano que vem. A secretária Valéria Pettersen talvez seja o nome mais próximo, hoje, de Maguito em relação à sucessão municipal. Isso porque, no comando de sua secretaria, ela foi inúmeras vezes a Brasília atrás de recursos acompanhando Maguito, o que lhe fez ter portas abertas junto ao poder federal. Algumas fontes peemedebistas acreditam que ela está para Maguito assim como Dilma esteve para Lula.
O terceiro nome da base é Ozair José. Ele têm a seu lado o fato de conhecer a cidade como poucos por residir nela há mais de 30 anos. Ozair ressalta a importância da continuidade dos serviços e da parceria com o governo federal. “Toda a equipe de governo tem feito parcerias. É preciso dar continuidade nessas parecerias. Nós conhecemos bem isso”, declarou Ozair.
Sobre a mudança de partido, Ozair é taxativo ao dizer que somente irá para o PMDB com a condição de pré-candidato. Sabendo que terá que construir sua candidatura, ele pede que a escolha seja a mais correta possível. “A minha ida para o PMDB é para ser pré-candidato. Sei que tenho que construir. Espero que a escolha seja democrática”, disse.
Já Euler Moraes foi o primeiro a ser colocado como preferido de Maguito à prefeitura, mas, nos últimos meses, o nome do ex-deputado federal não decolou. Nos bastidores falam que ele não estaria mais interessando em entrar a disputa. Tanto que, até o momento, ele não se filiou novamente ao PMDB. Mas seu nome ainda não é carta fora do baralho.
O PT aparece com um nome, o de Adriano Manto­vani. Genro do vereador Hel­vecino Moura (PT), ele já informou ao prefeito Maguito Vilela que é pré-candidato à prefeitura, embora tenha chance quase nula de ser ungido.

Oposição
Na oposição, o cenário ainda é completamente aberto. Três dos propensos candidatos pela base do governo não se mostram interessados em pleitear a vaga. O deputado federal Fábio Sousa (PSDB) observa que a postulação precisa ser por alguém com história na cidade e que conheça a região. “Tem que ser alguém que faz política na cidade”, disse.
Apesar das negativas de Delegado Waldir e de João Campos, Afrêni Gonçalves não desistiu de convencer seus aliados. Para isso, deve marcar encontro em agosto com os deputados federais e estaduais mais bem votados na região para afunilar as questões. Na pauta do presidente estão os legisladores federais João Campos, Fábio Sousa e Dele­ga­do Waldir. No âmbito estadual o deputado Mané de Oli­veira (PSDB), além dos dois vereadores da legenda em Aparecida.
Até lá, o PSDB já deve ter uma definição sobre o nome do professor Alcides que também, caso se integre à base, passa a ser um dos nomes principais, uma vez que a maioria dos tucanos não demonstram interesse em pré-candidatura na ci­dade de Aparecida de Goiânia. Alcides corresponde as características citadas por Fábio Sousa. Empresário e residente em Aparecida há décadas, Alcides tem a seu favor o histórico de ser da cidade e de nela ter domicilio eleitoral.
O outro nome lembrado na legenda é o do Coronel Sílvio Benedito. Sua vantagem é que seu nome encamparia o tema Segurança Pública, que tende a ser um dos mais discutidos na cidade no pleito do ano que vem. Pesa contra seu nome o fato de não ser político. Por isso, ele teria que ter um forte aval do governador Marconi Perillo para a disputa.  
Por fim um nome que poderá concorrer com peso em 2016 é o de Marlúcio Pereira. O deputado estadual concorreu contra Maguito Vilela em 2008 e, sem muita estrutura, acabou derrotado facilmente pelo ex-governador. Com sua ida ao PRB, teria o suporte necessário para concorrer mais uma vez. E desta vez, com mais chances.


Segurança Pública poderá ser o tema central da disputa

 

Segundo maior colégio eleitoral do Estado, Aparecida é uma região que tem como ponto forte a indústria. Por muito tempo, suas carências ficaram voltadas para a infraestrutura, mas com investimentos do governo federal no município nos dois mandatos de Maguito, esta demanda diminuiu. Muitos apontam que o tema central em 2016 na cidade será mesmo segurança pública.
Uma prova disso é que os deputado federais Delegado Waldir e João Campos, ligados a este tema, receberam juntos na cidade cerca de 25% dos votos. Segundo o cientista político Pedro Célio o fator segurança tem relação direta com esses nomes que surgem. Para ele, o discurso de segurança é facilitado por pertencerem ao meio. “Tem relação direta. Essas pessoas têm facilidade no discurso sobre esse tema. A segurança um caso típico das regiões metropolitanas”, observa.
Apesar de terem facilidade no discurso é preciso saber transmiti-lo a população, é a observação que revela o professor da UFG, Marcos Marinho. Sabendo que o setor de segurança pública é de responsabilidade do Estado, os candidatos terão que ser habilidosos ao transmitirem a mensagem numa sociedade cada vez mais informada.
Marinho observa que esse pode ser o principal problema. “Hoje a sociedade não está mais manipulada. Muito difícil trazer esse discurso e dar sustentação a ele”, relata Marinho. O analista ressalta que trabalhar o discurso somente neste sentido pode não ser o melhor caminho. “Trabalhar isso como forma principal não tem muita coerência. Não da para levantar uma só bandeira”, disse. (M.B.)


Os possíveis candidatos em Aparecida

Adriano Mantovani (PT) – Secretário do Trabalho

Euler Moraes (sem partido) – Secretário municipal de Governo

Gustavo Mendanha (PMDB) – Presidente da Câmara

Ozair José (PT), seguindo para PMDB, PP ou PSDB) – Vice-prefeito de Aparecida de Goiânia

Valéria Pettersen (PMDB) – Secretaria de Projetos Especiais e Captação de Recursos

Coronel Sílvio Benedito (PSDB) – Comandante-geral da Polícia Militar

Marlúcio Pereira (PTB, seguindo para PRB) – Deputado Estadual

Professor Alcides (PSC, seguindo para PSDB ou PMN) – Empresário

 

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