A vez de Goiânia

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A 3 - Marconi PerilloO governador Marconi Perillo (PSDB) venceu tudo o que disputou desde 1998. É governador pelo quarto mandato e elegeu seu sucessor em 2006, o então vice-governador Alcides Rodrigues (ex-PP e hoje no PSB). No mesmo ano, foi o senador mais votado da história de Goiás. Mas há uma última fronteira política para ele no Estado. E ela se chama Goiânia.

A capital é, talvez, o último ‘rincão’ da oposição no Estado. Goiânia é governada desde 1998 por PT ou por PMDB. Desde a redemocratização, a única exceção desta dicotonia foi em 1996, quando os goianienses elegeram Nion Albernaz (PSDB).
A barreira de Goiânia a Marconi também se refletiu nas disputas ao governo. O tucano só venceu na capital em 1998, quando era a novidade das eleições. De lá pra cá, colecionou derrotas em Goiânia, conseguindo se eleger ao Palácio das Esmeraldas com os votos do interior.
Em 2016, porém, o governador quer mudar essa história e, segundo aliados, para tal, entrará com afinco na campanha do candidato de partidos da base ou do PSDB, ao contrário de anos anteriores. Em 2008, o então senador não participou com afinco por estar em Brasília e, em 2012, de volta no governo, por estar com popularidade baixa devido à Operação Monte Carlo da Polícia Federal.
Para aliados, ele será o principal cabo eleitoral do candidato da base. Entretanto, companheiros governistas acreditam que o próprio candidato terá que ser articulador e conquistar apoio. Ou seja, o postulante vai ter que andar com as próprias pernas, atrair correligionários e não esperar apenas as ações de Marconi Perillo, seja ele do PSDB ou de outros partidos da base, como PSD, PP ou PTB.
Este nome, no momento, tende a ser o do presidente da Agetop, Jayme Rincón (PSDB), ao qual as obras de Marconi servirão para que ele consiga se rivalizar com o principal adversário da base na capital: o ex-governador Iris Rezende (PMDB). O peemedebista carrega consigo o rótulo de ‘tocador de obras’ e deverá ser o candidato a ser batido pela base aliada na capital.

Obras
Impossibilitado de participar em campanhas anteriores, agora, no entanto, o cenário para Marconi é diferente. Ele conseguiu recuperar sua imagem após 2012 e aproveitou-se da falta de união da oposição para mais uma vez eleger-se governador em 2014. Neste quarto mandato, promoveu reforma administrativa e agora busca concluir (ou já concluiu) obras iniciadas no terceiro mandato na capital, como reforma do Autódromo de Goiânia (concluída ainda no ano passado), entrega de viadutos, conclusão da reforma do Estádio Olímpico e por último o Hugol.
As obras devem surtir efeito na candidatura apoiada pela base. Aliados observam ainda que os programas sociais devem ser explorados e involuntariamente vão transferir força ao competidor governista. Para o deputado federal Sandes Júnior (PP), além dos programas sociais Marconi deve continuar com agenda de inaugurações. “Ele vai ajudar muito se continuar fazendo o que esta fazendo com as inaugurações, construções e tudo mais”, diz.  
Para o deputado federal Roberto Balestra (PP), aliado da velha guarda de Marconi, além de ajudar na apresentação de obras junto ao candidato. “Marconi pode ajudar no conceito que ele tem realizar obras”, atenta.
Balestra destaca o governador como cabo eleitoral ‘número um da campanha’ e diz que se esse conceito de realizador for le­vado adiante, o candidato deve sair forte. “Ele tem toda a condição de fazer o nome da base ganhar força. As obras que ele fez serão importantes”, relata.
O deputado observou, no entanto, que o aspirante terá que conquistar primeiro os aliados e depois trabalhar em prol da cadeira de prefeito. Indagado sobre o pouco envolvimento em anos anteriores, Balestra observa: “O apoio é consequência da maneira que você se apresenta como candidato. O candidato tem que construir o apoio dos aliados”, diz.
O deputado federal João Campos (PSDB), que chegou a colocar seu nome para a sucessão de 2012, se posiciona como Roberto Balestra. João Campos acredita que a construção e conquista de apoio depende muito do candidato. “O candidato precisa saber conduzir bem o processo, estabelecer diálogo com equilíbrio. Ele será o principal ator”, destaca.
Para o experiente congressista, as eleições do ano que vem terão um fator muito favorável à base aliada. Diferente de anos anteriores, o governo vive um bom momento e, apesar da crise, saberá se valer dela. “O governo vai superar as dificuldades financeiras e, com Marconi, a candidatura vai deslanchar”, afirma.

Cabo eleitoral
O presidente regional do PSDB, Afrêni Gonçalves, segue a mesma linha dos colegas de base ao dizer que o papel do tucano será o de cabo eleitoral. Afrêni cita os programas sociais como fundamentais para a conquista do eleitor e diz que as realizações do governo serão fundamentais. “O trabalho que ele fez vai dar um peso grande ao candidato”, aponta.
Além das realizações com obras, o deputado estadual Virmondes Cruvinel (PSD) destaca que o governador deve ter papel preponderante ao apoiar o candidato por sua experiência política apurada. “Além do trabalho de articulação política, outro ponto positivo é o de ex­periência administrativa”, declara.
Ele ratifica que deverá haver um envolvimento forte do governador nas próximas eleições. Segundo o parlamentar, o momento será favorável. “Ano que vem será propício. O Brasil estará em melhor condição, menos crise. Goiás será modelo e o candidato será beneficiado com o bom momento”, vislumbra.
O deputado estadual José Vitti (PSDB), líder do governo na Assembleia, observa que as ações do governo precisam estar, além de inauguradas, com um bom funcionamento. Para ele, as obras são importantes e tanto pode ajudar como atrapalhar. “As obras são fundamentais, mas daqui até lá elas têm que funcionar direito, porque pode ter efeito inverso se não estiver funcionando” relata.
Sobre o fato de Marconi não ter se envolvido em eleições anteriores, para José Vitti isso não ocorreu porque na época ele estava sofrendo desgastes. Esta eleição, contudo, ele aposta que vai ser diferente. “Eu acho que ele vai fazer um papel diferente. Acho que vai participar ativamente. Em algumas eleições ele esteve mais ligado ao interior. Agora vai ser diferente, ele tem feito ações importantes na região” diz.

2008 e 2012
Em eleições passadas, em especial as duas últimas, 2008 e 2012, não houve um envolvimento grande de Marconi Perillo em apoio ao candidato da base. Na primeira, com Sandes Junior (PP), Marconi era senador e esteve distante na disputa. Viu seu candidato ser derrotado de longe.
O deputado federal Sandes Junior (PP) observou que até teve envolvimento da base em torno de sua candidatura, entretanto, a entrada tardia da base na campanha custou à derrota ainda em primeiro turno. “O problema é que quando começamos a campanha, Iris estava com 70% e eu com 1%. Nós terminamos ainda com 23%,” destaca.
Para Sandes, naquela ocasião, todos os membros da base se envolveram e entraram em sua campanha. Ele acha que a culpa pela derrota não tem relação com a falta de empenho de colegas. “Houve envolvimento, mas entramos tarde. Todo mundo foi para a televisão pedir voto para mim”, revela.
Na última, em 2012, o então candidato era o deputado federal Jovair Arantes (PTB), que teve que remar sozinho. O postulante da base sofreu mais um revés, desta vez para Paulo Garcia (PT), apoiado por Iris Rezende. À época, Marconi sofria desgaste público com a Operação Monte Carlo, deflagrada naquele ano.
Jovair teve profundas dificuldades e obteve resultado inferior ao antecessor da base Sandes Junior. Na época conquistou 14,25% do eleitor com um total de 86.287 contra Paulo Garcia (PT) que venceu em primeiro turno com porcentagem de 57,68%, o que correspondeu a 349.335 votos.
Jovair não nega que houve pequeno envolvimento de lideranças da base governista em torno do seu nome, e ressalta que o momento era desfavorável. “O momento era ruim, tivemos a crise do Demóstenes Torres (sem partido), na minha campanha houve um envolvimento muito pequeno de todos os líderes da base. Nesta, ele deverá entrar”, confirma.

Vanderlan?
Segundo pesquisas internas de variados partidos, no momento apenas um nome pode enfrentar Iris Rezende em Goiânia: o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PSB), que apesar de ainda não se pronunciar oficialmente como pré-candidato, é nome certo para a disputa.
O empresário chegou a dialogar com Marconi Perillo para uma tentativa de apoio, mas, pelo visto, o respaldo só deverá ocorrer em um possível segundo turno. Indagados sobre a possibilidade de apoio a Vanderlan em primeiro turno, a maioria dos aliados acha pouco provável o fato acontecer.
Para João Campos, essa condição é bem remota. Segundo o parlamentar, as movimentações dentro da base não darão espaço a Vanderlan. Some-se aí o desejo do PSDB de lançar nome próprio em Goiânia. “Acho pouco provável este apoio. Muito remoto, principalmente porque existe uma disposição muito grande dentro da base”, argumenta Campos.


Analistas dizem que Marconi reforçará nome da base

 

Diferente de anos anteriores, o que se vê agora é um maior envolvimento de Marconi com a sucessão de 2016 em Goiânia. Há algumas semanas, o governador chegou a dizer que a candidatura do seu partido em Goiânia é inegociável e dé mostras de que vai apostar em um nome que carregue consigo a marca de tocador de obras.
O analista político e professor de Jornalismo da PUC-GO Joãomar Carvalho observa que Marconi vai entrar pra valer na campanha. Segundo ele, o fato de o governador não ter conseguido vencer em Goiânia dá a ele a vontade e o entusiasmo para querer ganhar desta vez. “Acho que vai ser diferente. Vai vir com muita bala. Se ele não ganhar, vai ter essa mancha na carreira dele”, declara.
Para Joãomar, com esse objetivo Marconi comprou briga dentro do próprio partido, por conta da boa relação com a presidente da Repú­blica Dilma Rousseff (PT). “Ele sabe que recursos são importantes. Comprou briga com o PSDB para manter o bom relacionamento com Dilma não perder os recursos”, diz o professor.
Já o professor da PUC-GO e consultor de Marketing Político Marcos Marinho nota que deverá haver um envolvimento diferente das demais eleições para prefeitura de Goiânia. Segundo o analista, caso Marconi o faça, isso deve mover os outros aliados em torno do nome da base. “Acho que vamos conseguir ver um empenho maior do governador. Havendo isso, vai ter um empenho das ou­tras lideranças da base”, aponta.
Para o analista político e professor de Ciências Sociais da UFG Pedro Célio, o simples fato de Marconi entrar de vez na campanha deve ajudar a levantar o candidato, qualquer que seja o nome: “Qual­quer nome que o Marconi apoiar na campanha vai ganhar força. (M.B)

 

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