“Temos que pensar mais em nossa administração e menos em política”

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A7 02Tribuna do Planalto – Esse ano tem sido difícil, de crise econômica e política em Brasília. Como estão fazendo em Inhumas para superar as dificuldades?

Dioji Ikeda – O que observamos é que esta crise econômica vivida pelo governo federal chegou forte nos governos estaduais e mais forte ainda nas prefeituras. 90% dos recursos que recebemos vêm destes dois entes. Por isso esperamos que saiamos dessa crise o mais breve possível. Creio que até o final do ano teremos condições de respirar melhor. Em Inhumas, estamos desde o ano passado promovendo ajustes e cortes. Temos que ter determinação para fazer isso, pois sempre pensamos que podemos prejudicar um companheiro, mas temos que pensar que o primordial é prestar um serviço de qualidade. Estamos vivenciando essa crise, mas já a combatemos desde 2014, apresentando projetos ao governo federal e estadual, com isso, estamos executando mais de R$ 16 milhões em recursos e ainda nesta semana. Iniciamos as obras do Parque Goiabeiras, que é uma bandeira de campanha e que, quando estiver finalizado, será o maior parque linear de Goiás. Mas sempre com responsabilidade.

A prefeitura de Inhumas foi uma das primeiras do Estado a começar a realizar cortes e ajustes, prevendo a crise. Quando foi exatamente que o senhor e sua equipe perceberam que esta crise estava chegando?
Senti isso no primeiro trimestre de 2014. Sentimos que o ano não seria bom. Então pisamos o pé no freio, e passamos a realizar ajustes para enfrentar a crise, além de buscar projetos para conseguir financiamentos junto ao governo federal e o governo estadual. Com isso, captamos boa parte destes recursos no ano passado, quando eles ainda estavam disponíveis. Readequamos nosso orçamento para este ano.

Essa crise então já pôde ser notada no começo de 2014. Com Copa do Mundo e com eleições, o sr. acredita que ela foi mascarada?
Nós sentimos isso, pois vivenciamos as contas públicas no dia a dia, mas o cidadão comum não sentiu isso. O problema é que a recessão chegou forte e teve seu ponto alto há mais ou menos sessenta dias. Hoje já conseguimos respirar um pouco mais. O grande problema é que vivemos também uma crise institucional. Por isso o momento é de ter ações para combater essa crise institucional. Estamos com um mandato federal e estadual de pouco mais de seis meses. Precisamos nos unir e acreditar que fazemos parte desse processo. Somente unidos conseguiremos combater esse momento.

A oposição como é feita, falando o tempo inteiro em impeachment, atrapalha essa recuperação?
A política do quanto pior melhor precisa acabar. Temos que ter projetos e não ficar pregando impeachment sem ter uma justificativa.

O Parque das Goaibeiras é um resgate de campanha. Como estão estes resgates?
Tivemos a felicidade, em campanha, de apresentar o projeto do Parque Goiabeiras, que será um parque linear ao longo do córrego Goiabeiras que corta a cidade. Isso impedirá sua poluição e aproveitará suas margens, algo em torno de 3 km, para a criação de uma área de lazer. A primeira etapa será de R$1,6 milhão e deverá ser entregue em dezembro. Além dela, estamos concluindo a UPA, que funcionará 24h, e entregaremos dois ginásios em setembro.

A UPA está prevista para ser entregue quando?
A parte física deverá ficar pronta em janeiro e estamos prevendo sua entrega em março de 2016.

E o que Inhumas tem tido de obras do governo estadual?
Temos um convênio de recapeamento asfáltico na cidade. Já aplicamos duas mil toneladas de massa. Esse convênio foi prolongado e aguardamos da Agetop o restante da massa, que é muito importante para nós. Outras obras são a conclusão da duplicação da GO-070, que passa no perímetro urbano da cidade e também da GO-222, que está parada, mas deverá ser retomada em breve. Ela separa parte de nossa cidade.

E em relação à tentativa de retirada de 25% do ICMS que é de direito das prefeituras, pela secretaria da Fazenda para ser repassado ao governo, que deverá ser votada em agosto. Como o sr. a vê?
É preciso despolitizar o Coíndice, mas o que é de direito dos municípios deve ser mantido. As associações que nos representam – a AGM e a FGM – estão acompanhando o processo e meu posicionamento é que tenhamos decisões mais técnicas e menos políticas.

A maioria dos prefeitos do interior estava em situação ruim junto ao eleitor. O sr. tem realizado pesquisas?
Temos pesquisas constantes a cada trimestre, mas não de avaliação de popularidade, mas para saber o que a população quer e pensa. Eu posso te dizer que hoje nós estamos no caminho que vai ao encontro aos anseios da comunidade, até porque nós estamos vivenciado um processo onde o município vive e respira obras por todos os lados. Eu acredito que hoje o foco precisa ser administrativo. Eu tenho passado isso para o nosso grupo, nós temos que pensar mais em administração e menos em política.  

Mas é de interesse do sr. ser candidato à reeleição?
Eu só quero que nós tenhamos um candidato com condições de disputar a eleição. Não que esse candidato necessariamente tenha que ser eu, de partido A ou B. Mas nós vamos buscar isso através de estudos qualitativos e, principalmente, de diálogo com todos os partidos para termos realmente um candidato em condições de disputar a eleição e de vencer.

O PMDB faz parte da base do sr. e planeja ter uma candidatura própria do deputado José Essado (PMDB). O sr. poderia apoiar uma candidatura do PMDB ou a candidatura dele já seria um rompimento na base?
Não. Rompimento de maneira nenhuma. O deputado é um grande amigo, líder político, faz parte da administração. Então se a gente vê que é o melhor nome para disputar as eleições eu penso que nós temos que conversar e afunilar e ter um candidato que seja do PDT, ou do PMDB, PRTB, PTN, em fim, que seja de um partido da nossa base que dê continuidade a esse projeto.

Além do nome do sr. e do deputado José Essado, quais são os outros que destacaria?
Posso te dizer que nós temos pelo menos uns seis bons nomes lá. Temos candidatos do PRTB, do PTN, do PROS, do PMDB, PDT, PT…

O sr. foi eleito como uma espécie de terceira via dentro da cidade que era dominada por PMDB e PP. Acredita que, em 2016, possa surgir um novo nome de uma terceira via?
Creio que sim, eu tenho visto uma metamorfose no meio político. O eleitor hoje está muito menos ligado a partido. Com o advento das redes sociais e velocidade que a informação circula, o candidato pode começar a campanha ruim, apresentar proposta e crescer ao longo da campanha.

Como que o sr. avalia o grupo do deputado Roberto Balestra (PP)?
Perdeu bons quadros. Tenho visto que aqueles políticos que realmente pensam numa política séria e positiva, como foi o caso do vereador Pacheco, que deixou o PP envergonhado de ver o seu líder no município e deputado de oito mandatos envolvido no maior esquema de corrupção da história do Brasil, estão saindo. Então eu acredito que isso deve ter gerado um desconforto muito grande. Mas é um grupo grande de Inhumas.

O sr. acredita que o ex-prefeito Abelardo Vaz não deva mesmo ser candidato, como já afirmou à Tribuna?
Eu, sinceramente, até pouco tempo atrás acreditava que ele seria o candidato. Mas tenho visto por parte do ex-prefeito certo desânimo. Político para disputar um mandato precisa querer e às vezes uma questão familiar, uma questão pessoal, impede a gente de querer entrar. Mas tudo pode acontecer.

Quando o sr. foi eleito prefeito, o PDT estava na oposição estadual, agora o PDT é base do governador Marconi Perillo (PSDB). Com o sr. se posiciona nessa situação?
Mesmo antes do PDT fazer parte da base eu nunca fiz oposição ao governador.  Prefeito não deve se opor a governador, governador não deve se opor a presidente.  

Como as eleições municipais do ano que vem vão influir nas eleições de 2018 para governador dentro do Estado de Goiás?
Eu acredito que um novo mapa se desenhará.  Estamos observando um alinhamento da oposição do senador Ronaldo Caiado (DEM) com o PMDB. Nós temos o governador com a base muito consolidada. Vejo que isso se afunilará quando a base do governo estadual realmente tiver um nome a ser apresentado à sucessão do governador.  Sendo um nome que aglutine a base, vai forte para 2018.

O sr. acredita que esse nome já esta definido, com o vice-governador José Eliton (PP)?
Vice-governador é um bom nome, agora quem precisa desenhar a candidatura é o candidato. Ele tem feito um trabalho de fortalecimento do seu partido, é articulado, moderno, é um político disposto ao diálogo. Isso são, para mim, pré-requisitos fundamentais para qualquer candidato.

O sr. destaca que dentro da base vai ficar em torno de nomes como o de Eliton, de Vilmar Rocha (PSD)?
São excelentes nomes, eu posso incrementar aí Thiago Peixoto (PSD), que é um bom nome, e do deputado Giuseppe Vecci (PSDB), mas eu, no meu íntimo, me permito dizer que o candidato deve ser do PSDB.

O candidato de 2018?
De 2018.

E o sr. acredita que possa ser quem?
Pode haver uma migração e algum outro candidato vir para o PSDB.

Poderia ser o José Eliton, já que se aventou muito essa possibilidade alguns meses atrás?
Primeiro ele tem que deixar o PP. Se ele filiar ao PSDB, eu acredito que possa ser ele.

O que mais que os inhumenses podem esperar daqui até o final desse primeiro mandato do sr.?
Trabalho comprometido, eu tenho convicção absoluta que nós estamos trabalhando pelo nosso município. Hoje eu posso dizer que nós estamos com uma saúde, não a ideal, mas cada vez melhor. Na educação da mesma forma. Já entregamos três escolas devidamente modernizadas. 80% das salas de aulas estão climatizadas, além de cuidarmos de forma especial da parte urbana da cidade.

 

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