Ontem feliz, hoje estou triste

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Uma frase pungente de Jorge Luís Borges marcou-me: “Cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz”. A maior aspiração humana é a felicidade contínua e, bem sabemos, impossível. Outro eminente escritor, George Bernard Shaw, dá o seu veredito: “Uma vida inteira de felicidade! Nenhum homem vivo conseguiria suportá-la. Seria o inferno”.
Felicidade e infelicidade fazem parte de uma gangorra alternante, e desejamos que as alegrias se aninhem permanentemente no alto da gangorra. Mas a vida impõe frustrações, reveses, perdas, lutos. A aceitação dessa alternância entre fases, ditosas ou não, torna o fardo mais leve.  Rejeitar o sofrimento ou tristeza é como rejeitar a própria condição humana.
A televisão e as mídias sociais fazem da conquista da felicidade uma obsessão. E quanto aos ídolos, enxerga-se pouco do lado humano deles, porém o vazio e o infortúnio também os abatem e parte deles busca na dependência química um escapismo.
A felicidade também depende fatores hereditários? Estudos iniciados em 1970 por David T. Lykken, indicam que sim – daí resultariam as pessoas serem prevalecentemente otimistas ou pessimistas. É evidente que temos picos de felicidade e infelicidade, porém passadas essas anomalias pontuais, “você retorna ao nível padrão de felicidade do cérebro, determinado em grande parte pelos genes” – argumenta o psicólogo e professor na Universidade da Virgínia, Jonathan Haidt.
Mas não estamos subjugados por esse determinismo. Se alguém tem predisposição hereditária para diabetes, há como preveni-la ou minimiza-la. Da mesma forma, a busca do contentamento interior requer esforço, disciplina pessoal e bom uso do livre arbítrio. No livro A Semente da Vitória, Nuno Cobra elenca três condições essenciais para o bem-estar de uma pessoa: sono reparador; alimentação saudável; exercícios físicos regulares.
Complemento essa lista com: bons relacionamentos (amar e ser amado); atividades culturais; momentos de lazer; a prática da espiritualidade e da solidariedade; boas leituras e boas músicas. Enfim, as palavras de Goethe bem arrematam o nosso texto: “Uma vida inútil é uma morte prematura”.

Jacir J. Venturi, professor, coordenador da Universidade Positivo e autor de três livros.

 

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