Dólar nas alturas

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Nas últimas semanas, o noticiário econômico divulgou uma série de instabilidades econômicas que causaram alta mais acentuada no valor do dólar. A moeda norte-americana pulou de cerca de R$ 3,15 para R$ 3,37 (valor de fechamento da quinta, 30) em poucos dias. Muita gente só se preocupa com o valor da moeda quando há necessidade de se fazer alguma transação internacional – comprar dólares para uma viagem, adquirir produtos importados, fazer uma reserva de um voo internacional e etc… A cotação do dólar, porém, tem impacto muito maior na vida cotidiana do brasileiro, algo que poucos sabem.

O maior impacto gerado é que o aumento na cotação da moeda norte-americana também aumenta a inflação no mercado doméstico brasileiro. Como? Apesar do preço da produção interna (aqueles produtos que são produzidos e comercializados no Brasil) ser impactado muito mais devido a variações de indicadores brasileiros, o dólar em alta também influencia o seu aumento. Isso porque, dependendo do produto em questão, muitas vezes a indústria precisa importar insumos para a produção. Esses materiais sofrem aumento de preço toda vez que o dólar sobe.
Há também a questão das máquinas utilizadas nestas fábricas, muitas delas importadas. Neste caso, a empresa precisa negociar em dólar, além da comprar propriamente dita, o treinamento de seus funcionários e a manutenção destes equipamentos. Uma conta que sai bastante alta se o dólar estiver com cotação supervalorizada. Parte deste ‘prejuízo’ por conta da variação da moeda estrangeira é repassada ao consumidor com aumento de preços.
Outra questão, que muitas vezes passa despercebida, é em relação ao envio de lucros por parte das empresas multinacionais que atuam no Brasil. Essas empresas produzem e vendem em reais, mas na hora de bater metas e enviar dividendos para as suas matrizes, os fazem tomando como base o dólar. Para bater metas em dólar é necessário aumentar o preço em real, caso a moeda norte americana esteja subindo.
Por último, ainda podemos considerar a própria concorrência em si e a lei básica da economia – a Lei da Oferta e da Demanda. Se o dólar sobe, as pessoas param de importar. Logo, esses consumidores procuram no mercado interno produtos substitutos a aqueles que vinham do exterior. Isso aumenta a demanda interna. Se o país tiver dificuldade para aumentar sua produção – e o Brasil tem, principalmente devido a falhas na infraestrutura -, o aumento da demanda gera pressão na oferta, levando ao aumento dos preços.
Isso tudo mostra o quão importante para a economia o controle da cotação do dólar. A moeda precisa continuar tendo livre flutuação, mas o Banco Central precisa atuar para que não haja uma disparada em seu valor. O dólar em alta não é de todo ruim, já que melhora o lucro nas exportações. O ideal, porém, é que ele se estabilize em um patamar médio, que consiga impulsionar melhoras reais na economia brasileira.

Boa leitura, ótima semana!

 

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