“O PP não tem deputados estaduais. Poderia ser interessante ir para lá”

0
1196

TALLES BARRETO FOTO PAULO JOSE 14Tribuna do Planalto – Depois de todo o imbróglio envolvendo a fusão do DEM com o PTB, como ficou sua situação junto aos prefeitos do interior, visando às eleições do ano que vem?

Talles Barreto – Temos vivido algumas situações de dúvidas. O PTB, principalmente neste primeiro semestre de 2015, ficou na expectativa de se unir com o DEM. Havia um ponto em comum, que praticamente se confirmou, mas que, no final do semestre, melou. A fusão criaria desconforto para muitos no partido, tanto em nível federal – com o deputado Jovair Arantes líder da bancada e fazendo parte da base da presidente Dilma Rousseff, tendo que se deparar com a vontade da presidente nacional do partido, Cristiane Brasil, de ser oposição – quanto em nível estadual, com a possibilidade de mudança de rumos do partido em Goiás. Como não houve a fusão, abriu-se então o espaço para a janela. Estamos aguardando a definição para tomarmos uma decisão. Tenho 16 prefeitos que me ajudaram na eleição passada e vou conversar com eles para definir a situação. Faço parte da base do governador Marconi Perillo (PSDB) e estou ajudando na filiação de políticos para partidos da base. Recentemente filiamos a ex-deputada Vanda Melo no PSDB da cidade de Ceres, depois de conversas com o presidente tucano Afrêni Gonçalves, que é um grande nome nosso. Aliás, a maioria dos prefeitos do PSDB da região do Vale do São Patrício me apoiam. Além de lá, também tivemos boa votação no Vale do Araguaia e no entorno de Goiânia. É com eles que vou conversar para ver como será a definição política do melhor caminho.

Permanecer no PTB é uma possibilidade?
Pode ser sim. A decisão será tomada analisando a conjuntura nacional e aqui em Goiás. Estamos em um momento de insegurança e esperamos a definição do PTB em nível estadual para saber como será em 2016. Por exemplo, não posso colocar uma liderança como o Mário Macaco, que é de Itapaci, no PTB, daí muda o presidente e mudam-se os interesses do partido em Itapaci. Não posso correr o risco de colocar um candidato no PTB e amanhã perder a liderança do partido. Mas acredito que em agosto tudo se esclareça mais e tomaremos uma decisão de forma coletiva.

Hoje o senhor vê o PTB caminhando mais para a oposição no Estado ou para a base?
Aí que vem a discussão. O PTB nacional, por sua direção, caminhará contra a presidente Dilma Rousseff. Ponto. Em relação a Goiás, eu caminharei com o governador. Se o PTB não quiser caminhar mais com o governo – o que eu não acredito – eu não caminharei. Lutei para eleger essa base e esse governo e não posso caminhar contra ele. Se Iris Rezende (PMDB) ou qualquer liderança ligada a ele assumir o PTB amanhã, por exemplo, eu não tenho como permanecer no partido. Seria constrangedor. São essas as indefinições que existem. Esperemos agosto para definir isso, inclusive trazendo conosco prefeitos do PMDB, que buscarão a base após a saída do partido, podendo, inclusive, vir ao PTB, caso tenhamos segurança no partido. Falo isso, pois tenho uma história no partido. Meu número de campanha, por exemplo, já está consolidado. Infelizmente chegamos a esse ponto de insegurança.

Eu perguntei sobre o PTB, mas e em relação ao deputado Jovair Arantes. O sr. sente que ele poderá seguir para a oposição? Seu problema no início do ano com o governador foi superado?
O deputado Jovair tem uma história imensa ao lado de Marconi desde a época de Henrique Santillo. Eles foram criados politicamente juntos. Há um respeito e uma consideração muito grande entre ambos. Não acredito em rompimento. Há insatisfações – umas justificadas e outras não – mas política tem destes jogos de interesses. Hoje o partido não faz parte do primeiro escalão do governo, talvez por momento, mas pode ser que ainda faça. Acho que Jovair tem que ter um encontro pessoal com Marconi e resolver qualquer insatisfação ou conflito entre ambos, pois a história deles é maior que qualquer coisa.  

Essas atribulações dentro do PTB, entre Jovair Arantes e Cristiane Brasil, fará com que o partido se enfraqueça em Goiás, já que além do sr., o deputado Marlúcio Pereira também pensa em deixar o partido?
Eu não digo que o partido se enfraqueceu, mas que dúvidas surgiram. Por exemplo: se há o rompimento entre o deputado Jovair e a presidente Cristiane, ela não o deixará na presidência do partido. Isso é fato. Jovair teria que buscar novas alternativas, mesmo sendo um dos deputados mais respeitados em Brasília e que levaria vários petebistas consigo para outra sigla. Há uma instabilidade neste momento, inclusive por conta do pedido de expulsão do deputado Jovair do partido, mas, ao mesmo tempo, Cristiane e sei pai, o ex-deputado Roberto Jefferson, sabem da importância de Jovair para o partido nacionalmente e aqui em Goiás. A dúvida é em cima desta dificuldade.

Durante o todo esse processo dentro do PTB, houve a possibilidade de migração de todo o quadro para o PHS. O sr. disse, na época, que não iria. Qual o motivo?
Primeiro porque o deputado Jean está no PHS e tem um trabalho em minha região, então poderíamos ter problemas. Não desmereço o PHS, mas não posso ir para um partido que teria dificuldades em diretórios de minha região. Eu tive coragem de ir para o chapão e conseguir ser eleito. Estou em um partido grande, com tempo de televisão. Não posso abrir mão disso. Tive mais de 37 mil votos e fui o sexto mais bem votado da base. Teria muitos conflitos se fosse para o PHS.

Hoje, para trocar de partido, há a necessidade da aprovação da janela no Congresso Federal. O sr. acredita que ela possa ser aprovada?
Ouvimos muitas coisas. Ela esteve próxima de ser aprovada, pois ficou distante, e agora, me parece, está próxima de ser aprovada, enfim. Há um consenso em torno disso.

O sr. foi convidado pelo vice-governador José Eliton para ir para o PP?
Sim. Conversei muito com José Eliton. Tenho muito respeito, muita admiração. É uma situação interessante, mas tenho que fazer essa avaliação. Da mesma forma conversei com Vilmar Rocha (PSD) e com a deputada Magda Moffato (PR). Agora, é uma decisão que eu não posso tomar sozinho, tem que ser em conjunto.

Desses que o sr. conversou qual foi o mais bem recebido pela sua base?
Amanhã talvez mude, mas hoje poderia ser o PP mesmo. O PP hoje não tem nenhum deputado estadual. Poderia ser interessante ir para lá. O PP é um partido palpável com uma tradição em Goiás, muito forte. Eu tenho alguns prefeitos do PP também, mas essa decisão é uma decisão muito séria, que pode definir o meu futuro e o futuro dessa base. Independente do partido, buscarei um que caminhe com o governador Marconi Perillo.

O vice-governador José Eliton vem fazendo um trabalho forte de busca de filiados. Como é que o sr. está vendo isso?
Eu vejo José Eliton extremamente trabalhador. Ele tem todo o nosso respeito e todo o nosso carinho. É extremamente atencioso, sabemos que precisa também buscar aproximar mais da sociedade.  Mas a gente sabe que ele está tentando aproximar cada vez mais disso.

Com esse trabalho que ele está fazendo, terá condições de se tornar o nome da base para 2018?
Sem dúvida. Ele está trabalhando e isso é real. Eu o vejo com todas as credenciais para isso, apesar de que para governo também vejo outros nomes que seriam interessantes.

E em Goiânia? Qual seria o nome da base ano que vem?
Jayme Rincón. Ele vai disputar a eleição de Goiânia. Caso o Jayme não consiga seu espaço dentro do PSDB aí nós podemos ver outro nome, mas eu tenho um compromisso com o Jayme Rincón que sempre foi leal e recebeu meus prefeitos. Querendo ou não, Jayme deu um charme maior para Goiânia com as rodovias. Cada dia ele aprende mais com relação à administração pública. Com o apoio do governador Marconi Perillo, tenho certeza que ele tem tudo para poder retirar Goiânia dessa situação negativa que foi deixada pela administração do PT.

A base vai conseguir se unir em torno de um só candidato?
Eu acho que o caminho correto seria esse.

Mas vai conseguir? A gente vê o secretário Vilmar Rocha, por exemplo, lançando candidatura do PSD…
Eu não vejo o Vilmar com nenhuma situação de constrangimento. Eu acho que o PSD até briga mesmo para poder indicar um vice para o Jayme. Eu só acho que Jayme Rincón tem que saber aglutinar. Isso passa por ele. Quem vai buscar e fazer essa avaliação é ele. Ele tem o carinho de muita gente no governo. Ele vai ter que ter esse jogo de cintura para unificar os partidos políticos da base aliada em seu nome.

Com o sr. avalia esses seis meses no comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)?
Foi uma experiência fantástica. Na realidade, eu tinha vontade era de ser líder do governo, mas o governador pediu que eu assumisse a CCJ e o José Vitti ficasse na liderança. E ele é um grande líder. Não deixei de abrir a CCJ nem um dia. Eu sempre segurei para que nós pudéssemos votar todos os projetos. A CCJ nunca esteve tão atuante como esteve nesses seis meses.

O governo está terminando o Centro de Excelência do Esporte. Com isso, haverá uma reforma no Estádio Serra Dourada?
Eu já conversei com o governador. Acho que primeiro o governo tem que terminar alguns projetos. O próprio Centro de Excelência tem a previsão de inauguração dia 24 de outubro. O Estádio Serra Dourada, antes da Copa, era um dos cinco melhores do Brasil. Hoje não está nem entre os 20. Precisará mexer em toda uma estrutura. Mas o governador sabe disso e está buscando verbas.      

Como é que o sr. avalia esses seis meses depois que o governador implantou a reforma?
Eu fui relator dessa reforma. Eu recebi o governo inteiro dentro do meu gabinete no final do ano passado. Uma reforma corajosa. Algumas pastas juntadas ficaram realmente complexas, mas a professora Raquel Teixeira, por exemplo, vem demonstrando um jogo de cintura muito forte, está se encaixando. Os secretários estão demonstrando muita desenvoltura. A secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão, é uma grande surpresa para nós. É uma mulher extremamente equilibrada que sabe o que está fazendo. Ela está bem afinada com o secretário de Gestão e Planejamento, Thiago Peixoto, que está realizando um excelente trabalho à frente da Segplan. Mesmo num cenário extremamente difícil ela tem penetração junto ao governo federal, o ministro Joaquim Levy, mas o mais importante, todas as medidas estão sendo tomadas para o melhor de Goiás.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here