Família em ação!

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E8 e E9 06Mais do que acompanhar a vida dos filhos, os pais podem atuar diretamente na escola ou instituição de ensino em que a criança ou adolescente estuda. A proximidade das famílias com as ações pedagógicas propostas contribuem com a melhoria do ensino e uma gestão cada vez mais aberta.
Essa atuação de diversos atores, entre eles, a família, é reconhecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê em um prazo de dois anos, a efetivação da gestão democrática das escolas públicas, com a participação da comunidade escolar.
Iniciativas para integração da família e unidade educacional são alguns dos princípios adotados nas escolas e centros municipais de Educação Infantil (Cmei) de Goiânia. No Cmei Professora Alzira de Oliveira Alves, localizado no Jardim Europa, todas as atividades são baseadas na parceria entre instituição e comunidade educacional.
De acordo a diretora do Cmei, Flávia Farias Alves, não é fácil trazer a família para dentro da instituição. “Muitas vezes, o pai ou mãe trabalham. Entretanto, criamos formas de trazer esse familiar para dentro da unidade educacional, não só nos eventos ou reuniões, como também em outros momentos”, pontua.
“A liberdade em conversar com eles se dá desde quando as crianças são deixadas no portão e isso cria vínculo. Colhemos sugestões e críticas e temos a obrigação de dar um retorno, apresentando os pontos positivos e negativos. Nesse ano, o coletivo teve a ideia de deixar uma caixa de sugestões para os pais. A iniciativa ajuda a democratizar a gestão”, completa.
De acordo com Itatiana Beatriz Moreira, gerente de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME), a relação instituição/família, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, é de suma importância para os processos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças.
“É importante que a instituição se organize de modo a estabelecer parceria com a família, pois esta relação é fundamental ao desenvolvimento da criança e proporciona confiança ao trabalho proposto. A instituição deve estreitar essa relação para que juntas desenvolvam ações compartilhadas, ampliando a vitalidade de um trabalho que vai além dos muros do espaço educacional”, afirma.
Ariana Regina Alves de Araújo, mãe da aluna Pamela Kiara Alves da Luz, que estuda no Cmei Parque Tremendão, acredita que é fundamental a aproximação entre os pais e o Cmei. “Isso repercute na aprendizagem das crianças. Elas ficam mais ativas e confiantes quando percebem que estamos por perto”, destaca.
Com relação aos recursos gastos na instituição, Ariana comenta que é tudo é muito claro. “Nossa par­ticipação acontece constantemente.Temos o Conselho Escolar que ajuda na divulgação das informações. Toda vez que tem algum gasto a direção do Cmei disponibiliza os dados por meio de uma planilha no mural da instituição”, acrescenta a mãe.

Conselhos Escolares
Além da participação no dia-a-dia das instituições, pais e mães podem integrar Conselhos Escolares e integrar a tomada de decisões de gestão. Em Goiânia, 100% das unidades educacionais da Prefeitura possuem conselhos. De acordo com o Estatuto do Conselho Escolar da rede municipal, o conselho visa o desenvolvimento das atividades, assegurando democraticamente a participação da comunidade em questões administrativas, pedagógicas e financeiras.
Participam professores, servidores, pais e alunos. De acordo com a diretora de Administração Educacional da Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME), Clarislene Domingos, a criação dos Conselhos se tornou obrigatória em 1996.
“A partir da instituição da obrigatoriedade dos conselhos, o governo federal passou a enviar dinheiro diretamente para as unidades educacionais, dando autonomia para que cada uma defina suas prioridades e aplique a verba da melhor forma”, esclarece a diretora. “Além de avalizar aquisições de bens materiais, os conselhos devem se apropriar do espaço de discussão para compartilhar conquistas, desafios e problemas, sobretudo nas esferas administrativas e pedagógicas”, destaca Domingos.
O diretor de Ensino da SME, Marcos Pedro da Silva, afirma que a gestão democrática dentro das instituições perpassa pela atuação dos conselhos gestores. “Os conselhos nas escolas e Cmei envolvem alunos, professores e comunidade escolar, e podem resultar em grandes experiências de ações participativas na gestão educacional”, explica.


Formação também para os pais

Nesse ano, a Secretaria Munici­pal de Educação e Esporte, em parceria com Ministério da Educação (MEC), oferece formação para os integrantes do conselho. A primeira turma, que contou com a participação dos pais, foi encerrada no mês de maio. Para início da mesma formação, no mês de setembro, foram disponibilizadas 100 vagas.
O curso “Conselho Escolar” é rea­lizado de forma presencial e à dis­tância e integra o Programa Na­cional de Fortalecimento dos Con­selhos Escolares. Com carga horária de 40 horas e certificado ao final, o curso contempla todos os segmentos do conselho, que interagem entre si.
De acordo com o apoio técnico da SME e uma das articuladoras da formação no estado de Goiás, Abigail Linhares, os participantes aprendem e trocam experiências por meio do contato com as novas tecnologias. “O curso tem como objetivo oportunizar e contribuir com as ações dos conselhos, apresentando o papel do conselheiro e sua forma de atuação”, comenta.
Vanda Mendes Silva é mãe da aluna Ana Júlia Mendes Olivera, estudante do quinto ano da Escola Municipal Dr Nicanor de Assis Al­ber­naz, localizada no Loteamento Alphaville Residencial. A mãe, que participou do curso, considerava antes ser a escola responsabilidade da direção e dos professores.
“Ia em reuniões ou eventos da instituição e achava que já fazia demais pelos meus filhos. Hoje participo ativamente da escola, dentro do conselho e como voluntária da instituição. Vejo a escola como parte da minha casa e sinto que tenho uma responsabilidade maior na comunidade escolar e posso ajudar a definir prioridades aqui”, declara.
Sobre o curso Conselho Escolar, Vanda acredita que sua participação foi a oportunidade de ter uma visão diferente. “Eu moro há trinta anos no bairro e nunca tinha olhado a escola como ambiente familiar e agora tenho a chance de contribuir para mudar a realidade. A escola precisa de pessoas dispostas a cooperar, dar sugestões”, explica.

 

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